Um a cada três senadores eleitos em 2026 é proveniente da bancada do agro na Câmara dos Deputados
Maior e mais influente bancada do Congresso Nacional, com 345 parlamentares, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) teve 185 deputados e senadores reeleitos nas eleições deste domingo, 4, conforme levantamento feito pelo Estadão/Broadcast com base no cruzamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e na lista de membros divulgados no site da bancada.
Dos 279 membros da frente que disputaram algum cargo no Congresso Nacional, 66% foram eleitos – ou seja, dois em cada três. Considerando cargos nas Assembleias Estaduais e governos estaduais, a bancada obteve 215 parlamentares vitoriosos, conforme levantamento da própria FPA.
Hoje, 345 parlamentares integram a FPA, sendo 48 senadores e 297 deputados federais. Na Câmara, a frente representa 57,9% do total de parlamentares e integra comissões importantes como a do Meio Ambiente, Constituição e Justiça, Relações Exteriores, além da Agricultura.
Um dos maiores desempenhos da frente nesta eleição foi no Senado. Um em cada três senadores eleitos em 2026 é proveniente da bancada do agro na Câmara dos Deputados, conforme o levantamento da FPA. Das 54 cadeiras em disputa no Senado, 24 foram conquistadas por parlamentares da bancada do agro.
Ao todo, neste momento, sem as novas adesões, a FPA mantém pelo menos 40 cadeiras no Senado, conforme levantamento feito pelo Estadão/Broadcast com base no cruzamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e na lista de membros divulgados no site da bancada. O número considera seis senadores que foram reeleitos, de 18 que concorriam ao cargo.
Outros 18 deputados federais da bancada foram eleitos senadores, de 32 que disputaram a eleição para a Casa. Entre eles estão Zé Medeiros (PL-MT), Arthur Lira (PP-AL), Bia Kicis (PL-DF), Evair de Melo (Republicanos-ES), Gustavo Gayer (PL-GO), André Fufuca (PP-MA), Carlos Jordy (PL-RJ), Marcel van Hattem (Novo-RS), Domingos Sávio (PL-MG), Carol de Toni (PL-SC) e Guilherme Derrite (PP-SP).
Há ainda 18 senadores com mandato até 2031, caso da vice-presidente da FPA no Senado, senadora Tereza Cristina (PP-MS), e do senador Jaime Bagattoli (PL-RO). Destes com mandato até 2031, entretanto, os senadores Sergio Moro (PL-PR), Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) e Marcos Rogério (PL-Rondônia) deixarão a Casa já que foram eleitos governadores em seus Estados.
Com a nova formação de senadores a partir de 1º de fevereiro de 2027, a FPA já identificou possíveis senadores eleitos afinados com as pautas do setor. A lista inclui 15 novos nomes na Casa. A projeção da bancada é alcançar entre 50 e 55 senadores membros em 2027.
Na Câmara, dos atuais 297 deputados, 261 disputaram reeleição e 179 foram reeleitos – o equivalente a um em cada três. Entre os reeleitos, as deputadas coronel Fernanda (PL-MT), que encampou o fim da moratória da soja como bandeira, e Julia Zanatta (PL-SC) foram as mais votadas nos seus Estados.
O presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), foi reeleito. O deputado federal Zé Vitor (PL-MG), cotado a sucessão na FPA a partir de 2027, também foi reeleito com votação expressiva.
Para obter a maioria na Câmara, a bancada precisa angariar a adesão de 78 novos deputados. A frente mapeia que contará com cerca de 330 deputados a partir de fevereiro de 2027, considerando os que assumirão novo mandato e possuem ligação com a pauta do agronegócio.
Governadores
Para além do Congresso Nacional, nos Estados, cinco governadores ligados à bancada da agropecuária foram eleitos no 1º turno, com Eduardo Riedel (PP), no Mato Grosso do Sul, Cleitinho Azevedo (Republicanos), em Minas Gerais; Sergio Moro (PL), no Paraná; Marcos Rogério (PL), em Rondônia; e Luciano Zucco, no Rio Grande do Sul (PL).
No Tocantins e no Acre, o segundo turno terá membros da frente com o senador Alan Rick (Republicanos) no Acre, e senadora Professora Dorinha (União Brasil) e o deputado federal Vicentinho Júnior (PSDB) no Tocantins. Em Mato Grosso, a vice-governadora eleita Gisela Simona (União) é membro da frente como deputada.
Atual presidente da frente e reeleito para o mandato, Lupion está confiante na adesão de novos parlamentares com “vocação agro” na reconfiguração e crescimento da frente em 2027. Para ele, o desempenho dos parlamentares integrantes da bancada no pleito está atrelado à defesa da pauta agropecuária e ao posicionamento político dos membros, localizados no espectro da centro-direita à direita.
“Foi um desempenho muito bom em uma eleição com uma onda muito forte da direita radical. As questões que defendemos, como a redução dos gastos públicos, e o posicionamento dos parlamentares fazem esse resultado. No Senado tivemos um crescimento absoluto exponencial e queremos eleger Tereza Cristina a presidente da Casa”, disse ao Estadão/Broadcast.
Bancada perde nomes de peso no Congresso
Apesar da elevada taxa de conversão, a bancada perde nomes de peso no Congresso. Na Câmara dos Deputados, entre seus principais articuladores, o vice-presidente da Frente, deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) não disputou o pleito e deixará a casa em fevereiro.
Também vice-presidente da FPA na Câmara e presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara, o deputado federal Luiz Nishimori (PSD-PR) não foi reeleito, mas ficou como suplente. A presidente da Frente Parlamentar em Apoio ao Produtor de Leite, deputada federal Ana Paula Leão (PP-MG), também não alcançou a reeleição, ficando com uma das suplências do Estado.
O ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP), renunciou à disputa ao Senado por São Paulo e ficará de fora da Câmara. Também atuante na frente, deputado federal Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR) não concorreu a novo mandato na Câmara. Já o deputado federal Nelson Barbudo (Podemos-MT) também não conseguiu garantir sua permanência, bem como Zé Silva (União-MG).
No Senado, não disputaram o pleito e perderão mandato em fevereiro os senadores Irajá (PSD-TO), Jayme Campos (União-MT) e Luis Carlos Heinze (PP-RS). O presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, Zequinha Marinho (Podemos-PA), e o senador Esperidião Amin (PP-SC) não conseguiram renovar os mandatos.
Em contrapartida, nomes que atuam em pautas consideradas importantes para o setor e compõem a diretoria responsável pelas decisões da bancada conquistaram novo mandato. Além de Lupion e Zé Vitor, o ex-presidente da frente e integrante da diretoria, deputado federal Sérgio Souza (MDB-PR) foi reeleito.
O deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), que atua em pautas relacionadas ao biodiesel, foi outro que garantiu sua vaga, assim como o deputado federal Afonso Hamm (PP-RS), que é relator do PL da securitização das dívidas rurais. Marussa Boldrin (Republicanos-GO), Rafael Pezenti (MDB-SC) e Tião Medeiros (PP-PR).
Fonte: Estadão