quinta-feira, 6 agosto, 2026 10:45
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Cercas elétricas ‘ensinam’ onças-pintadas a evitar ataques a rebanhos no Pantanal; veja

de Redação Bonitonet
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A implantação de cercas elétricas em propriedades rurais no Pantanal mato-grossense está mudando a relação entre produtores rurais e onças-pintadas. A tecnologia faz parte de um projeto científico do Instituto Impacto e busca permitir a coexistência entre o maior felino das Américas e as famílias que vivem da produção no campo, sem interferir na rotina da espécie.

Além de reduzir os prejuízos causados por ataques a rebanhos, a iniciativa também ajuda a evitar a morte de onças-pintadas em decorrência dos conflitos nas regiões pantaneiras.

Na prática, as cercas são instaladas em áreas onde vivem animais mais vulneráveis, como bezerros, porcos, galinhas e outros animais de criação que representam a principal fonte de renda de muitas famílias da zona rural.

Em um vídeo publicado nas redes sociais em julho deste ano, o médico veterinário e pesquisador da instituição, Samuel Felipe Bressan, explica que as instalações das cercas elétricas fazem parte do Pograma Integrado Pantanal de Coexistência e funcionam como uma ferramenta de prevenção, protegendo tanto a produção rural quanto a fauna silvestre.

Ao contrário do que pode parecer, como lembra Bressan, a estratégia não serve para ferir os felinos, mas para criar uma barreira que faça com que as onças associem aquele espaço a uma experiência desagradável.

Dessa forma, os animais evitam novas tentativas de invasão e diminuem os ataques aos rebanhos e, consequentemente, as retaliações de proprietários contra a espécie.

Ciência mostra que as onças aprendem e se adaptam

A eficácia da iniciativa e a capacidade das onças em entenderem a delimitação terrestre foram comprovadas cientificamente.

Um estudo desenvolvido pelo Instituto Impacto e publicado na revista National Geographic acompanhou o comportamento das onças-pintadas diante da instalação de cercas elétricas na Pousada Piuval, em Poconé (MT).

Os pesquisadores Paul Raad, Samuel Felipe Bressan e Fernando Cesar Cascelli de Azevedo, que assinaram o estudo, destacam que, embora a onça-pintada seja tradicionalmente descrita como um animal solitário, há contextos em que ocorre transmissão de comportamento entre indivíduos da mesma família.

A propriedade está situada em uma importante rota de deslocamento da fauna silvestre e se tornou referência na adoção de medidas voltadas à convivência entre produção rural e conservação ambiental.

No local, pesquisadores instalaram câmeras de monitoramento para observar tanto a eficiência das cercas quanto a reação dos felinos. O resultado da pesquisa mostrou uma redução de 83% na predação e nenhum ataque foi registrado dentro das áreas protegidas pelas cercas eletrificadas.

As imagens revelaram, ainda, que as onças demonstram capacidade de aprender com a experiência e adaptar seu comportamento diante das mudanças impostas pelo ser humano. Segundo o estudo, os felinos apresentam “capacidade de interagir socialmente, aprender com outras onças-pintadas e se adaptar coletivamente aos desafios impostos pelos humanos”.

Na prática, isso significa que os animais passam a reconhecer os limites das áreas protegidas e deixam de insistir nas tentativas de ataque.

🐆Coexistência

“O objetivo é replicar esse modelo bem-sucedido em novas propriedades, um processo que não é fácil, mas que pode gradualmente mudar o paradigma de que humanos e onças-pintadas não podem coexistir e que a única solução é eliminá-las.”

Paul Raad — cientista e coordenador do Instituto IMPACTO

Após o sucesso na primeira pousada, o projeto começou a se expandir para propriedades vizinhas na zona de amortecimento, adaptando as soluções às circunstâncias específicas de cada fazenda, segundo o Instituto.

Aprendizado por observação

Durante o monitoramento, pesquisadores do Instituto Impacto registraram o momento em que uma onça subadulta tentou acessar um curral protegido e recebeu um choque elétrico. A reação imediata foi de recuo. Outras onças, que acompanhavam a tentativa, passaram a se aproximar com cautela, cheirar a estrutura e evitar qualquer novo contato.

Nos registros posteriores, nenhuma das onças voltou a tocar a cerca. Para os autores do estudo, esse padrão indica aprendizado por observação, quando o animal reconhece o risco sem precisar vivenciá-lo diretamente.

Fonte:PrimeiraPagina

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