Alugada para todo o fim de semana, a chácara onde ocorreu um casamento em Bonito, na região sudoeste do Estado, infelizmente foi palco de uma tragédia, onde Pedro Henrique e Gustavo morreram eletrocutados, no domingo (22). Após a cerimônia na igreja matriz, cerca de 50 convidados passariam o fim de semana se divertindo. No entanto, logo depois do café da manhã, a imagem dos jovens brincando na tirolesa foi substituída por momentos de angústia, agonia, desespero e trauma.
Diante da comoção de muitas pessoas, que enviavam mensagens aos familiares, um deles usou a própria rede social para se pronunciar sobre o assunto. Já no início, Helenildo se identifica como um dos parentes das vítimas e relembra o episódio, ressaltando que “a dor e o sofrimento é muito grande” para todos. “Teve uma comoção muito grande, do Estado e até de outros estados, pessoas ligando e mandando mensagem”, comentou.
Helenildo relembra que a tragédia ocorreu logo após o café da manhã. “O Gustavo Henrique desceu na tirolesa e, ao tocar na água, ficou paralisado. As pessoas acharam que era brincadeira, porque ele era brincalhão, mas ficou parado, grudado na estrutura. Só que logo depois acharam por bem — dois meninos que estavam ali perto — descer e puxar para trás, onde, neste momento, a carretilha foi puxada em uma cordinha, e os pés, que estavam dentro da água, desgrudaram da tirolesa e ele desceu no lago”, disse.
‘Momento de choro, angústia dos pais e de crianças, assistindo àquilo tudo’, lamenta familiar
Já com os corpos na água, alguns jovens passaram a cruzar o lago para encontrá-lo, momento em que alguns cansaram e foram para o outro lado. “Um deles foi o Pedro Henrique, que pegou no cabo de aço que segura a estrutura da tirolesa, e ali mesmo ele ficou debruçado. Neste momento, uma pessoa com experiência na área chegou e disse: ‘Isso é choque, corram todos da água’. Aí as pessoas acordaram, todos estavam pasmos e logo fomos procurar o cabo de energia para desligar, eu fui um deles. Foi um momento de choro, angústia dos pais, de crianças, assistindo àquilo tudo”, lamentou.
Na sequência, o caseiro desligou a energia. “Foi quando o Pedro Henrique caiu perto da água, e aqueles que estavam mais perto puxaram ele para fora. Acredito que ali ele já tinha ido a óbito, mas as pessoas ainda estavam despertando a isso. E o Gustavo ainda estava submerso, entendemos ali que ele desceu daquela forma devido à descarga. E aí nós tínhamos ali perto um cidadão que sabia mergulhar e tinha conhecimento da água, com dois ou três mergulhos ele trouxe o Gustavo, ainda com batimentos, pulsação, era a hora que a agonia falava mais alto, a angústia”, afirmou.
O Corpo de Bombeiros já havia sido acionado, só que os parentes decidiram sair de caminhonete e encontraram os militares plantonistas no caminho. “Colocamos o Gustavo na caminhonete, encontramos os bombeiros no caminho e eles fizeram o que tinha que ser feito, levando ao hospital. Depois, veio a transferência para Campo Grande e aqui ele veio a falecer”, lamentou.
Agora, comenta que todos os familiares estão “sentindo na pele” a dor e ainda fazendo o possível para acalmar as crianças pelo trauma vivido. “Nunca mais vão esquecer na vida deles”, disse.
Confira o depoimento na íntegra:
Fonte:MM