Mato Grosso do Sul vai usar o Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro como área piloto para testar um modelo de crédito de biodiversidade, mecanismo que tenta transformar conservação ambiental em fonte de financiamento para áreas protegidas. A nova etapa do projeto será apresentada nesta terça-feira (27), em Campo Grande, durante evento com participação de órgãos públicos, organizações da sociedade civil e parceiros técnicos.
Na prática, a proposta é criar uma base técnica e jurídica para que a conservação do parque possa gerar ativos ambientais negociáveis, com recursos voltados à proteção da área no longo prazo. O projeto é financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), dentro do programa GEF Terrestre, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, com o BID como agência implementadora e o Funbio como executor. A realização local envolve Wetlands International Brasil, Mupan, Imasul e Semadesc.
O parque entrou nesse processo depois de estudos feitos entre 2024 e 2025 apontarem potencial para geração de créditos ambientais, especialmente os ligados à biodiversidade. Em julho de 2025, a análise de viabilidade foi entregue ao governo do estado e ao Imasul, consolidando o parque como área piloto para testar esse tipo de mecanismo.
Um dos pontos centrais do projeto é o uso da onça-pintada como espécie indicadora da saúde do ecossistema. A lógica é que, se uma espécie no topo da cadeia alimentar está presente e em condição estável, isso ajuda a demonstrar que o ambiente ao redor mantém atributos ecológicos relevantes. Para medir isso, o projeto prevê monitoramento com armadilhas fotográficas e análise genética ambiental (eDNA), além da definição de indicadores e de uma linha de base para acompanhar os resultados da conservação.
O que está sendo desenhado agora é justamente a passagem do estudo para a aplicação prática. Essa fase inclui diagnóstico ecológico, plano de monitoramento, modelagem de impacto e a estrutura jurídico-financeira necessária para viabilizar a futura comercialização dos créditos.
Para o governo do estado e as instituições parceiras, o teste no parque do Rio Negro pode abrir caminho para um novo modelo de financiamento ambiental. A secretária-executiva de Meio Ambiente da Semadesc, Ana Cristina Trevelin, afirmou que a articulação entre governo, sociedade civil e parceiros técnicos fortalece a capacidade de desenvolver soluções com potencial de replicação em outras áreas protegidas. Já o Funbio avalia que o projeto ajuda a estruturar instrumentos financeiros capazes de dar escala às ações de conservação.
O parque do Rio Negro já vinha sendo tratado como um possível modelo nacional para créditos ambientais. Em 2025, o governo estadual informou que a unidade apresentava condições favoráveis para mecanismos ligados a soluções baseadas na natureza, incluindo créditos de biodiversidade e de carbono.
A área é a única unidade de conservação de Mato Grosso do Sul localizada integralmente dentro do Pantanal e vem sendo alvo de ações de fortalecimento de infraestrutura, atualização normativa e regularização fundiária. Em 2020, o governo publicou a atualização do georreferenciamento do parque, com área de cerca de 76,8 mil hectares.

Fonte:Acritica