Pacto será assinado sexta-feira, na Suíça, segundo mediador paquistanês; Donald Trump ordena a remoção imediata do bloqueio naval; iranianos dizem que acordo encerra a guerra imediatamente
Trump: ‘Navios do mundo, liguem seus motores. Que o petróleo flua’
Presidente dos Estados Unidos comemorou acordo de paz com o Irã, que prevê cessar-fogo no Oriente Médio e reabertura total do Estreito de Ormuz. Crédito: AFP
Irã e Estados Unidos chegaram a um acordo de paz para cessar-fogo no Oriente Médio e reabertura total do Estreito de Ormuz para navegação. O anúncio foi feito neste domingo, 14, pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. Todas as operações militares na região serão interrompidas imediatamente, inclusive no Líbano. O pacto será assinado dia 19 de junho, em Genebra. Ormuz será completamente desobstruído somente após a assinatura.
O anúncio do acordo teve efeito imediato nos mercados, com o petróleo caindo mais de 4% e os futuros de ações na Bolsa de Nova York subindo.
“Com o acordo já em vigor, os mediadores facilitarão uma série de reuniões nesta semana. Essas discussões prévias à implementação estabelecerão as bases para as conversas técnicas e para a cerimônia oficial de assinatura”, escreveu na rede X Sharif, mediador-chave na guerra do Oriente Médio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comemorou o acordo e anunciou a suspensão imediata do bloqueio naval americano em Ormuz.
“O acordo com a República Islâmica do Irã está agora concluído. Parabéns a todos! Por meio desta, autorizo plenamente a abertura sem restrições do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos. Navios do mundo, liguem seus motores. Que o petróleo flua!”, escreveu Trump, em postagem na Truth Social.

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, disse que pretende participar da assinatura do acordo com o Irã em Genebra. Acrescentou que Trump “poderá” comparecer. “Definitivamente pretendo estar lá, mas é possível que o presidente também esteja”, disse Vance à Fox News ao ser questionado sobre a cerimônia de 19 de junho.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou que “o texto do memorando de entendimento (com os Estados Unidos) foi finalizado, e a assinatura oficial do Memorando de Entendimento de Islamabad (capital do Paquistão) ocorrerá na sexta-feira, na Suíça”, segundo a agência de notícias iraniana Fars.
Ainda segundo a Fars, após o ataque Israelense hoje a um subúrbio de Beirute, no Líbano, o Irã havia cancelado as negociações e se preparou para atacar Israel, mas teriam ocorrido concessões de última hora por parte do presidente dos EUA, Donald Trump, que convenceram os iranianos a desistirem do ataque, “incluindo a preservação da integridade territorial do Líbano, a retirada de Israel da fronteira com o Líbano e o levantamento imediato do bloqueio [marítimo ao Irã].”
Um dia antes do início da cúpula do G7 na França, o presidente Emmanuel Macron afirmou que o acordo recém-alcançado será um dos principais pontos de discussão para as grandes potências durante os três dias do encontro.
“O objetivo será analisar as consequências desse acordo, o apoio ao Líbano, a reabertura do Estreito de Ormuz no longo prazo e, obviamente, a conclusão de um acordo sobre o programa nuclear e balístico do Irã”, afirmou o presidente francês em um vídeo publicado em seu Instagram.
Na segunda-feira, ele receberá na cidade às margens do lago Léman Donald Trump e os líderes da Alemanha, Canadá, Itália, Japão e Reino Unido.
Na manhã deste domingo, Trump culpou Israel por atrasar a assinatura do acordo com seu ataque aéreo a Beirute.
A última vez que Israel realizou um ataque na capital libanesa, desencadeou um dos golpes mais severos contra um cessar-fogo que vinha sendo amplamente respeitado desde abril, com o Irã lançando uma barragem de mísseis em represália e Israel respondendo com ataques.
Teerã exigiu desde o princípio que qualquer acordo incluísse o Líbano, onde Israel conduz uma campanha contra o Hezbollah.
A guerra começou no fim de fevereiro, com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Teerã respondeu com ataques contra Israel e aliados na região e, na prática, bloqueou o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma rota vital para o abastecimento global de petróleo e gás natural. Os Estados Unidos responderam com um bloqueio do tráfego em todos os portos iranianos.
Fonte: Estadão