quinta-feira, 8 outubro, 2026 19:09
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Populações de animais silvestres caem 95% na América Latina e no Caribe, aponta WWF

de Redação Bonitonet
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A América Latina e o Caribe tiveram a maior redução média no tamanho das populações de animais silvestres entre as regiões avaliadas pelo relatório Planeta Vivo, divulgado nesta quinta-feira (8). O recuo chegou a 95% entre 1970 e 2022, enquanto o indicador mundial registrou queda de 73% no mesmo período.

Produzido pela Sociedade Zoológica de Londres (ZSL) para o WWF Internacional, o estudo acompanha mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios. A análise reúne informações de 35.803 populações de 5.790 espécies de vertebrados, monitoradas ao longo de 52 anos.

Os percentuais representam a mudança média no tamanho das populações acompanhadas, e não a proporção de espécies extintas ou uma contagem de todos os animais perdidos. No levantamento global, a redução equivale a uma média de 2,5% ao ano.

Para a diretora-geral do WWF Internacional, Kirsten Schuijt, os sistemas que sustentaram o crescimento econômico também aceleram a degradação da natureza. Ela defende mudanças na produção de alimentos e energia, além da forma de financiamento das economias, para interromper e reverter as perdas.

Rios e lagos concentram as maiores quedas

As populações de animais de água doce apresentaram o maior declínio entre os três ambientes analisados. O indicador que acompanha espécies de rios e lagos caiu 85% no período, uma redução média de 3,6% ao ano.

Segundo os pesquisadores, essas espécies enfrentam ameaças em diferentes pontos das bacias hidrográficas. Barragens e desvios de cursos d’água, por exemplo, alteram os ambientes e podem bloquear rotas essenciais para a migração dos peixes.

Nos ambientes terrestres, que incluem florestas, desertos e campos, a queda média foi de 69%, equivalente a 2,3% ao ano. Já nos oceanos, o recuo chegou a 59%, com média anual de 1,7%. Esses três indicadores compõem o Índice Planeta Vivo (IPV).

Diferenças regionais exigem atenção ao período analisado

Depois da América Latina e do Caribe, a África apresentou a maior redução, de 80%. Na Ásia e na região do Pacífico, o declínio foi de 49%, seguido pela América do Norte, com 28%, e pela Europa e Ásia Central, com 23%.

O diretor de conservação da ZSL, Andrew Terry, explica que os resultados refletem tanto a capacidade de monitoramento de cada região quanto o período escolhido. Na América do Norte, por exemplo, ocorreram perdas intensas antes de 1970, seguidas por uma desaceleração nos anos seguintes.

A ampliação da base de informações também impede a comparação direta com edições anteriores do relatório. Em relação à publicação de 2024, o levantamento atual acrescentou dados de 967 populações de 295 novas espécies e atualizou informações de outras 669 populações.

Além do IPV, os pesquisadores analisaram indicadores sobre risco de extinção, extinções e integridade da biodiversidade. Em conjunto, esses dados apontam perdas em escala global.

Perda de biodiversidade afeta atividades econômicas

O relatório relaciona a redução das populações de animais a ameaças à estabilidade econômica, à segurança geopolítica e ao bem-estar humano. A análise também associa a degradação da natureza ao aumento da desigualdade.

Em 2023, cerca de US$ 58 trilhões do Produto Interno Bruto (PIB) mundial vieram de atividades que dependem, de alguma forma, da natureza. Segundo o documento, essas atividades sofrem impactos diretos da perda de biodiversidade.

Apesar do cenário, metade das populações acompanhadas pelo Índice Planeta Vivo apresentou estabilidade ou crescimento, com resultados associados também aos esforços de conservação.

Recuperação de onças no Brasil mostra possibilidade de mudança

Entre os exemplos brasileiros, o relatório cita o crescimento de 280% da população de onças-pintadas na Mata Atlântica entre 2019 e 2025. O resultado ocorreu após uma ação coordenada entre governo, organizações do terceiro setor e produtores locais.

Outro caso é o da tartaruga-verde, que, em 2025, passou da classificação de ameaçada para pouco preocupante. A recuperação veio após cinco décadas de trabalho em mais de 80 países onde a espécie desova.

Para Helga Correa, especialista em conservação do WWF-Brasil, esses resultados mostram que o declínio não é inevitável. Ela afirma que o país pode reverter as perdas, desde que mantenha ações contínuas de proteção e restauração dos ecossistemas e enfrente as causas da redução da biodiversidade.

As propostas de ação e financiamento voltarão ao debate em 19 de outubro, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade (COP17), em Yerevan, na Armênia.

Como contribuição, o relatório apresenta o conceito de “ponto de inflexão positivo”, desenvolvido em uma pesquisa da Universidade de Exeter, na Inglaterra. A ideia descreve o momento em que uma melhora passa a estimular novas mudanças, tornando o processo mais rápido, mais barato e mais difícil de reverter.

Fonte:ACritica

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