segunda-feira, 9 fevereiro, 2026 19:23
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MS está entre os estados que mais devem sair ganhando com acordo UE-Mercosul

de Redação Bonitonet
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Embora a participação da UE (União Europeia) nas exportações totais de Mato Grosso do Sul seja menor do que a média brasileira, o Estado está entre os que mais podem se beneficiar do acordo comercial entre o Mercosul e a UE, assinado neste ano após mais de duas décadas de negociação. É o que aponta um relatório do Futura Inteligência, instituto de pesquisa da Apex Partners, e divulgado pelo jornal Valor Econômico.

Mato Grosso do Sul integra o grupo apelidado de “onças brasileiras”, ao lado de Mato Grosso, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Goiás e, em menor medida, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. A classificação faz referência aos “tigres asiáticos” e reúne Estados brasileiros que apresentam crescimento econômico acima da média nacional, IDH mais elevado, eficiência governamental e maior estabilidade institucional.

Segundo o estudo, as chamadas onças destinaram 12,9% de suas exportações à União Europeia em 2025, percentual inferior aos 14,3% registrados pelo Brasil como um todo. Ainda assim, a expectativa é de que o impacto econômico do acordo seja mais expressivo nesses Estados, justamente pela forte presença de commodities e produtos da agroindústria.

De acordo com a Apex, 67,4% das exportações das onças para a UE são da agroindústria, ante 23,8% nos demais Estados brasileiros. Os principais produtos exportados pelo grupo ao mercado europeu — como café não torrado, farelos de soja e tabaco — enfrentam atualmente tarifas que devem ser reduzidas ou eliminadas com a entrada em vigor do acordo.

Estudo do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) reforça o cenário mais favorável para o Centro-Oeste, região da qual Mato Grosso do Sul faz parte. Segundo o levantamento, os maiores ganhos virão da produção de carne e soja. O Sul do país também tende a se beneficiar, sobretudo com carnes, fumo e alimentos processados.

Segundo Flávio Ataliba, pesquisador do FGV Ibre, o Centro-Oeste já atende a muitos dos critérios exigidos pela União Europeia, principalmente nas áreas sanitária e fitossanitária. O desafio maior nessa região será alinhar a produção às exigências ambientais e de rastreabilidade.

Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) estima que o acordo pode elevar o PIB brasileiro em 0,46% até 2040, percentual superior ao projetado para a União Europeia (0,1%) e para os demais países do Mercosul sem o Brasil (0,2%).

Apesar do potencial, o acordo ainda enfrenta resistência no Parlamento Europeu, sobretudo de países como França e Polônia. No Brasil, o texto do acordo já foi encaminhado ao Congresso pelo presidente Lula, e a intenção do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), é votar a proposta logo após o Carnaval.

Fonte:Campo Grande News

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