Poucas cidades brasileiras conseguem reunir tantas cachoeiras cristalinas e formações rochosas espetaculares em um mesmo território. Localizada no sudoeste do Mato Grosso do Sul, a 70 km de Bonito, Bodoquena integra o Parque Nacional da Serra da Bodoquena, criado em 2000 e administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Com 76.400 hectares de área preservada, o parque é a única unidade de conservação federal do Mato Grosso do Sul e a maior área contínua de Mata Atlântica do estado. O nome do município vem do tupi-guarani e significa “nascente em cima da serra”, referência à Serra da Bodoquena, formação geológica que abriga rios de águas cristalinas com turbidez praticamente nula, cânions com paredões de mais de 100 metros de altura no Rio Salobra e uma das cachoeiras mais altas do Brasil.
Como o Parque Nacional preserva a maior Mata Atlântica de MS?
Segundo publicação da Sectur Bonito, o Parque Nacional da Serra da Bodoquena foi criado em 2000 pelo Governo Federal com 76.400 hectares de área protegida, sob administração do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A unidade é classificada como área de proteção II pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o que a coloca na categoria mais alta de rigor para uso público e preservação. A área abrange cinco municípios: Porto Murtinho, Bonito, Jardim, Miranda e a própria Bodoquena, e integra a Reserva da Biosfera do Pantanal reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
O parque é dividido em duas áreas geográficas distintas, uma ao norte e outra ao sul, e protege ecossistemas de Mata Atlântica, Cerrado e áreas de contato entre os dois biomas. Entre as espécies ameaçadas protegidas estão o cascudo-cego (Ancistrus formoso), peixe endêmico das cavernas da região, a onça-pintada (Panthera onca) e o puma (Puma concolor). A gestão do parque também garante pesquisas científicas, educação ambiental e ecoturismo de baixo impacto, com trilhas monitoradas e limites de visitação para garantir a preservação dos ecossistemas.

Por que as águas da Serra da Bodoquena são tão cristalinas?
A resposta está na geologia da região. Segundo a Sectur Bonito, o Planalto da Bodoquena abriga inúmeros depósitos de tufas calcárias ao longo da drenagem atual, formando cachoeiras e barragens naturais. Os rios da região nascem em áreas de exposição de calcários muito puros que reagem com a água e liberam carbonato de cálcio. Esse composto tem uma propriedade química fundamental para o turismo local: ele retém as partículas de sedimento em suspensão e as leva ao fundo dos cursos d’água, o que faz a turbidez das águas ficar praticamente nula.
O resultado é uma visibilidade subaquática que chega a dezenas de metros em condições ideais, característica que torna a região um dos principais destinos de ecoturismo do Brasil e um dos poucos lugares no mundo onde a flutuação em rios permite observar peixes de várias espécies em seus habitats naturais como se estivéssemos dentro de um aquário. Os principais cursos d’água da região são o Rio Salobra, no fragmento norte, o Rio Perdido, no fragmento sul, e o Rio Betione, que atravessa a região central do parque e desemboca no Rio Miranda, um dos afluentes do Pantanal.
Fonte:Correiobraziliense