Mato Grosso do Sul já registra 12 municípios em situação de epidemia de chikungunya, com mais de 300 casos suspeitos da doença por cada 100 mil habitantes. Segundo o Ministério da Saúde, o estado lidera o ranking nacional de incidência da doença.
Segundo o infectologista Julio Croda, para que uma doença seja considerada epidêmica, é necessário atingir ao menos 300 casos prováveis por 100 mil habitantes. Esse índice ainda não foi alcançado em todo o estado, mas já foi ultrapassado em diversos municípios.
Ao todo, são 3.058 casos prováveis, com incidência de 110,9 notificações a cada 100 mil habitantes. Em apenas três meses de 2026, Mato Grosso do Sul já registra o segundo maior número de casos desde 2015, quando o monitoramento da doença começou. O recorde ainda pertence a 2025, com 14.148 casos prováveis.
Apesar de o estado ainda não atingir, no geral, o patamar para ser classificado como epidemia, a incidência é a maior do país, à frente de Goiás e Rondônia, ambos com 84,4 casos por 100 mil habitantes.
De acordo com boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES), o MS soma 1.452 casos confirmados e seis mortes pela doença, cinco em Dourados e uma em Bonito.
Municípios em situação de epidemia
A situação mais crítica se concentra em cidades do interior, principalmente na região sul e norte do estado. Em alguns casos, a incidência ultrapassa 2 mil casos por 100 mil habitantes.
Entre os municípios em epidemia estão:
Município Casos Prováveis População Incidência Fátima do Sul 485 20.609 2.353,3 Jardim 270 23.981 1.125,9 Sete Quedas 117 10.994 1.064,2 Vicentina 43 6.336 678,7 Selvíria 46 8.142 565,0 Corumbá 399 96.268 414,5 Antônio João 35 9.303 376,2 Guia Lopes da Laguna 35 9.939 352,1 Bonito 74 23.659 312,8 Água Clara 52 16.741 310,6 Douradina 17 5.578 304,8
Dourados
Apesar de concentrar a maioria das mortes, Dourados ainda não era considerada área de epidemia até o último boletim estadual, divulgado em 25 de março, quando registrava 553 casos prováveis e incidência de 227,2 por 100 mil habitantes.
No entanto, um novo informe epidemiológico divulgado neste domingo (29) pela Secretaria Municipal de Saúde elevou o cenário de alerta. O município passou a registrar 2.201 casos prováveis, com incidência de 904,3 por 100 mil habitantes, índice que já configura situação epidêmica.
Agravamento
Segundo Julio Croda, a tendência é de aumento no número de casos nas próximas semanas, especialmente até o início de maio, período marcado pela sazonalidade da doença.
O especialista também alerta que o padrão pode se repetir em 2027, com alta circulação do vírus entre os meses de janeiro e abril.
Mortes por chikungunya em MS
As seis mortes confirmadas no estado envolvem diferentes faixas etárias:
- Dourados: mulher, 69 anos — 25/02/2026
- Dourados: homem, 73 anos — 09/03/2026
- Dourados: bebê, 3 meses — 10/03/2026
- Dourados: mulher, 60 anos — 12/03/2026
- Bonito: homem, 72 anos — 19/03/2026
- Dourados: bebê, 1 mês — 24/03/2026
As autoridades de saúde reforçam a importância da eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, principal transmissor da chikungunya, além da busca por atendimento médico ao surgimento de sintomas.