terça-feira, 13 outubro, 2026 19:02
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Super-El Niño pode levar à alta de ataques de animais peçonhentos

de Redação Bonitonet
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O super-El Niño previsto para atingir Mato Grosso do Sul com altas temperaturas até fevereiro de 2027 pode também influenciar diretamente no aumento de ataques de animais peçonhentos durante o tempo de atuação do fenômeno, especialmente tratando-se dos escorpiões, responsáveis por cerca de 85% das ocorrências em Campo Grande este ano.

Dados enviados pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) revelam que, entre janeiro e setembro, foram registrados 1.192 acidentes com animais peçonhentos na Capital sul-mato-grossense – 1.008 envolvendo escorpiões. Também completam as ocorrências acidentes com serpentes (46 ocorrências), aranhas (45 casos), abelhas (27 ocorrências) e lagarta (19 casos).

Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve uma redução do número de casos de quase 40%, visto que foram registrados 1.974 acidentes nos primeiros nove meses de 2025. Mesmo assim, a superintendente de vigilância em saúde e ambiente do Município, Veruska Lahdo, teme que os próximos meses sejam mais tensos em razão da atuação do super-El Niño.

“A gente vem se organizando para a questão do El Niño. Esses últimos dias têm sido de muito calor e a gente tem, dentro das consequências do El Niño, este aumento de calor, aumento da ocorrência de vetores e aumento de picadas por animais peçonhentos. O El Niño chega a partir de novembro, mas eu acredito que a gente já vem sentindo os efeitos dele”, explica.

“Então, a gente vem trabalhando junto com as nossas unidades de saúde para que, provavelmente daqui alguns dias, a orientação para as unidades, principalmente a rede de urgência, será de como informar esses relatos para nós, para que a gente possa mensurar se eles têm ou não relação com as mudanças climáticas”, complementa a especialista.

Sobre a queda de relatos de ataques de um ano para o outro, Veruska afirma que é efeito do plano de dedetização de escolas públicas, especialmente as Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis), que acumulam mais crianças de até 5 anos, grupo considerado de risco em caso de picada de animais peçonhentos.

“A gente intensifica muito o nosso trabalho nas escolas, principalmente as Emeis, que são as escolas onde concentram a maioria das crianças menores. Porque o risco da picada é grave para crianças menores e para idosos. Então a gente procura dar atenção pra esses locais. Então esse trabalho todo de educação junto com as crianças, com as escolas, com toda a população, vem contribuindo para a redução”, reforça.

A orientação final da Sesau é que a população deve manter quintais e áreas externas limpas, evitar o acúmulo de entulhos e materiais que possam servir de abrigo e procurar imediatamente uma unidade de saúde em caso de acidente.

REGIÕES
Ainda de acordo com a Pasta, as regiões urbanas do Anhanduizinho e Lagoa concentram a maior parte das ocorrências e, somadas, respondem por mais de 60% dos casos. Veruska Lahdo, disse que a diferença dessas regiões para outras da cidade é a densidade populacional, o que também acaba interferindo nos números finais.

“São as regiões mais populosas que a gente tem, e o Anhanduizinho é a maior de todas, então acaba que realmente concentra a maioria dos casos, mas não porque tem alguma situação maior de risco, mas sim porque tem o maior número de população. Há mais vazios urbanos também que acabam ajudando. Eles concentram a maioria dos terrenos vazios que acaba que as pessoas jogam lixo naquela localidade”, explica.

ESTADO
No cenário estadual, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que, de janeiro a setembro deste ano, foram registrados 4.779 acidentes envolvendo animais peçonhentos.

Desses, 3.572 acidentes foram com escorpiões, 375 acidentes foram com abelhas, 303 acidentes foram com serpentes, 219 acidentes, com aranhas, 160 foram classificados como outros, 81 acidentes foram com lagartas e 69 foram com animal não identificado. No mesmo período de 2025, foram 6.954 ocorrências.

Quanto ao aumento de ocorrências por conta das altas temperaturas e frequência de chuvas, a Pasta disse que um “eventual aumento nas ocorrências pode aparecer nos registros do mês seguinte”.

SERVIÇO

Entre as principais recomendações de cuidados para evitar contato com animais peçonhentos estão: não colocar as mãos em tocas ou buracos na terra, ocos de árvores, cupinzeiros, entre espaços situados em montes de lenha ou pedras; inspecionar roupas, calçados, toalhas de banho e de rosto, roupas de cama, panos de chão e tapetes, antes de usar; afastar camas e berços das paredes; evitar pendurar roupas fora dos armários; não deixar que lençóis ou cobertores sobre as camas e berços, encostem-se no chão; nivelar as frestas das calçadas, pisos, paredes e portas; colocar uma barreira de proteção na parte inferior das portas; manter os domicílios e depósitos livres de insetos e roedores; e deixar as lixeiras sempre tampadas e com sacos plásticos.

Caso ocorra a picada, as secretarias de Saúde informam que “todo acidente por animal peçonhento deve ter atendimento realizado em uma unidade de saúde”, especialmente procurar assistência médica emergencial para avaliação clínica do envenenamento.

O Centro Integrado de Vigilância Toxicológica (Civitox) pode ser contatado pelos telefones 0800 722 6001, (67) 3386-8655 ou 150.

EL NIÑO
Conforme previsões de especialistas, o El Niño deve atingir patamares muito intensos e prejudicar diversos setores do País este ano, especialmente no último trimestre. 

Segundo o levantamento do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o período crítico do El Niño na Região Centro-Oeste acontece este mês, com atraso nas chuvas e fortes ondas de calor.

Diante disso, três cenários pessimistas podem ser favorecidos em Mato Grosso do Sul : possível escassez hídrica; elevação da demanda por irrigação e comprometimento de pastagem; e propagação de incêndios florestais.

Fpnte:Correiodoestado

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