Bonito voltou a ser a capital do cinema sul-americano nesta sexta-feira (24), com a abertura oficial da 4ª edição do Bonito Cinesur – Festival de Cinema Sul-Americano. Até 1º de agosto, a cidade recebe produções de dez países, além de oficinas, seminários, debates e encontros com cineastas, atores e estudantes, em uma programação totalmente gratuita.
A cerimônia de abertura, realizada no Centro de Convenções de Bonito, foi apresentada pelo ator Reynaldo Gianecchini e homenageou a atriz, diretora e dramaturga chilena Paulina García, vencedora do Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim. Na sequência, o público acompanhou a exibição de Querido Trópico, da diretora panamenha Ana Endara, estrelado justamente por Paulina García.
Para o diretor do festival, Nilson Rodrigues, o principal objetivo do Cinesur é ampliar o espaço para produções que raramente chegam ao circuito comercial brasileiro.

“Infelizmente a gente recebe quase que só um tipo de cinematografia no mercado brasileiro. Então essa é uma oportunidade singular de receber filmes do Equador, da Colômbia, da Bolívia, da Argentina, do Uruguai e do Chile. O nosso propósito é fazer do Brasil um centro de olhar para as cinematografias da América do Sul”, afirmou.
Mais espaço para o cinema sul-americano
Segundo Nilson Rodrigues, o cinema produzido na América do Sul vive um momento de reconhecimento internacional, mas ainda enfrenta dificuldades para alcançar o público.
“O cinema sul-americano tem muito potencial. A gente ganha o Oscar, ganha o Festival de Cannes, ganha o Festival de Berlim. O que precisa é ter espaço para essa cinematografia circular”, destacou.
Ele citou o recente desempenho do cinema brasileiro em festivais internacionais e lembrou que outros países do continente também vivem um momento de fortalecimento da produção audiovisual, apesar das dificuldades enfrentadas por alguns mercados, como o argentino.
“O que precisa é de mais telas para mostrar os nossos filmes”, resumiu.
O diretor também destacou que o festival busca valorizar artistas latino-americanos que conquistaram reconhecimento internacional, mas ainda são pouco conhecidos pelo público da própria região, como a homenageada desta edição, Paulina García.

Programação vai além das salas de cinema
Além das sessões de filmes, o Bonito Cinesur oferece oficinas voltadas à comunidade e aos estudantes da cidade. Durante a programação, os participantes terão contato com todas as etapas da produção audiovisual e produzirão curtas-metragens que serão exibidos ao final do festival.
“É uma forma de deixar para a comunidade uma experiência cinematográfica e também conhecimento”, explicou Nilson.
A programação também contempla diferentes públicos, com sessões infantis, filmes para toda a família e produções destinadas a maiores de 12, 14 e 16 anos.
Outro destaque é a Mostra de Cinema Ambiental, que reúne obras sobre os impactos das mudanças ambientais em diferentes países sul-americanos.
Festival reúne produções de dez países no Bonito Cinesur
Nesta edição, o Bonito Cinesur exibe filmes do Brasil, Argentina, Peru, Paraguai, Colômbia, Venezuela, Uruguai, Bolívia, Equador e Chile, reunindo mais de 150 convidados entre atores, diretores, produtores, pesquisadores e estudantes.
O festival conta com cinco mostras competitivas: Longa-Metragem Sul-Americano, Curta-Metragem Sul-Americano, Filme Sul-Mato-Grossense, Longa-Metragem Ambiental e Curta-Metragem Ambiental. As produções selecionadas disputam o Troféu Pantanal, concedido pelos júris oficial e popular.
O crescimento do evento também se reflete no número de inscrições. Em 2026, o festival bateu recorde, com 905 filmes inscritos, superando os cerca de 600 registrados em 2023.
A programação completa, com horários das sessões e demais atividades, está disponível no site oficial do festival.
A 4ª edição do Bonito Cinesur tem patrocínio master do Banco do Brasil e da Petrobras, além de patrocínio da Caixa Econômica Federal, EMGEA, Sesc MS e Fecomércio MS. O evento conta ainda com apoio da Prefeitura de Bonito, da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur-MS) e do Governo do Estado. A realização é da Associação Amigos do Cinema e da Cultura (AACIC), por meio da Lei Rouanet e do Ministério da Cultura.
Fonte:Primeira Pagina