terça-feira, 4 agosto, 2026 12:56
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Sistema anti-spam da Vivo gera disputa entre operadoras e chega à Anatel

de Redação Bonitonet
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Criado para reduzir o volume de ligações indesejadas e proteger consumidores contra golpes telefônicos, um sistema de bloqueio automático da Vivo passou a ser alvo de questionamentos de operadoras e empresas de telecomunicações. A controvérsia chegou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que analisa se a ferramenta pode estar impedindo também chamadas legítimas.

O serviço, chamado Vivo Anti-spam, é ativado automaticamente em novas linhas de telefonia móvel da operadora. Segundo a empresa, a tecnologia identifica e bloqueia ligações em massa e chamadas consideradas fraudulentas antes que elas cheguem aos clientes.

Entretanto, pelo menos sete empresas do setor contestaram o funcionamento da ferramenta e protocolaram reclamações na Anatel. Elas alegam que milhares de chamadas legítimas foram interrompidas ou bloqueadas, afetando desde empresas privadas até hospitais, prefeituras e outros serviços públicos.

Entre as operadoras que manifestaram preocupação está a TIM. Em representação enviada à agência reguladora, a empresa afirmou que clientes sofreram restrições indevidas nas comunicações. Apesar disso, a operadora optou por não participar de uma reunião de conciliação promovida pela Anatel e informou que não comentará o caso.

Para especialistas, o principal desafio está nos critérios utilizados para diferenciar chamadas indesejadas de ligações legítimas.

Segundo Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, sistemas desse tipo funcionam de maneira semelhante aos filtros de spam de e-mails, que podem cometer erros ao classificar mensagens.

Na avaliação do especialista, não existe um mecanismo capaz de bloquear exclusivamente chamadas fraudulentas, sem o risco de impedir contatos legítimos. Por isso, caberá à Anatel definir parâmetros que reduzam esse tipo de falha.

Uma das empresas que apresentou reclamação foi a Adyl Telecom. A companhia informou que mais de 16 mil ligações deixaram de ser completadas desde o início de junho em razão do sistema anti-spam. Segundo a empresa, hospitais e órgãos públicos estariam entre os afetados.

Outro caso envolve a Prefeitura de Araçatuba (SP). A prestadora de serviços 3corp Technology afirmou que mais de 800 números telefônicos utilizados pelo município tiveram chamadas bloqueadas pelo sistema da Vivo.

De acordo com a empresa, os telefones são usados em serviços públicos de áreas como saúde, segurança e educação, o que teria comprometido a comunicação com a população.

Inicialmente, a 3corp afirmou que não encontrou uma solução junto à operadora. Posteriormente, informou que, após negociações realizadas em julho, os números foram liberados e voltaram a funcionar normalmente.

A Adyl também relatou dificuldades para compreender os critérios utilizados pelo sistema de bloqueio, mas informou que conseguiu restabelecer a maior parte dos números após contato com a área de atendimento da Vivo.

Outras empresas, como Net2Phone Brasil, Agera Telecomunicações, Ateky Internet e Ágil Telecom, também questionaram a ferramenta. A Agera classificou o mecanismo como uma forma de “degradação artificial de tráfego” e afirmou que vem recebendo reclamações frequentes de clientes desde junho.

Segundo algumas empresas, o sistema teria bloqueado até chamadas originadas de números autenticados pelo Origem Verificada, plataforma criada justamente para reduzir fraudes telefônicas.

Essa tecnologia utiliza o protocolo internacional STIR/SHAKEN, que permite verificar, no momento da ligação, se o número utilizado realmente pertence à empresa responsável pela chamada e se está cadastrado junto às operadoras.

Diante das reclamações, a Anatel informou que abriu espaço para a apresentação da defesa da Vivo e analisa toda a documentação encaminhada pelas empresas envolvidas. Segundo a agência, o objetivo é estabelecer um entendimento que possa ser aplicado de forma uniforme em casos semelhantes, buscando conciliar os interesses do setor e garantir a proteção dos consumidores.

Em nota, a Vivo informou que disponibiliza o serviço desde novembro de 2024 e ressaltou que a ferramenta passou por uma fase de testes com cerca de 700 mil usuários antes de ser expandida para toda a base de clientes.

A operadora afirma que o sistema atua em duas etapas: primeiro verifica se a chamada é autenticada e, em seguida, analisa o comportamento do número de origem. Segundo a empresa, apenas ligações em massa realizadas sem identificação adequada ou com uso de números adulterados são bloqueadas.

A Vivo também destacou que mantém ações para combater práticas como o “spoofing”, técnica utilizada por criminosos para mascarar o número real de origem das chamadas e aplicar golpes telefônicos.

A empresa informou ainda que proprietários de números eventualmente bloqueados podem solicitar uma reavaliação por meio de seus canais oficiais. Clientes que preferirem receber todas as ligações também têm a opção de desativar o serviço pelo aplicativo da operadora.

Fonte:EFMS

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