sexta-feira, 20 março, 2026 10:54
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Desabastecimento de combustível no Brasil pode começar em abril, diz Abicom

de Redação Bonitonet
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Presidente da Abicom diz que pode haver falta de diesel pontual em abril porque importações contratadas ficam perto de 300 mil m³, abaixo do normal de 1,2 a 1,4 milhão. Defasagem de preços, frete e seguro mais caros travam operações e elevam risco regional com pressão da guerra no Irã

A falta de diesel voltou ao radar para abril após alerta de Sérgio Araújo, presidente da Abicom, ao dizer que o país pode enfrentar desabastecimento “pontual e eventual” se o volume importado seguir muito abaixo do necessário, num cenário de custos internacionais mais altos e operações travadas.

O ponto central, segundo ele, é a combinação entre preços internos abaixo do mercado internacional, frete e seguro pressionados pelo conflito no Oriente Médio e incerteza sobre volumes. O resultado pode aparecer longe dos holofotes nacionais, como um descompasso regional de oferta.

Por que a falta de diesel virou um risco real para abril

O alerta parte de um dado objetivo: o volume de diesel já contratado para importação em abril estaria muito abaixo do padrão mensal citado pelo setor.

Araújo afirma que não se trata de falta de interesse em trazer produto, mas de dificuldade para fechar operações quando a conta não fecha.

Nesse contexto, a falta de diesel não é descrita como um apagão generalizado, e sim como um risco localizado, que depende de logística, região e do quanto cada área do país precisa do diesel importado para manter o fluxo normal de abastecimento.

É o tipo de falha que começa “pontual”, mas ganha velocidade se a reposição não acontece.

Os números de importação que acendem o sinal amarelo

Para março, Araújo diz que a importação prevista chega a 1 milhão e 351 mil metros cúbicos de óleo diesel, volume que, na avaliação dele, sustenta o abastecimento do mês.

Ou seja, no curtíssimo prazo, a leitura apresentada é de continuidade operacional.

Já para abril, o número citado é bem menor: algo na ordem de 300 mil metros cúbicos contratados, quando, “normalmente”, o país importaria entre 1,2 milhão e 1,4 milhão de metros cúbicos por mês.

Essa diferença é o que coloca a falta de diesel como possibilidade concreta no calendário de abril, não como hipótese distante.

A defasagem de preços e por que ela trava a importação

A explicação apresentada por Araújo é que a Petrobras manteria o preço interno abaixo do valor no mercado internacional, criando uma defasagem que dificulta a vida de importadores e refinadores privados.

O efeito prático é simples: quem precisa comprar fora e trazer para dentro passa a operar com risco maior, margem menor e incerteza ampliada.

Ele cita, como retrato do momento, que o diesel teria “67% de defasagem”, ficando mais de R$ 2,40 abaixo do preço médio, enquanto os importadores enfrentam custos para comprar, transportar e internalizar o produto.

Quando o preço doméstico fica artificialmente baixo, a operação pode virar prejuízo, e a falta de diesel deixa de ser discurso e vira cálculo.

Frete, seguro e a crise global que aumenta o custo do diesel

Além da defasagem de preços, há o choque de custos associado ao conflito no Oriente Médio.

Araújo afirma que fretes aumentaram e o seguro também encareceu com a escalada de tensões envolvendo EUA e Israel e o Irã, elevando o custo final de trazer diesel ao Brasil.

Esse tipo de encarecimento não depende da política interna e chega como “pedágio” do comércio global. Só que, quando somado a preços internos pressionados para baixo, cria uma pinça: o diesel fica mais caro para importar, mas o mercado doméstico não absorve o valor.

A consequência é um gargalo que pode aparecer como falta de diesel justamente nas regiões que mais precisam do produto vindo de fora.

Onde o risco de desabastecimento pode ser maior

Araújo afirma que o risco aumenta nas áreas que dependem mais de diesel importado.

Ele também aponta uma concentração de refinarias da Petrobras no Sul e no Sudeste, o que pode gerar desequilíbrio de oferta entre as regiões do país.

Na prática, isso sugere um mapa de vulnerabilidade: quanto maior a dependência de importação para atender demanda local, maior a chance de uma falta de diesel pontual se manifestar primeiro.

Não é apenas “quanto o Brasil importa”, mas “para onde o diesel chega” e “com que velocidade ele é reposto”.

O debate sobre medidas do governo e a fronteira da “política pública”

Araújo comenta que existem iniciativas para tentar evitar que a alta do diesel chegue ao consumidor, como subvenção e incentivos aos estados para zerar ICMS sobre combustíveis. A linha defendida por ele é que políticas assim podem aliviar o bolso em momentos de crise.

Ao mesmo tempo, ele critica quando esse tipo de alívio viraria uma função de uma empresa que participa do mercado, citando assimetria concorrencial e impacto sobre concorrentes, como importadores e refinarias privadas.

Aqui está o conflito central: proteger o consumidor no curto prazo sem travar o mercado a ponto de aumentar o risco de falta de diesel no mês seguinte.

O alerta de falta de diesel para abril combina matemática e geopolítica: importações contratadas muito abaixo do padrão, custos internacionais em alta e uma estrutura de preços que, segundo importadores, dificulta fechar operações.

O risco descrito é regional e pontual, mas o histórico do setor mostra que falhas localizadas podem virar um efeito dominó quando reposição e logística atrasam.

Na sua região, você já percebeu alguma tensão no diesel nas últimas semanas, como filas, limite de abastecimento ou variações bruscas entre postos? Você acha que a prioridade deve ser segurar preço a qualquer custo ou garantir oferta mesmo que o preço suba?

Fonte:Clickpetroleoegas

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