Dados divulgados nesta quinta-feira (24) mostraram uma queda histórica no turismo em Cuba, o que amplia a pressão sobre o regime comunista da ilha.
Segundo informações da agência EFE, o Escritório Nacional de Estatística e Informação (Onei, na sigla espanhol) informou que Cuba recebeu entre janeiro e agosto 450.353 turistas estrangeiros, 64,4% a menos que no mesmo período do ano anterior, e em agosto apenas 30.490 estiveram no país.
O setor de turismo de Cuba estava em crise desde a pandemia de Covid-19, mas a pressão dos Estados Unidos desde janeiro – que paralisou a chegada de voos e impôs sanções secundárias que provocaram a saída das principais redes hoteleiras internacionais da ilha – acabou por demolir o setor.
O regime cubano reconheceu em julho que as pressões dos EUA provocaram a saída do país de sete redes hoteleiras internacionais que gerenciavam 46% do total de quartos do país – mais de 80 mil, segundo dados oficiais.
Os números de turistas estrangeiros neste ano ficam longe das marcas recordes ligadas ao degelo das relações diplomáticas entre EUA e Cuba, que permitiram a chegada, em 2018, de 4,6 milhões de turistas, e em 2019 de 4,2 milhões, devido à eliminação de restrições do governo americano às viagens ao país caribenho.
Diante da crise, o regime cubano aprovou em junho várias medidas para dinamizar o setor turístico, entre elas a aprovação de novas modalidades de negócio para o setor privado, incluindo a gestão de hotéis, o aluguel de automóveis e os serviços de transporte de passageiros.
Segundo a ONU Turismo, antes da crise dos últimos anos, o setor de serviços – que inclui o turismo – representava cerca de 80% do PIB do país, seguido pela indústria e pelo setor agropecuário e pesqueiro.
Alegando que Cuba abriga bases militares e de inteligência de adversários dos Estados Unidos, Washington vem aumentando a pressão sobre a ditadura castrista.
Além das medidas relacionadas ao setor de turismo, Washington intensificou as sanções contra agentes do regime e outros segmentos econômicos estratégicos de Cuba, como estatais do setor de mineração, e indiciou em maio o ex-ditador Raúl Castro, pelas mortes de quatro ativistas cubano-americanos no abate de dois aviões civis em 1996.
No seu discurso na Assembleia Geral da ONU, na terça-feira (22), o presidente americano, Donald Trump, disse que seu governo “busca uma mudança fundamental na situação em Cuba”.
“O regime comunista está sob grande pressão — a maior pressão que já enfrentou. É um Estado absolutamente fracassado. Está fracassando como nunca antes e vai cair. [O secretário de Estado] Marco Rubio está conduzindo uma negociação. Ele está profundamente envolvido em negociações com Cuba. Vamos ver o que acontece”, afirmou Trump.
Fonte: Gazeta do Povo