terça-feira, 20 janeiro, 2026 01:35
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Área de sorgo cresce mais de 7.700% em MS e consolida cultura como estratégia da segunda safra

de Redação Bonitonet
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O avanço acelerado do sorgo na segunda safra em Mato Grosso do Sul indica que a cultura deixou de ser apenas uma alternativa emergencial e passou a integrar, de forma planejada, as decisões econômicas do produtor rural. Em cinco safras, a área cultivada saltou de pouco mais de 5 mil hectares para cerca de 400 mil hectares, crescimento superior a 7.700%, segundo dados do SIGA.

Crescimento acelerado e dados oficiais

Os números constam nos levantamentos do SIGA (Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio), ferramenta gerida pelo Governo do Estado, por meio da Semadesc, em parceria com a Aprosoja. As informações indicam que a área plantada com sorgo em Mato Grosso do Sul passou de aproximadamente 5 mil hectares no início da década de 2020 para quase 400 mil hectares na safra 2024/2025.

Os dados do SIGA convergem com levantamentos da Conab e do IBGE, que apontam o fortalecimento da cultura ao longo dos últimos anos, mas evidenciam com maior precisão a velocidade e a distribuição territorial desse crescimento no Estado.

Mercado como fator decisivo

De acordo com o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, o avanço do sorgo não ocorre de forma casual. Segundo ele, os dados demonstram que o principal fator de expansão da cultura é o mercado, especialmente a demanda gerada pelas usinas de etanol de milho instaladas em Mato Grosso do Sul.

A análise do SIGA mostra que a virada mais significativa ocorre a partir da safra 2021/2022, quando o sorgo começa a ganhar escala. Após ajustes naturais, a cultura volta a avançar de forma mais intensa na safra 2024/2025, praticamente dobrando de área. Para Verruck, esse comportamento confirma a consolidação do sorgo no planejamento da safrinha, sobretudo em áreas com janela curta após a soja e maior risco climático.

Distribuição territorial da cultura

Na safra mais recente, cerca de metade da área de sorgo de segunda safra no Estado concentrou-se em dez municípios, com destaque para Ponta Porã e Maracaju, seguidos por Bonito, Bela Vista e Sidrolândia. O recorte territorial indica que o sorgo avança principalmente em regiões onde o milho enfrenta maiores limitações climáticas ou de janela de plantio, atuando como ferramenta de gestão de risco produtivo.

Alternativa consolidada para a safrinha

Para o secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, os dados do SIGA demonstram que o sorgo vem se firmando ao longo dos anos como alternativa viável para a segunda safra. Segundo ele, por ser mais resistente às intempéries climáticas e a problemas sanitários, a cultura se adapta melhor a áreas marginais, onde o milho encontra mais dificuldades.

Beretta avalia ainda que a consolidação das usinas de álcool de cereais alterou a lógica do plantio. Com contratos de compra, mercado garantido e estrutura de armazenagem, entraves históricos da cultura foram superados, ampliando a segurança econômica para o produtor rural.

Cenário nacional e projeções

No cenário nacional, as projeções indicam que o Brasil deve ultrapassar 6,6 milhões de toneladas de sorgo na safra 2025/2026, com Mato Grosso do Sul ocupando a quarta posição entre os maiores produtores, conforme levantamento da Conab divulgado em dezembro de 2025. Para Jaime Verruck, o desempenho do sorgo no Estado demonstra que a combinação entre mercado estruturado, contratos e planejamento de longo prazo contribui para reduzir riscos, ampliar a produtividade e fortalecer o desenvolvimento do setor.

Fonte:IDEST

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