terça-feira, 4 agosto, 2026 11:32
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Polícia descobre que pousada em Búzios era usada pelo CV para lavar dinheiro do tráfico

de @bonitonet
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O Comando Vermelho (CV) usava o Várzea Country Clube, em Água Santa, na Zona Norte do Rio, e uma pousada em Armação dos Búzios para lavar dinheiro do tráfico de drogas em um esquema que movimentou mais de R$ 11 milhões, segundo a Polícia Civil. Nesta terça-feira, a corporação deflagrou a Operação Quimera para cumprir 10 mandados de busca e apreensão e desarticular a estrutura financeira da organização criminosa. As investigações apontam que pessoas de confiança da facção assumiram informalmente a administração do clube, passando a controlar eventos, movimentações financeiras e decisões internas.

A operação é conduzida por agentes da 52ª DP (Nova Iguaçu), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ). Os mandados de busca e apreensão são cumpridos em endereços na capital fluminense e na Região dos Lagos. A Justiça também determinou o bloqueio de valores e ativos financeiros, a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, restrições sobre veículos e participações societárias, além da quebra dos sigilos bancário e fiscal das pessoas físicas e jurídicas investigadas.

A ação conta ainda com o apoio de equipes do Departamento-Geral de Polícia da Baixada Fluminense (DGPB) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e integra a Operação Contenção, estratégia do Governo do Estado voltada para conter o avanço territorial da facção criminosa Comando Vermelho.

Clube alvo de intimidação

De acordo com a investigação, o caso começou após dirigentes de um clube chamado Social Clube Marabú, também na Zona Norte, denunciarem que vinham sofrendo ameaças para deixar a administração da entidade e entregar o controle do espaço a pessoas ligadas ao tráfico de drogas. Segundo a Polícia Civil, as intimidações teriam sido determinadas por Jeam Carlos do Nascimento Santos, conhecido como “Jeam do 18”, apontado como liderança do tráfico local.

Além da tentativa de assumir o comando do clube, o grupo criminoso exigia o pagamento mensal de R$ 6 mil para permitir que o estabelecimento continuasse funcionando sem sofrer represálias.

No decorrer das investigações, os agentes identificaram indícios de um esquema semelhante no Várzea Country Clube, em Água Santa, que se tornou o principal alvo da Operação Quimera. Segundo a Polícia Civil, pessoas de confiança da organização criminosa teriam assumido informalmente a administração do local, passando a controlar eventos, movimentações financeiras e decisões internas, mesmo sem qualquer vínculo jurídico ou estatutário com a instituição.

Embora permanecesse sem diretoria formalmente registrada, o Várzea seguia em plena atividade, promovendo eventos e sendo administrado por pessoas sem vínculo jurídico ou estatutário com a entidade. As comunicações analisadas pela polícia indicam que esses administradores controlavam as decisões internas, a gestão cotidiana e as finanças do clube sem transparência ou prestação formal de contas.

Núcleo familiar

As apurações também identificaram um núcleo familiar apontado como responsável pela gestão financeira paralela do clube. Segundo a investigação, Amauri Paixão Ferreira, Rayane Ferreira Santos de Souza Paixão e Átila Paixão Ferreira atuavam como administradores de fato do Várzea Country Clube.

Amauri aparece como um dos principais elos financeiros do grupo, enquanto Rayane teria atuado conjuntamente na administração paralela do clube. Átila exerceria funções de gestão e movimentou cerca de R$ 2,4 milhões em apenas seis meses, apesar de não possuir atividade empresarial formal compatível com esse volume financeiro.

Outro investigado, Jonathan Paixão Baptista, primo de Amauri e Átila, realizou 44 transferências via PIX que somaram cerca de R$ 240 mil para Átila. Conforme a Polícia Civil, ele figura como autor em pelo menos 20 procedimentos policiais, muitos deles relacionados a roubos de carga, e não possui atividade empresarial ou vínculo formal de trabalho compatível com os valores movimentados.

A investigação também identificou a atuação de Michele Arnoso, que movimentou aproximadamente R$ 2,23 milhões em seis meses, embora declarasse exercer a função de recepcionista, com renda aproximada de R$ 3,2 mil. Ainda segundo os investigadores, ela recebeu cerca de R$ 253 mil de Amauri em seis transferências realizadas no mesmo período.

A análise dos Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) revelou movimentações milionárias incompatíveis com a renda oficialmente declarada pelos investigados. Os documentos apontam intensa circulação de recursos entre familiares, empresas e pessoas físicas, por meio de transferências bancárias, depósitos em espécie e operações fracionadas via PIX.

Pousada em Búzios

As investigações identificaram ainda a ligação do grupo criminoso com uma pousada em Armação dos Búzios, que, segundo a Polícia Civil, pode ter sido utilizada para lavar dinheiro oriundo do tráfico de drogas. O estabelecimento possui estrutura considerada de pequeno porte, com 16 quartos, cinco funcionários e diárias de aproximadamente R$ 540 durante a alta temporada. Apesar disso, a pousada movimentou cerca de R$ 3,44 milhões em pouco mais de seis meses e registrou 602 depósitos em espécie, que totalizaram aproximadamente R$ 955 mil.

Segundo a investigação, o empreendimento possui ligação direta com o núcleo do Várzea Country Clube. Embora outra pessoa figure formalmente como sócia da empresa, o e-mail cadastrado pela pousada contém o nome de Rayane, apontada como administradora informal do clube. Os investigadores também identificaram transferências financeiras entre Rayane, a sócia formal e a empresa, indicando a existência de um circuito financeiro entre a administração informal do Várzea e o empreendimento em Búzios.

A hipótese da Polícia Civil é que parte dos valores ligados ao grupo tenha sido direcionada à pousada para ingressar no circuito empresarial formal, dificultando a identificação de sua origem. Somadas, as movimentações financeiras identificadas pelos investigadores ultrapassam R$ 11 milhões e apresentam, segundo a corporação, características típicas de ocultação patrimonial, pulverização de recursos, mescla patrimonial e lavagem de dinheiro.

Fonte: Globo

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