A polícia de Mato Grosso do Sul tem intensificado as ações contra as organizações criminosas nos últimos dias, principalmente após a morte do policial militar Marcelo Pimenta, de 32 anos, no dia 30 de junho, em Corumbá. Ontem, uma operação deflagrada em Três Lagoas mirou duas facções criminosas e prendeu 14 pessoas.
De acordo com a Polícia Civil, a Operação Janus mirou envolvidos na guerra entre Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) e que têm cometido homicídios e tentativas de homicídio registrados recentemente em Três Lagoas.
Conforme nota da polícia, a ação tinha expedido 15 mandados de prisão e 15 mandados de busca e apreensão em Três Lagoas e Paranaíba, em Mato Grosso do Sul, e Rondonópolis e Cuiabá, em Mato Grosso.
Contudo, a nota também traz que foram efetivamente cumpridos até a manhã de ontem 12 mandados de prisão, 1 mandado de internação de adolescente e 15 mandados de busca e apreensão, além de uma prisão em flagrante por posse irregular de arma de fogo.
“A Operação Janus é resultado de investigações conduzidas de forma integrada pela 1ª, 2ª e 3ª Delegacias de Polícia Civil [de Três Lagoas], em conjunto com a SIG [Seção de Investigações Gerais] de Três Lagoas, voltadas à apuração de crimes de homicídio, tentativa de homicídio e roubos atribuídos a integrantes de duas facções criminosas, bem como ao enfrentamento ao crime organizado”, diz a nota.
A ação envolveu diversas delegacias de Três Lagoas e de Campo Grande, como a Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), e a Polícia Militar.
“Ao longo da ação, também foram apreendidos: substâncias entorpecentes e dezenas de aparelhos celulares”, traz a nota.
OPERAÇÕES
Esta é a quarta grande operação das forças de segurança de Mato Grosso do Sul que mira o fim da guerra por território entre PCC e Comando Vermelho. A rivalidade cresceu desde o ano passado, com a tentativa de entrada da facção originária do Rio de Janeiro em território que antes era dominado pelo grupo paulista.
Matéria do Correio do Estado publicada no mês passado mostrou que, em razão dessa intensificação, o governo do Estado recebeu, este ano, R$ 10,3 milhões do governo federal, por meio do programa Brasil contra o Crime Organizado, instituído em maio.
Na época da publicação da matéria, o titular da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Antônio Carlos Videira, afirmou que esse recurso chegaria em junho e seria utilizado por 90 dias para operações contra essas facções criminosas.
A verba, ainda segundo o secretário, é destinada “para o custeio de diárias para os policiais fazerem essas operações nas fronteiras e nas divisas do Estado”.
Além da opeação de ontem, as forças de segurança de Mato Grosso do Sul também fizeram ações em Campo Grande, Corumbá e nas regiões norte e leste do Estado, além de presídios.
A primeira ocorreu em abril deste ano. Levando o nome de Operação Leviatã, a ação do Garras cumpriu 10 mandados de busca e apreensão e 5 de prisão em Coxim, na região norte do Estado.
Já no início de junho o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) fez uma ofensiva contra as facções criminosas e prendeu cinco membros de “alta periculosidade” do PCC em Campo Grande, durante a Operação Malleus, que ocorreu também em Água Clara e Corumbá.
Em 9 de junho começou a implantação do padrão de segurança máxima no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, o presídio de segurança máxima de Campo Grande.
Com revista em todas as celas e até helicóptero, a ação coordenada pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) e a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul (Agepen) fez parte do programa Brasil contra o Crime Organizado e teve por objetivo padronizar e capacitar as operações no presídio a partir de investimentos do programa.
A unidade de Campo Grande foi a primeira a receber a capacitação prática por meio do projeto.
MORTE DE POLICIAL
Além do programa federal, outro fator tem motivado a intensificação da atuação contra a guerra de facções. A morte do policial militar Marcelo Pimenta, durante o atendimento a uma ocorrência de briga entre as facções, em Corumbá, no fim do mês passado.
Desde a morte do PM, pelo menos nove pessoas já foram mortas em confrontos com policiais até ontem, entre elas, um dos envolvidos diretamente no assassinato de Marcelo, Everton da Silva Viana, de 40 anos, que foi morto no dia 30 de junho, conforme a PM, após tentar furtar a arma de um policial.
Somente na faixa de fronteira, foram seis mortes nos nove primeiros dias deste mês em confrontos entre supostos bandidos e policiais.
A última morte resultante de confronto ocorreu na noite de quarta-feira, em Campo Grande. Fernando Ferraz Fernandes, de 35 anos, morreu, segundo a PM, depois de disparar contra policiais em um terreno baldio, após a ocorrência de uma briga entre usuários de drogas no Bairro Sayonara.
*SAIBA
Segundo a Polícia Militar, Marcelo Pimenta morreu ao atender a um chamado sobre tiros disparados contra uma residência em Ladário. Ao alcançar os suspeitos, três homens em um carro, os PMs foram recebidos com tiros e um deles atingiu Marcelo.
Fonte:CorreiodoEstado