PF investiga o rombo que o Master deixou nos institutos de previdência de Fátima do Sul e Angélica
A diretora-presidente do Iprefsul (Instituto de Previdência de Fátima do Sul), Claudete Rodrigues dos Santos, foi afastada do cargo após operação da PF (Polícia Federal), que deflagrou na semana passada as operações Zehirut e Charitzut.
As ações investigam o rombo que o Master deixou nos institutos de previdência de Fátima do Sul e Angélica, municípios da região sul do Estado.
Também foi afastada a diretora financeira que estava no cargo. Então, o prefeito de Fátima do Sul, Wagner Roberto Ponsiano (PSDB), nomeou o secretário de educação, Osvaldo Vieira dos Santos, como interino para comandar o instituto.
Já na diretoria financeira ficará o servidor Maicon Jonas Divieso de Oliveira, também de forma interina.
Em nota mais recente divulgada pelo Iprefsul, o instituto afirmou que tomou as decisões em reunião extraordinária após a operação e que os pagamentos a aposentados e pensionistas deveriam começar a receber os proventos a partir da sexta-feira (29).
Em relação à operação, o Iprefsul divulgou o seguinte: “O banco e seus ativos estavam aptos e validados para operarem no mercado financeiro! Se há algum crime, este foi praticado pelos fraudadores e não por nós, que investimos tão somente para obter a rentabilidade financeira do patrimônio do RPPS!
Informamos que o RPPS de Fátima do Sul tem envidado esforço contínuo na resolução deste problema e já ingressou com representação judicial contra o Banco Master com o objetivo de obter o ressarcimento integral dos valores aportados junto a essa Instituição, representando os interesses de nossos segurados”.
PF mira crimes em aplicações financeiras
Conforme informações da PF, a operação consiste em reunir elementos que provem as hipóteses da prática ilegal. As investigações acontecem no âmbito de outras operações, como Zehirut e Charitzut.
Em MS, foram cumpridos dez mandados de prisão, sendo sete em Angélica, um em Fátima do Sul e dois em São Paulo (SP). Além disso, foram cumpridas medidas cautelares de afastamento das funções públicas.
A PF constatou indícios de irregularidades em investimentos realizados em letras financeiras do Master, em 2024. Antes da PF entrar no caso, o TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado de MS) abriu auditoria para apurar a natureza dos investimentos em Fátima do Sul, São Gabriel do Oeste, Jateí, Angélica e Campo Grande. Essas cidades investiram R$ 16 milhões no banco de Vorcaro.
No dia da operação, o prefeito Wagner disse a reportagem que “Eu sou a favor da polícia vir, mesmo, tem que ter investigação. Se tiver culpado, o culpado tem que pagar, porque é dinheiro público e, com isso, não se brinca. Esse valor milionário é muito alto para nosso município, que é pequeno”, disse o chefe do Executivo.
A defesa do instituto mostra que ficaram retidos no banco R$ 8.207.397,82 (oito milhões, duzentos e sete mil, trezentos e noventa e sete reais e oitenta e dois centavos) após a liquidação. Assim, pediu que o Master fosse intimado a evitar ações para penhora dos recursos.
Porém, o juiz Vitor Dias Zampieri, da 1ª Vara de Fátima do Sul, negou bloquear recursos do banco. O magistrado observou neste e em outro despacho que são necessárias mais informações antes de determinar a penhora.
Fonte: Midiamax