quinta-feira, 6 agosto, 2026 10:59
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Por que o Chaco se tornou a nova fronteira dos brasiguaios

de Redação Bonitonet
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É fácil encontrar no YouTube vídeos de influenciadores do agro citando as maravilhas do Chaco. “Plantio de soja sem adubo”, diz a chamada de um deles. É um exagero do mote que vem consolidando a produção agrícola nessa região semiárida a noroeste do Paraguai, uma derradeira fronteira agrícola na América do Sul.

Na porção leste do Paraguai, precisamente na região conhecida como Alto Paraná, a atratividade não é recente; há mais de cem anos, produtores brasileiros começaram a se instalar no país. Agora, agricultores e empresas brasileiras avançam em direção ao Chaco, que fica na metade norte do Paraguai — o Alto Paraná está na metade sul.

Algumas partiram do Brasil, como a BrasilAgro, de incorporação e conversão de terras e produção agrícola. A empresa atua no Paraguai desde 2012 por meio de uma subsidiária chamada Palmeiras, com sede em Assunção e quase 15 funcionários.

Outras nasceram lá e fizeram o trajeto inverso. É o caso da Inpasa, líder em etanol de milho no País, que tem um perfil diferente de atuação no vizinho. É o caso também da Agrihold, holding de insumos agrícolas trinacional, com atuação também na China.

A eliminação das fronteiras envolveu ainda os frigoríficos, como a JBS e a Minerva, que há anos vêm incorporando plantas no Paraguai. E há uma onda recente puxada pelos bioinsumos, com brasileiras como Agrivalle e Gênica abrindo negócios no vizinho.

De malucos a visionários

Na BrasilAgro, o namoro com o Paraguai começou ainda nos anos de 2012 e 2013. O que atraiu a atenção da empresa para a região foi o viés explorador de abrir fronteiras, lembra Julio Piza, que ocupava a cadeira de presidente da empresa na época da expansão.

“Não era muito diferente do que era o Piauí vinte anos atrás, quando fomos para lá. Não tinha nada. Janela ideal de plantio, o que fazer com a logística de grãos… Fomos aprendendo tudo”, lembra Piza.

Em todas as frentes, a integração entre os países vem se intensificando. “Tem crescido o interesse. Estamos sendo muito acessados por produtores brasileiros querendo conhecer nossa operação lá”, explica Eduardo Marrey, diretor comercial da BrasilAgro.

Segundo ele, a empresa analisa o investimento no Paraguai “não com base na foto, mas no filme”. Isso significa que há anos bons e ruins, mas, na média, o resultado é positivo. “Estamos contentes e vemos potencial para explorar mais.”

Nova fronteira

Se antes a presença dos brasiguaios era mais disseminada no Alto Paraná, nos anos recentes o foco tem se desviado para o Chaco. “É um solo com fertilidade muito grande, o que é importante, pois o adubo responde por 40% do custo da soja. O custo de produção lá fica em menos da metade do que no Brasil”, afirma Marrey.

A BrasilAgro já começou pelo Chaco. Atualmente, mantém no país quase 60 mil hectares na fazenda Morotí, na região de Boquerón, 20 mil dos quais com produção.

“No começo, éramos tidos como malucos. Depois, viramos visionários”, diz Marrey.

Em maio, a companhia anunciou a venda de 921 hectares para um comprador não identificado, em um negócio de US$ 1,5 milhão. Ou seja, US$ 3.062 por hectare. Eis outra vantagem do Chaco, segundo os especialistas: o preço da terra.

Fonte:.theagribiz



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