Picape chega no começo de 2027 e promete ser um “novo Tera” na vida da marca alemã. Ela amplia a presença da VW no segmento de picapes, com versões voltadas ao trabalho, ao uso familiar e até motorização eletrificada
A Volkswagen apresentou na última sexta-feira (21), aquela que chegará para ser a principal rival da Fiat Toro: a picape Tukan. Mas será que ela pode ser um fenômeno em vendas como é o VW Tera?
O novo modelo ocupará uma posição intermediária na gama de picapes da marca, abaixo da Amarok, e deverá, com o tempo, substituir a Saveiro.
A novidade terá versões de cabine simples e cabine dupla, buscando atender tanto ao público que utiliza o veículo para o trabalho quanto àqueles que o usam para lazer.
Revelada durante a Festa do Peão de Barretos, a Tukan foi apresentada em duas configurações que antecipam a amplitude da futura gama. A cabine dupla apareceu na versão topo de linha Extreme, na cor Amarelo Canário, enquanto a inédita cabine simples foi mostrada na versão de entrada Robust, com proposta voltada ao trabalho, à praticidade e às aplicações profissionais.
Logo após a coletiva de imprensa, o CEO da Volkswagen, Ciro Possobom, concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal do Carro, na qual revelou que a Volkswagen sempre lança um produto com foco em alto volume e que a expectativa é grande em torno da Tukan. “A gente nunca chega no mercado pra brincar e esperamos sim muito volume”, disse o executivo.
Questionado sobre o quanto a picape está adaptada ao mercado brasileiro, Ciro salientou que a Tukan foi testada por mais de 2 milhões de km e tem a convicção que se trata de uma picape que se adequa muito bem aos tipos de terreno brasileiros.
No mercado brasileiro geral (somando automóveis de passeio e comerciais leves), a Volkswagen precisa emplacar cerca de 97 mil veículos adicionais por ano — ou aproximadamente 8,1 mil unidades a mais por mês — para tirar a liderança geral da Fiat. Essa margem equivale a uma diferença de cerca de 3,8 pontos percentuais de market share.
O grande divisor de águas é o segmento utilitário. A Fiat Strada (veículo mais vendido do país) combinada à Toro entrega uma fatia massiva que a Saveiro e a Amarok sozinhas não conseguem neutralizar. E o “pulo do gato” da VW é exatamente a Tukan, ela é a verdadeira aposta da marca para voltar a liderança do mercado brasileiro, que a mais de uma década pertence a Fiat.
A nova picape será produzida em São José dos Pinhais (PR) e chegará ao mercado brasileiro no primeiro semestre de 2027. Segundo a Volkswagen, a Tukan será 100% desenhada, desenvolvida e produzida no Brasil e terá 76% de peças nacionalizadas.
A Volkswagen Tukan é um dos lançamentos mais importantes da marca alemã no Brasil nos próximos anos. A nova picape tem estreia prevista para 2027 e carregará uma missão de peso: substituir gradualmente a Saveiro, modelo produzido no País desde 1982 e o veículo há mais tempo em fabricação contínua pela Volkswagen brasileira.
A diferença entre as propostas das duas carrocerias já ficou evidente nos modelos apresentados em Barretos. A cabine simples tem cabine mais curta e caçamba mais longa, priorizando funcionalidade, praticidade e aplicações profissionais. Ela também abre mão de alguns elementos decorativos presentes na cabine dupla, como a faixa preta que conecta as lanternas traseiras, solução adotada após pesquisas com consumidores que apontaram preferência por maior simplicidade de uso e manutenção.
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A Volkswagen também prepara um ecossistema de acessórios e soluções para diferentes aplicações, com a proposta de permitir que a Tukan seja adaptada às necessidades do trabalho ou ao estilo de vida de cada proprietário.
Mas a proposta da Tukan vai além de simplesmente ocupar o lugar deixado pela veterana. A Volkswagen pretende ampliar sua presença no segmento de picapes compactas, com uma gama que deve incluir versões de cabine simples voltadas ao trabalho e configurações mais equipadas, destinadas também ao uso familiar. A ideia é posicionar o modelo em uma faixa intermediária, disputando espaço desde a Fiat Strada e a Chevrolet Montana até versões de entrada da Fiat Toro.
“Diferente de muita gente a gente testa de verdade, foram mais de 2 milhões de km de testes.” Ciro Possobom, presidente da Volkswagen do Brasil
Embora a Volkswagen ainda tenha guardado boa parte dos detalhes técnicos, a Tukan já revelou alguns de seus caminhos. A picape será baseada na plataforma MQB A0 e, diferentemente da Saveiro, deverá apostar em uma construção mais robusta, com eixo rígido traseiro e molas semielípticas — solução semelhante à usada pela Strada e voltada principalmente à capacidade de carga e ao trabalho pesado.
A Volkswagen confirmou agora que a Tukan será a primeira picape da marca no mundo a utilizar a plataforma MQB. Para atender às exigências de um veículo concebido também para carga e trabalho, a arquitetura recebeu soluções específicas. A suspensão traseira com feixe de molas, por exemplo, será exclusiva da picape e estará presente desde as versões de entrada, combinando, segundo a marca, capacidade de carga e robustez com conforto, estabilidade e dirigibilidade.

O projeto também recebeu um entre-eixos alongado em relação ao modelo que está na origem da arquitetura. A solução permitiu acomodar a caçamba e, ao mesmo tempo, preservar o espaço e o conforto para os ocupantes. Entre os recursos voltados ao uso cotidiano, haverá caixa de ferramentas integrada e uma caçamba dimensionada para acomodar pallets de diferentes tamanhos.
Outro ponto que aumenta a expectativa em torno da novidade é a eletrificação. Segundo as informações obtidas anteriormente, as versões mais caras da Tukan deverão receber o novo conjunto híbrido leve de 48 volts associado ao motor 1.5 turbo, fazendo da picape o primeiro veículo eletrificado produzido pela Volkswagen no Brasil. Assim, a Tukan não será apenas a sucessora da Saveiro, mas também um dos pilares da próxima fase da marca no mercado brasileiro.
Apesar de ter revelado o visual e parte da concepção técnica da picape, a Volkswagen ainda não divulgou oficialmente detalhes sobre a gama de motores. Informações como potência, torque, dimensões e capacidade de carga também continuam guardadas para mais perto do lançamento.
Para desenvolver a nova picape, a Volkswagen afirma ter ouvido diretamente quem utiliza esse tipo de veículo no dia a dia. A Tukan já percorreu mais de 2 milhões de quilômetros em testes, incluindo uma iniciativa inédita para a marca no Brasil, com clientes participando de avaliações em condições reais de uso.
Esse processo resultou em mudanças concretas no projeto. Após testes em ambientes com alta exposição à poeira, por exemplo, a picape recebeu aprimoramentos no sistema de admissão de ar para aumentar a proteção do motor. O sistema de ar-condicionado também foi reforçado para oferecer maior capacidade de refrigeração em temperaturas elevadas.
A Volkswagen pensava havia anos em um projeto como a Tukan. No Salão do Automóvel de 2018, antes da pandemia, a marca já havia apresentado um protótipo do que viria a ser a nova picape. Os anos se passaram e a Toro começou a reinar praticamente sozinha nesse segmento, com participações mais tímidas da Renault Oroch e da Chevrolet Montana.
A chegada da Tukan também faz parte de uma estratégia mais ampla da Volkswagen para a América do Sul. A marca prevê 21 lançamentos na região até 2028, sustentados por investimentos de R$ 20 bilhões. Desse total, R$ 16 bilhões serão destinados ao Brasil, onde estão previstos 17 novos veículos no período.
Foi acompanhando o crescimento desse mercado que a Volkswagen resolveu encarar o desafio de peitar a Toro. De acordo com a marca, surgiram novas necessidades entre os consumidores de picapes, que passaram a exigir soluções para diferentes situações de uso. Ainda segundo a Volkswagen, o mercado de picapes dobrou de tamanho entre 2015 e 2025.
Fonte: JornaldoCarro