Vice de Santiago Peña, Pedro Alliana, deve assumir o cargo. Decisão ocorre após escalada dos problemas envolvendo a liquidação do Ueno Bank
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nesta quinta-feira, 5, em meio à crise política envolvendo o Ueno Bank.
A decisão ocorre após a possibilidade de sucessão ganhar força com o avanço das articulações pelo impeachment de Peña e foi anunciada nas redes sociais.
“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à presidência da República (…) quero pedir desculpas ao povo se, em algum momento, falhei”, disse Peña, ressaltando que sua prioridade é “a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao nosso sistema financeiro”.
Pedro Alliana, vice-presidente, também é alvo de um pedido de destituição apresentado por parlamentares da oposição, mas integrantes de uma das alas do partido já manifestaram apoio à sua permanência no cargo.

Pela Constituição paraguaia, o vice-presidente substitui o chefe de Estado em caso de vacância do cargo. As acusações contra Peña envolvem supostos conflitos de interesse e questões relacionadas à gestão de recursos previdenciários e ao Ueno Bank.
No caso de Alliana, a oposição aponta uma suposta atuação para proteger politicamente a instituição financeira.
O Banco Central paraguaio iniciou nesta semana a dissolução do Ueno Bank, suspendendo operações e saques. Segundo a Associated Press, a instituição mantinha cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, dos quais aproximadamente US$ 380 milhões eram do instituto estatal de previdência.
A crise provocou protestos em Assunção e a detenção de oito executivos e empresários ligados ao banco. Antes de renunciar, em entrevista ao jornal paraguaio Última Hora, Penã afirmou estar tranquilo diante das acusações: “Estou muito tranquilo porque sei da minha inocência”.
Fonte: Estadão