Polícia aguarda perícia e não descarta feminicídio em morte de arquiteta em Campo Grande

Uma morte cercada de dúvidas, versões divergentes e investigações em andamento: o caso da arquiteta Ely da Silva Quevedo, de 53 anos, mobiliza a polícia em Campo Grande e segue sem conclusão sobre o que, de fato, aconteceu na manhã desta segunda-feira (13).

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul aguarda a conclusão dos exames periciais para esclarecer as circunstâncias da morte. Ely morreu após cair de uma caminhonete e ser atropelada pelo próprio veículo, conduzido pelo ex-marido, no macroanel da BR-163.

Segundo a investigação, o homem foi levado à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, onde prestou depoimento. Após ser ouvido, ele foi liberado, e o caso segue sob apuração.

De acordo com a delegada adjunta, Analu Lacerda Ferraz, a elucidação depende de uma série de análises. “Aguardaremos a conclusão dos exames periciais, necroscópicos e da análise de imagens e demais elementos colhidos no local para que todas as versões sejam confrontadas e a verdade real seja estabelecida”, afirmou.

Versões e investigação

Informações preliminares apontam que o ex-casal estava em processo de separação e teria discutido dentro do veículo enquanto trafegava pela rodovia. Durante o desentendimento, Ely teria caído da caminhonete, e a roda traseira passou sobre ela.

A principal versão apresentada pelo motorista é a de que a arquiteta teria se jogado do veículo em movimento. Essa hipótese, no entanto, ainda será confrontada com provas técnicas.

A Polícia Rodoviária Federal foi acionada para atender a ocorrência, assim como equipes do Corpo de Bombeiros e da concessionária responsável pela rodovia. Socorristas tentaram reanimar a vítima por cerca de uma hora, mas ela não resistiu.

Hipóteses não descartadas

O caso foi registrado inicialmente como queda de veículo com vítima fatal, segundo a delegada Larissa Serpa, que também acompanha a investigação. No entanto, diferentes possibilidades seguem em análise.

“Ainda não temos confirmação se se trata de um caso criminoso, acidente ou suicídio”, explicou.

Entre as linhas investigativas, a polícia não descarta a hipótese de feminicídio. Imagens de câmeras de segurança da região estão sendo coletadas para ajudar a esclarecer a dinâmica dos fatos.

A investigação também busca verificar se havia histórico de violência doméstica entre o casal, informação que ainda não foi confirmada.

Quem era a vítima

Ativa nas redes sociais, Ely compartilhava sua rotina, com mensagens motivacionais e registros de atividades físicas, como corridas de rua. Em publicações recentes, falava sobre recomeços, autoestima e valorização pessoal.

Em uma das mensagens, escreveu sobre priorizar a si mesma e respeitar o próprio tempo. Em outra, destacou a persistência como caminho para a superação.

O caso segue em investigação e, até o momento, nenhuma das hipóteses foi descartada pelas autoridades.

Fonte:EFMS

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