Lula e Trump discutem combate ao PCC, PIX e tarifas em encontro nos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terão nesta quinta-feira (7), em Washington, uma reunião marcada por temas sensíveis da relação bilateral, com destaque para o combate ao crime organizado transnacional, disputas comerciais e tensões geopolíticas. O encontro ocorre em meio a tentativas de reaproximação entre os dois países após meses de atritos diplomáticos e econômicos.

A agenda prevê recepção oficial na Casa Branca, declarações à imprensa no Salão Oval e um almoço reservado entre os chefes de Estado. Segundo integrantes dos dois governos, a conversa deve girar em torno de cinco eixos principais: segurança pública, comércio, sistema PIX, minerais críticos e cenário internacional.

Entre os assuntos prioritários está a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no enfrentamento ao PCC (Primeiro Comando da Capital), ao Comando Vermelho (CV) e a outras organizações criminosas envolvidas em tráfico internacional de drogas, armas e lavagem de dinheiro.

O governo Trump avalia classificar facções brasileiras como grupos terroristas, proposta defendida por integrantes da diplomacia americana ligados à segurança hemisférica. A possibilidade preocupa o Palácio do Planalto, que tenta convencer os Estados Unidos a adotar uma estratégia baseada em cooperação policial e inteligência, sem enquadrar as organizações nessa categoria.

A avaliação do governo brasileiro é que a classificação poderia abrir margem para medidas mais duras por parte dos EUA, incluindo pressões diplomáticas e possíveis ações unilaterais sob argumento de combate ao terrorismo.

Nos bastidores, o Planalto quer demonstrar que o Brasil mantém atuação ativa no combate ao crime organizado e que não aceita interferência externa na condução das políticas de segurança pública. Em abril, os dois países firmaram um acordo de cooperação entre a Receita Federal e a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA para reforçar ações contra tráfico internacional de armas e drogas.

Outro tema delicado será a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil com base na seção 301 da legislação americana. O procedimento pode resultar em novas tarifas sobre produtos brasileiros, incluindo aço e alumínio.

O PIX também entrou na mira do governo americano. O sistema de pagamentos instantâneos foi citado por autoridades dos EUA como uma possível barreira competitiva para empresas norte-americanas do setor financeiro e de cartões de crédito.

O governo brasileiro rebate a acusação e afirma que o PIX não discrimina companhias estrangeiras. A gestão Lula pretende usar o encontro para defender o sistema, tratado internamente como símbolo de soberania tecnológica e financeira.

Na área econômica, os norte-americanos demonstram interesse crescente nas reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras, considerados estratégicos para setores ligados à transição energética, inteligência artificial e indústria de alta tecnologia.

O governo brasileiro, porém, pretende reforçar que a exploração desses recursos seguirá sob controle nacional, com exigência de transferência de tecnologia e participação da indústria brasileira em eventuais acordos internacionais.

A reunião também deve incluir discussões sobre os conflitos no Oriente Médio. Lula deve voltar a defender a ampliação do Conselho de Segurança da ONU e criticar ações unilaterais em crises internacionais, em especial diante da escalada de tensão envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

O encontro acontece em um momento politicamente delicado para ambos os presidentes. Lula busca reforçar a imagem internacional e evitar desgastes diplomáticos em meio ao cenário pré-eleitoral brasileiro. Já Trump tenta consolidar alianças estratégicas na América Latina enquanto amplia sua agenda de segurança e comércio exterior.

Lula desembarcou em Washington na quarta-feira (6) acompanhado de uma comitiva formada pelos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington César (Justiça e Segurança Pública), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Alexandre Silveira (Minas e Energia) e pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Fonte:AGB

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