Pelo segundo dia consecutivo, cidades de Mato Grosso do Sul registram volumes de chuva próximos a 100 mm (milímetros) em 24 horas. Miranda, Aquidauana e Campo Grande lideram o ranking de precipitação na terça-feira (10). Após a passagem de uma bolha de calor na primeira semana de março, o Estado acumula uma série de condições favoráveis à formação de chuvas típicas de verão.
Na zona rural de Miranda, choveu 95,2 mm, mas apenas 9 mm no centro da cidade. Em Aquidauana, a chuva acumulou 81 mm nas últimas 24 horas. Já na Capital, o acumulado chegou a 46,9 mm na região do aeroporto, conforme o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia). Em seguida, estão: Santa Rita do Pardo (33,4 mm), São Gabriel do Oeste (41 mm), Cassilândia (39,6 mm) e a Serra do Amolar, em Corumbá (21,4 mm).
O Inmet prevê mais chuva para todo o Estado. O alerta vale principalmente para as regiões leste, pantaneira, centro, norte e sudoeste de Mato Grosso do Sul, onde a chuva pode alcançar 100 mm nesta quarta-feira (11).
Em cidades turísticas da Serra da Bodoquena, como Bonito, os acumulados variaram entre 0,4 e 3 milímetros, dependendo do ponto de medição.
Porque chove?
Em vídeo, meteorologista do Climatempo explica que há algumas condições que facilitam a formação de chuva em Mato Grosso do Sul. Primeiro, áreas de baixa pressão atmosférica se desenvolvem entre Paraguai, Bolívia e a fronteira com MS. Isso faz o ar subir, se resfriar e formar nuvens carregadas.
Além disso, uma grande massa de ar frio de origem polar fica sobre o oceano, na costa da região Sul, e injeta ventos marítimos, que distribuem umidade. O vento úmido é empurrado do mar para o continente, o que também ajuda na formação de chuva.
Por fim, em níveis mais elevados da atmosfera, a circulação ciclônica de ventos predominam sobre o Centro-Oeste. Os ventos giram como redemoinho sobre o Estado, o que ajuda o ar a subir e estimula ainda mais a formação de nuvens de chuva.
Ou seja, essa semana é chuvosa porque há ar subindo por causa da baixa pressão, muita umidade vindo do mar e ventos em altitude favorecendo a formação de nuvens.
Mudança brusca?
Na semana passada, o cenário era de ‘calorão’ acima da média em todo o Estado. Agora, as temperaturas ficam entre 20°C e 30°C, conforme o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima).
Apesar de parecerem opostos, o cenário climático desta semana é relacionado ao anterior. No verão, o calor intenso aquece a superfície e faz o ar subir com mais facilidade. Ao mesmo tempo, há grande disponibilidade de umidade na atmosfera, principalmente quando ventos trazem ar úmido do oceano. Quando esse ar quente e úmido encontra áreas de baixa pressão, formam-se nuvens de pancadas de chuva.