terça-feira, 20 janeiro, 2026 00:20
Home EconomiaReajuste do salário mínimo para R$ 1.621 beneficia milhões, mas eleva gasto público

Reajuste do salário mínimo para R$ 1.621 beneficia milhões, mas eleva gasto público

de Redação Bonitonet
0 comentários

A partir de 1º de janeiro de 2026, o salário mínimo no Brasil passará a ser de R$ 1.621, valor que representa um reajuste nominal de 6,79% em relação ao piso atual. O aumento foi definido com base na Lei nº 14.663/2023, que instituiu a política permanente de valorização do salário mínimo, respeitando os limites fiscais do novo arcabouço, previsto na Lei Complementar nº 200/2023.

O reajuste considera dois fatores principais: a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado em 12 meses até novembro do ano anterior e o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) apurado pelo IBGE, referente a dois anos antes. Para o cálculo de 2026, a variação do INPC foi de 4,18%, enquanto o crescimento real do PIB em 2024 chegou a 3,4%. No entanto, o novo regime fiscal limita o ganho real das despesas primárias da União a 2,5% ao ano.

Com isso, o reajuste final resulta da reposição integral da inflação e da aplicação do teto de aumento real, alcançando os 6,79%. Na prática, o salário mínimo terá acréscimo nominal de R$ 103, passando de R$ 1.518 para R$ 1.621.

Impacto na economia

Segundo estimativas oficiais, cerca de 61,9 milhões de brasileiros têm rendimentos referenciados no salário mínimo. Com o novo valor, o incremento de renda na economia em 2026 deve alcançar R$ 81,7 bilhões.

Caso ainda estivesse em vigor a regra anterior, que permitia o repasse integral do crescimento do PIB, o salário mínimo chegaria a R$ 1.636, ou seja, R$ 15 a mais. Nesse cenário, o impacto positivo na renda seria de aproximadamente R$ 93,7 bilhões, cerca de R$ 12 bilhões acima do valor previsto com as regras atuais.

Previdência Social

O aumento do salário mínimo também tem efeito direto sobre as contas da Previdência. Dados do Boletim Estatístico da Previdência de setembro de 2025 indicam que 70,8% dos beneficiários recebem até um salário mínimo, o que representa 46% da massa total de benefícios.

Cada aumento de R$ 1 no salário mínimo gera impacto estimado de R$ 380,5 milhões por ano na folha previdenciária. Assim, o reajuste de R$ 103 previsto para 2026 deve representar um custo adicional de cerca de R$ 39,1 bilhões anuais.

Setor público

No serviço público, a proporção de servidores que recebem até um salário mínimo é pequena nas esferas federal (0,76%) e estadual (3,9%). Já nos municípios, o percentual é maior, chegando a 10,72%, com destaque para cidades das regiões Nordeste e Norte, onde o impacto do reajuste sobre a massa salarial tende a ser mais significativo.

Trajetória de valorização

Desde 2002, o salário mínimo acumulou forte valorização. Naquele ano, o piso era de R$ 200. Em janeiro de 2026, alcança R$ 1.621, o que representa aumento nominal acumulado de 710,5%. No mesmo período, a inflação medida pelo INPC foi de cerca de 306,7%, resultando em ganho real próximo de 100% no poder de compra.

A política de valorização ganhou caráter institucional a partir de 2008 e teve sua fase de maior crescimento real entre 2004 e 2014, quando os reajustes superaram de forma consistente a inflação. Entre 2019 e 2022, porém, os aumentos ficaram limitados à reposição inflacionária, sem ganhos reais, o que afetou o poder de compra, especialmente diante da alta dos preços dos alimentos.

A retomada dos ganhos reais ocorreu a partir de 2023, inaugurando um novo ciclo, embora agora sob regras fiscais mais restritivas, que tendem a moderar o ritmo de valorização nos próximos anos.

Poder de compra e cesta básica

A relação entre o salário mínimo e o custo da cesta básica indica melhora no poder de compra. Em 2025, o piso nacional permitia a aquisição média de 1,75 cesta básica em São Paulo. Em janeiro de 2026, essa relação sobe para 1,93 cesta básica, o melhor resultado desde 2019, segundo os dados analisados.

Mesmo com limites fiscais, especialistas destacam que parte do aumento do salário mínimo retorna ao Estado por meio do consumo e da arrecadação de impostos. Além disso, a política de valorização é apontada como um dos principais instrumentos de combate à pobreza e à desigualdade no país, ao ampliar a renda da base da pirâmide social e estimular a economia interna.

Fonte;AGB

Você também pode gostar

-
00:00
00:00
Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00