sexta-feira, 31 julho, 2026 15:57
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Da guavira ao butiá: casal transforma frutos do Cerrado em kombucha com identidade sul-mato-grossense

de Redação Bonitonet
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O que começou com algumas xícaras de kombucha compartilhadas por uma amiga transformou-se em um negócio que carrega sabores, histórias e elementos da biodiversidade de Mato Grosso do Sul. Em Bonito, o casal Mirian Lúcia Queiroz e Ronaldo Caires criou a Guavira Alimentos “Kombucha Guavira”, marca artesanal que apostou nos frutos nativos do Cerrado para desenvolver produtos com identidade regional e valor agregado.

Depois de enfrentar dificuldades técnicas e regulatórias, os empreendedores iniciam uma nova etapa: o lançamento da kombucha de butiá. Com receita padronizada, rotulagem adequada e registro no Ministério da Agricultura e Pecuária, o produto já está pronto para chegar às prateleiras. O Santos Supermercado, em Bonito, será o primeiro ponto de venda da novidade.

A relação do casal com a bebida começou sem qualquer pretensão comercial. Mirian conheceu a kombucha na casa de uma amiga e convidou Ronaldo para experimentar. Como queriam consumir a bebida com frequência, receberam uma cultura de fermentação – conhecida como “scoby” – e aprenderam os primeiros passos da produção artesanal.

Com experiência profissional na cozinha e interesse pelos processos culinários, Ronaldo assumiu os testes iniciais. A produção começou dentro de casa, em recipientes de vidro reaproveitados, enquanto o casal experimentava combinações com frutas, ervas e especiarias. “Uma amiga nos apresentou a kombucha e ensinou como produzir. Começamos fazendo apenas para o nosso consumo, sem imaginar que aquilo poderia se tornar um negócio. Como o Ronaldo já trabalhava com cozinha, ele se interessou pela receita e passou a estudar para melhorar o produto”, contou Mirian.

Da cozinha de casa para o mercado

As primeiras receitas nem sempre apresentavam o resultado esperado. Algumas garrafas tinham pouca gaseificação; outras acumulavam resíduos ou desenvolviam pressão excessiva. Em uma das tentativas com guavira, o casal acordou durante a madrugada com o barulho das garrafas estourando no espaço de produção.

O episódio revelou a complexidade de trabalhar com uma bebida fermentada e motivou Ronaldo a buscar conhecimento técnico. Ele participou de cursos sobre produção artesanal, fermentação, padronização e fabricação em maior escala. “Eu olhava para as kombuchas disponíveis no mercado e queria entender por que as nossas ainda apresentavam resíduos, diferenças de acidez ou pressão excessiva. A partir dos cursos, comecei a compreender melhor a fermentação e a padronizar cada etapa do processo”, relatou Ronaldo.

Depois de meses de testes, as receitas se tornaram mais estáveis. Ainda assim, vender não estava nos planos. A mudança ocorreu quando familiares e amigos experimentaram a bebida e incentivaram o casal a levar o produto ao mercado.

A primeira caixa seguiu para Campo Grande e teve boa aceitação. Em pouco tempo, a kombucha passou a ser comercializada em estabelecimentos de Bonito, Campo Grande, Sidrolândia e Maracaju. Mesmo sem equipamentos automatizados para o envase e o fechamento das garrafas, a produção chegou a aproximadamente 900 unidades mensais.

Guavira Alimentos está presente em 21 pontos de venda, distribuídos entre Bonito, Campo Grande e outros municípios do Estado.

Um produto com raízes no território

Desde o início, Mirian e Ronaldo buscavam um diferencial que conectasse a kombucha à identidade de Mato Grosso do Sul. Enquanto sabores como uva, maracujá e hibisco já eram comuns no mercado, os frutos do Cerrado surgiram como alternativa para valorizar a biodiversidade regional. A guavira foi a primeira escolha, inspirada na vivência de Ronaldo com o fruto desde a infância e na experiência com a utilização na gastronomia. Para transformá-la em kombucha, o casal dedicou cerca de um ano e meio ao desenvolvimento da receita, ajustando filtragem, quantidade de polpa e tempo de fermentação até alcançar um produto estável.

“Nosso diferencial é trabalhar com a valorização dos frutos do Cerrado e do Pantanal. Por trás deles também estão os coletores e as famílias que vivem dessa atividade. Quando compramos a produção dessas pessoas, não valorizamos somente o fruto, mas uma cadeia inteira ligada ao território”, explicou Ronaldo.

O próprio nome da marca nasceu dessa escolha. Durante uma mentoria, surgiu a sugestão de adotar “Kombucha Guavira”, reunindo em uma única expressão o produto e sua origem regional. Posteriormente, a marca comercial passou a ser Guavira Alimentos, abrindo espaço para que o empreendimento desenvolva, futuramente, outros produtos além das bebidas fermentadas. A identidade regional também aparece nos rótulos, inspirados no grafismo do povo indígena Kadiwéu, presente em Mato Grosso do Sul.

“Queríamos um nome que remetesse ao lugar onde vivemos e uma identidade visual que carregasse a cultura da região. A guavira tem relação com esse território, com a alimentação e com a história dos povos que vivem aqui. Por isso, o nome e o grafismo fazem parte da essência da marca”, afirmou Mirian.

Transformando obstáculos em oportunidades

Apesar da boa aceitação do mercado, a kombucha de guavira precisou ser retirada de circulação porque o fruto não constava na lista de vegetais autorizados pela legislação para esse tipo de bebida. A decisão interrompeu a regularização da fábrica e levou o casal a suspender praticamente toda a produção por cerca de um ano e meio, mantendo apenas pequenos lotes para preservar as culturas de fermentação. “Foi um balde de água fria. A guavira era o nosso carro-chefe e tínhamos investido tudo o que podíamos na estrutura”, relembra Mirian.

A retomada aconteceu com o apoio técnico de profissionais que identificaram potencial no negócio e auxiliaram na conclusão da regularização do estabelecimento. Foram identificados sabores autorizados, como maracujá com gengibre, hibisco com especiarias e a versão original. Hoje, a Guavira Alimentos está presente em 21 pontos de venda em Bonito, Campo Grande e outros municípios de Mato Grosso do Sul.

Após superar desafios técnicos e regulatórios, a Guavira Alimentos lança a kombucha de butiá, que chega ao mercado com registro no Ministério da Agricultura e Pecuária.

Sem abrir mão da proposta de valorizar a biodiversidade regional, Ronaldo encontrou no butiá uma alternativa viável entre os frutos permitidos pela legislação. Após cerca de quatro meses de testes, a empresa desenvolveu a kombucha de butiá. “Muitas pessoas experimentam e dizem que o sabor remete à infância. Primeiro aparece a acidez, depois vem um dulçor do coco e, ao final, uma nota cítrica. É um fruto exótico, peculiar e que representa muito bem essa proposta de apresentar o Cerrado de uma maneira diferente”, descreveu Ronaldo.

Com o novo sabor regularizado, o casal também pretende ampliar a rede de fornecedores, incentivando coletores que já trabalham com a guavira a comercializarem o butiá durante o período da safra.

Para Mirian, encontrar o produto pronto para ocupar as gôndolas representa a superação de uma trajetória marcada por tentativas, investimento e persistência. “É uma mistura de realização, pertencimento e merecimento. Tivemos muitas frustrações e renunciamos a várias coisas para manter esse sonho vivo. Ver um produto com a nossa identidade, feito com um fruto do Cerrado e totalmente regularizado, é a concretização de algo que começou dentro da nossa casa”, destacou a empreendedora.

Conhecimento para crescer

Ao longo da trajetória, a Guavira Alimentos recebeu apoio do Sebrae/MS por meio de consultorias, capacitações e iniciativas voltadas à estruturação e à inovação do negócio. Entre os atendimentos, estiveram orientações relacionadas ao registro dos produtos, à adequação dos rótulos e à organização do processo produtivo, com suporte técnico desenvolvido também em parceria com o Senac.

A empresa participou ainda do programa Inova Cerrado, iniciativa voltada a apoiar pequenos negócios que desenvolvem soluções relacionadas à biodiversidade do bioma. “O Inova Cerrado foi um divisor de águas. Além de ampliar a produção, passamos a entender melhor a linguagem do mercado, as relações entre empresas, a comunicação e a estrutura necessária para crescer. Foi um estímulo para aperfeiçoar o negócio e continuar inovando”, avaliou Mirian.

O apoio técnico também tornou viável o processo de registro dos produtos, que teria um custo elevado para o pequeno negócio. Com subsídio de parte do investimento, os empreendedores conseguiram avançar na regularização e adequar os rótulos às exigências legais.

Entre fermentações, pesquisas e novos testes, a Guavira Alimentos segue transformando os desafios encontrados pelo caminho em oportunidades. Para mais informações sobre as ações do Sebrae, entre em contato pela Central de Relacionamento no número 0800 570 0800, ou acesse: ms.sebrae.com.br.

Por Assessoria de Imprensa do Sebrae/MS

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