“Jurema e a Criação do Mundo” convida o público a refletir sobre a criação do universo unindo palhaçaria, música e contação de histórias
A busca pelas origens da vida ganha novas possibilidades no espetáculo “Jurema e a Criação do Mundo”, que estreia em Bonito nos dias 7 e 8 de agosto. Unindo teatro, palhaçaria, música e contação de histórias, a montagem apresenta diferentes narrativas sobre a criação do universo a partir das cosmovisões dos povos Guarani Mbya e Desana, em diálogo com a teoria científica do Big Bang.

Idealizado pela atriz e palhaça Sorrayla Acosta Parra, o espetáculo é resultado de quase dois anos de pesquisa, escuta e criação artística. A obra nasceu do desejo de aproximar o público de outras formas de compreender o mundo, inspiradas nos saberes ancestrais dos povos originários, sem perder o humor, a delicadeza e a linguagem acessível do teatro circense.
Em cena, a Palhaça Jurema é movida por uma pergunta simples, mas universal: como surgiu o universo? Em busca dessa resposta, ela atravessa diferentes histórias de criação e convida crianças, jovens e adultos a descobrirem que não existe apenas uma maneira de explicar a origem da vida.
A dramaturgia foi construída a partir de referências como “Tupã Tenondé: a criação do universo, da terra e do homem segundo a tradição oral Guarani”, de Kaká Werá, “Antes o mundo não existia: mitologia dos antigos Desana-Kêhíripõrã”, de Firmino e Luiz Lana, além de estudos sobre a teoria do Big Bang. Todo esse material foi transformado em uma narrativa poética que combina comicidade, música, teatro e circo.

Segundo Sorrayla, a concepção do espetáculo foi marcada por um intenso processo de aprendizado e encontros. “Durante esse percurso, conhecemos diferentes formas de perceber a terra, os rios, as plantas, os animais e nossa relação de pertencimento com a natureza. Também tivemos muito cuidado para contar essas histórias com respeito, valorizando os conhecimentos dos povos originários sem nos apropriarmos deles”.
Essa relação aparece também na trilha do espetáculo, que incorpora o canto “Mamo Oimē Nde Rory” (“Onde está sua alegria?”), aprendido por Sorrayla junto à comunidade Guarani-Kaiowá de I’tay, próxima a Dourados, por meio da professora Graciela Chamorro e do grupo Veraju. A canção integra a montagem com autorização da comunidade, reforçando o compromisso da produção com o respeito aos saberes tradicionais.
Outro diferencial da montagem é justamente o encontro entre diferentes linguagens artísticas. Teatro, palhaçaria, música, linguagem circense e contação de histórias constroem uma experiência sensível e divertida, aproximando públicos de todas as idades das narrativas apresentadas.
A estreia também marca o início de uma circulação que privilegia espaços públicos e comunidades. No dia 7 de agosto, o espetáculo será apresentado para estudantes da Escola Municipal João Alves de Arruda. Já no dia 8, a Praça da Liberdade recebe a primeira sessão aberta ao público, às 17 horas, com entrada gratuita e intérprete de Libras. Depois de Bonito, a circulação segue por Águas do Miranda, Assentamento Guaicurus, Comunidade Tomázia, Jardim e Campo Grande.
Para Sorrayla, ocupar praças e espaços públicos faz parte da essência do projeto. “Queremos que o teatro encontre as pessoas onde elas estão. Levar a arte para além dos espaços convencionais é uma forma de democratizar o acesso à cultura e criar encontros entre diferentes públicos”.
“Jurema e a Criação do Mundo” convida o público a ampliar o olhar sobre as diferentes formas de conhecimento e perceber que distintas culturas compartilham perguntas semelhantes sobre a existência. Este projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo.
Serviço:
Espetáculo: Jurema e a Criação do Mundo
Data: 07 de agosto (sexta-feira)
Horário: 9:30 h
Local: Escola Municipal João Alves de Arruda
Data: 08 de agosto (sábado)
Horário: 17:00 h
Praça da Liberdade
Entrada gratuita
Com intérprete de Libras
Ficha Técnica:
Idealização e Produção: Sorrayla Acosta Parra
Dramaturgia: Amanda Carneiro
Direção e Concepção Cênica: Ulisses Nogueira
Elenco: Sorrayla Acosta Parra, Ulisses Nogueira, Júnior Mendes e José Antônio Domingos
Cenografia: Ronald Rosa e Adrian Hardt
Figurino: Marianne Sguissardi
Costura: Ateliê J.R. – João e Rosana
Trilha Sonora, Sonoplastia e Música: Júnior Mendes, José Antônio Domingos e Flávio Teixeira
Fotografia e Produção Multimídia: Pedro Miyoshi
Apoio: Casa de Cultura Espiral Arte e Movimento e Uli Produções
Fonte: Assessoria de Imprensa: Gabriela Rodrigues e Lucas Arruda Fotos: Pedro Miyoshi