sexta-feira, 27 fevereiro, 2026 18:49
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Fim da escala 6×1 pode pressionar inflação e elevar preços no comércio e serviços

de Redação Bonitonet
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Trabalhar menos dias na semana, manter o salário e reorganizar turnos: a combinação que anima parte dos trabalhadores também acende um sinal de alerta na economia. O possível fim da escala 6×1 pode pressionar a inflação no Brasil ao elevar os custos das empresas, sobretudo em setores que dependem fortemente de mão de obra, como comércio e serviços.

Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que a adequação a uma jornada menor pode elevar em até 21% a folha salarial do comércio, com impacto estimado em R$ 122,4 bilhões por ano.

No setor de serviços, o custo adicional pode chegar a R$ 235 bilhões. Diante da dificuldade de absorver esse aumento de despesas, o repasse ao consumidor pode alcançar até 13%, segundo o estudo.

Para o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, o comércio não teria margem para arcar sozinho com esse impacto. “O comércio não tem como absorver um aumento dessa magnitude sem repassar preços, reduzir margens, cortar postos de trabalho ou restringir dias de funcionamento”, afirma.

O economista Hugo Garbe, doutor em economia e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica que a redução da jornada sem corte proporcional de salários tende a elevar o custo do trabalho por unidade produzida — um dos principais vetores da chamada inflação de custos. Ainda assim, ele pondera que o repasse aos preços não é automático nem ocorre de forma uniforme.

“Se um trabalhador passa a trabalhar menos dias, mas mantém o mesmo salário, o custo do trabalho aumenta. Para compensar, empresas podem contratar mais funcionários, pagar horas extras ou aceitar redução na produção — o que eleva custos e pode pressionar preços”, diz.

Segundo Garbe, o efeito é mais intenso em setores como varejo, restaurantes, hotelaria e logística, que dependem de operação contínua e têm baixa capacidade de automação. Em mercados mais competitivos, as empresas tendem a segurar preços e absorver parte dos custos, ainda que com redução de margens. Já em segmentos com menor concorrência ou demanda mais estável, a tendência de repasse é maior.

O economista ressalta que ganhos de produtividade poderiam amenizar o impacto, mas alerta que isso não é garantido. “Se a produtividade não acompanhar a redução da jornada, a tendência é de pressão inflacionária, especialmente no setor de serviços”, afirma.

A expectativa é que os efeitos ocorram de forma gradual, à medida que as empresas ajustem suas operações e o mercado de trabalho se adapte. Ainda assim, a combinação de aumento de custos e dificuldades de ajuste em setores intensivos em mão de obra indica um cenário de pressão sobre preços no curto e médio prazo.

Fonte:EFMS

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