quarta-feira, 15 julho, 2026 17:24
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Mineradora dos irmãos Batista contamina Pantanal, adoece moradores e os expulsa

de Redação Bonitonet
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Porto Esperança estava quase perdendo a sua, mas resolveu lutar. Botando “a boca no trombone”. Moradores intoxicados pelo pó do minério de ferro da bilionária mineradora LHG Mining (pertencente ao negativamente famoso grupo J&F da família Batista) decidiram divulgar e espalhar ao país e ao mundo o seu inferno atual como forma de luta. Para isso contando consigo própria e seus amigos.

Habitantes falam com o AND  

Um desses amigos, o cantor e compositor Moacir Lacerda do grupo ACABA, que informou a nós do AND o grave problema através de uma música enviada a mim, Rosana, por WhatsApp, conversou conosco após a publicação da nossa reportagem (primeira parte em 9 de julho) celebrando animado o apoio do jornal e avaliando a luta: “Está indo muito bem! Nossa campanha está dando certo.”

Mineradora esconde a cara

Também um dos líderes da comunidade ribeirinha de Porto Esperança e ex-presidente da Associação de Moradores, José Domingos Benites, representando várias famílias resistentes, disse estar “firme contra essa LHG que todo mundo sabe é dos Batista embora eles não mostrem a cara.”

Balinha adoçando a boca de criança

Zé Domingos, como também é conhecido no centenário Porto Esperança onde vive há quase 50 anos, criticou notícia do site da mineradora de 12 de junho, se elogiando por bancar “melhorias” no lugar (reforma de pequena ponte, trechos de tubulação de água, academia ao ar livre, parquinho infantil, espaço convivência). “Isso é até bom não se pode negar, mas no fundo é para tapear, é como balinha para adoçar a boca, como se fosse criança. Nossas prioridades mesmo são outras.”

O medo e o cerco

Parte das 60 a 80 famílias que sobraram em P. Esperança com a expulsão disfarçada/ êxodo dos últimos tempos “tem medo de abrir o jogo, de se manifestar, se expor” diz Zé Domingos. Mas como liderança ele reafirma a necessidade de mostrar a verdade: “Eu falo, abro o jogo, eu chamo autoridades para vir ver com os próprios olhos o cerco que (a LHG e seus aliados  poderosos) estão ocasionando à comunidade. Estamos sufocados. Nós pobres é que estamos sofrendo a consequência”.

Plano de poluir até 2036

A LHG Mining tem um plano bilionário denominado Projeto de Expansão Corumbá para suas operações em P. Esperança com prazo de lavra desde 2025-2026 até 2036.

O projeto prevê investimentos de cerca de R$ 4 bilhões para multiplicar a produção de minério de ferro (e manganês) da sua mina  Santa Cruz, podendo alcançar até 25 milhões de toneladas anuais. A meta é um salto de 1150% na produção de 2 milhões de toneladas que a empresa obteve quando começou a operar ali em 2022.

Isto envolveria adentrar áreas vizinhas às hoje ocupadas pelas famílias que estão resistindo ao atentado poluidor.    

Porto particular ameaçando o Pantanal

A LHG vai aumentar seu porto particular no Rio Paraguai. Dentro do seu Projeto Corumbá há uma expansão prevista para o Terminal Privativo Gregório Curvo (TPGC). Com o avanço das obras, avaliadas em R$ 1,9 bilhão a expectativa é saltar para uma frota de 49 rebocadores e cerca de 700 embarcações na hidrovia até 2028.

As obras ameaçam o Pantanal com dragagem excessiva, alteração do leito do Rio e danos ao modo de vida do povo ribeirinho.

Silenciam dados mas devastar dá lucro

É difícil saber os valores certos pois a LHG os oculta, mas o lucro bruto da mineradora com o Projeto Expansão Corumbá seria hoje, conforme cálculo impreciso de técnicos, em torno de 2,2 bilhões de dólares por ano ou seja 11,2 bilhões de reais por ano.

É o preço doloroso que o meio ambiente pantaneiro (e do Brasil) paga às máfias representantes do latifúndio e da grande burguesia notadamente sua fração burocrática (como a J&F dos Batista). Obs.: Maiores informações na próxima parte 3.

O caso de Porto Esperança é a demonstração nítida de que as classes dominantes reacionárias serviçais do imperialismo são as verdadeiras responsáveis pela devastação do meio natural, contrapondo a ecologia burguesa.

“Tem que parar a mina já!”

Para o artista Moacir Lacerda, nascido em P. Esperança, é preciso parar a mina da LHG e seus projetos imediatamente, “desde já, pois estão destruindo a cidade.”

Mostrou-se indignado também contra as ações “do agronegócio e as queimadas que assolam a biodiversidade do Pantanal.” Preocupado, por outro lado, com a falta de perspectiva para os jovens, ávidos por sair do isolamento (carência do Ensino Médio etc) defendeu a volta do funcionamento do famoso Trem do Pantanal (Estrada de Ferro Noroeste do Brasil), cuja Malha Oeste deverá ser relicitada em breve. O trem também reduziria os impactos da mina.  

Rosana Bond é escritora e jornalista, conselheira editorial de AND e autora de mais de 20 livros sobre conflitos na América Latina e a saga dos povos ameríndios. Entre seus livros mais conhecidos estão “Nicarágua: a bala na agulha” (1985), “Sendero luminoso: fogo nos Andes” (1991), “A civilização inca” (1993).

Fonte: A Nova Democracia 

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