O atacante Vinícius Júnior denunciou ter sido vítima de racismo na vitória de seu clube, o Real Madrid, da Espanha, sobre o Benfica, de Portugal, por 1 a 0, pelo mata-mata da Liga dos Campeões da Europa. O episódio ocorreu logo após o brasileiro marcar um golaço no Estádio da Luz, abrindo o marcador em Lisboa, capital portuguesa.
Aos quatro minutos do segundo tempo, Vini Jr recebeu do atacante Kylian Mbappé na esquerda e bateu da entrada da área. A bola fez um arco e acertou o ângulo do goleiro Anatoliy Trubin. O camisa 7 do Real Madrid festejou dançando em frente à bandeira de escanteio, próximo a torcedores do Benfica.
Os jogadores do time português foram tirar satisfações com Vini Jr, que recebeu cartão amarelo do árbitro François Letexier. Quando a confusão parecia encerrada, o brasileiro se dirigiu ao juiz reclamando que foi chamado de “mono”, termo em espanhol para macaco. Ele tinha acabado de discutir com Gianluca Prestianni, do Benfica. As imagens da transmissão de TV mostraram que, em certo momento, o atacante argentino colocou a camisa em direção à boca.
Após a denúncia de Vini Jr, o juiz ergueu os braços em forma de “X”, acionando o protocolo antirracismo e interrompendo o jogo. A paralisação durou cerca de dez minutos e jogadores do Real Madrid cogitaram deixar o gramado, mas não houve punição e o duelo foi retomado. O brasileiro passou a ser vaiado pela torcida do Benfica em todo instante que encostava na bola.
O gol marcado nesta terça isolou Vini Jr como segundo jogador brasileiro que mais balançou as redes na Liga dos Campeões. Ele chegou a 31 gols, superando o ex-meia Kaká, que atuou por Real Madrid e Milan, da Itália. O líder da estatística é o atacante Neymar, que marcou 42 gols por Barcelona, da Espanha, e Paris Saint-Germain, da França.
Com o triunfo por 1 a 0, o Real Madrid tem a vantagem do empate no duelo de volta do confronto, que dá vaga às oitavas de final. As equipes se reencontram na quarta-feira da próxima semana (25), às 17h (horário de Brasília), no Santiago Bernabeu, em Madri, capital espanhola.
DEFESA
O jovem argentino Gianlucca Prestianni, de apenas 20 anos, usou as redes sociais para se defender da acusação de racismo contra Vinícius Júnior. O jogador ganhou apoio do clube português e alegou que o brasileiro “interpretou errado” o que ele disse.
Companheiros de Real Madrid saíram em sua defesa e Mbappé acusou Prestianni de ter ofendido o camisa 7 repetindo o ato racista por cinco vezes.
Diante da repercussão negativa, Prestianni tentou se defender sem explicações claras. “Quero esclarecer que em nenhum momento dirigi insultos racistas ao Vinicius Júnior, quem lamentavelmente interpretou mal o que crê ter escutado”, escreveu o meio-campista argentino nos Stories do Instagram e também no X, antigo Twitter. “Jamais fui racista e lamento as ameaças que recebi dos jogadores do Real Madrid.”
Ocorre que o argentino em momento algum explicou o que teria falado ao brasileiro. Tampouco detalhou o motivo de ter usado a camisa do Benfica para esconder sua boca quando falava com Vini Jr. Mbappé se revoltou rapidamente e o chamou de “p…, racista” algumas vezes logo depois do episódio.
Depois de um “juntos, ao teu lado”, no X, em resposta ao que escreveu Prestianni, o Benfica ainda fez um outro post nas redes sociais para tentar defender seu atleta, mas também sem muita clareza na justificativa.
Com um vídeo de 33 segundos e de um ângulo diferente do que mostrou muitas emissoras de TV, o Benfica questionou se os adversários teriam condições de ter escutado alguma declaração racista de seu jogador. “Como demonstram as imagens, dada a distância, os jogadores do Real Madrid não podem ter ouvido o que andam a dizer que ouviram”, tentou justificar o clube.
Acabou massacrado, com torcedores detonando a defesa injustificável e ainda mostrando em imagens e também vídeos de torcedores imitando macaco nas arquibancadas: “Qual a desculpa aqui?”, foi a legenda. O clube ainda foi questionado sobre o motivo de Prestianni ter coberto a boca para falAr com Vini Jr.
Fonte:Correiodoestado