Pelo menos duas cidades do Rio Grande do Sul decretaram situação de emergência por desabastecimento de combustíveis, principalmente de óleo diesel. Os municípios de Formigueiro e Tupanciretã, localizados a 290 km e 350 km de distância da capital Porto Alegre, publicaram os decretos no dia 17 e 19 de março, respectivamente.
A prefeitura de Formigueiro, que tem a agricultura como pilar de sustentação, afirma que a falta de combustíveis provocará o atraso no escoamento da safra e sua perda.

Um levantamento realizado pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) no dia 19 de março revela que pelo menos 142 prefeituras gaúchas enfrentam falta de diesel. O número representa 45% das 315 prefeituras que responderam a pesquisa.
De acordo com a Famurs, os prefeitos das cidades afetadas estão priorizando serviços na área da saúde, como o transporte de pacientes, enquanto obras e atividades que dependem de maquinário ficam suspensas em razão da escassez de combustível.
“Essa situação tende a se agravar se nenhuma medida de garantia do abastecimento for tomada. Temos o risco de que isso afete o transporte escolar e o transporte de pacientes para outras cidades. Vamos levar esses dados ao governador e reforçar a necessidade de buscarmos alternativas para garantir o pleno funcionamento dos serviços. Precisam de respostas efetivas, especialmente por parte do governo federal”, diz a presidente da Famurs e prefeita de Nonoai, Adriane Perin de Oliveira, em nota à imprensa.
A falta de combustíveis é reflexo do fechamento parcial do Estreito de Ormuz devido ao conflito que ocorre no Irã – local onde passa de 20% a 30% de todo o petróleo bruto do mundo, segundo especialista.
Questionada por QUATRO RODAS, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) afirma que “segue monitorando continuamente o mercado regulado e mantendo conversas próximas com os agentes”.
Com relação ao Rio Grande do Sul, a agência entrou em contato com os distribuidores no fim de semana. “Os distribuidores informaram que as entregas de diesel estão avançando, após as medidas da ANP e o leilão realizado pela Petrobras, com a região da Grande Porto Alegre já atendida. Devido a questões logísticas, a chegada do produto ao interior do estado deve ocorrer ao longo desta semana”.
Procurado, o Ministério de Minas e Energia diz que “o abastecimento nacional segue regular, com monitoramento contínuo por parte do governo do Brasil, em articulação com a ANP e demais órgãos competentes”.
E completa: “as medidas adotadas pelo governo do Brasil, como a redução a zero de PIS/Cofins e a subvenção de R$ 0,32 por litro, têm potencial de mitigar os efeitos dos recentes reajustes, podendo resultar, inclusive, em redução de até R$ 0,64 por litro no preço final ao consumidor, a depender das condições de mercado e da cadeia de comercialização. Os efeitos dessas medidas tendem a ser percebidos de forma gradual nas bombas, à medida que estoques anteriores são substituídos e os novos preços se consolidam ao longo da cadeia de distribuição”.
A reportagem também procurou o governo do Rio Grande do Sul, que não respondeu até a publicação deste conteúdo. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
Fonte:Quatrorodas.abril