segunda-feira, 19 janeiro, 2026 22:41
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O que anda acontecendo com os eventos culturais em Bonito?

de @bonitonet
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Bonito sempre foi reconhecida não apenas por suas belezas naturais, mas pela força da sua cultura viva: artesãos, artistas, feiras, festas populares, encontros na praça, manifestações que constroem pertencimento e identidade coletiva. Por isso, causa estranhamento e preocupação, o silêncio que vem se instaurando no setor cultural da cidade.

Mesmo após o prefeito e vice-prefeita, Josmail Rodrigues e Juliane Salvadori respectivamente, junto ao deputado federal Dagoberto Nogueira, postarem nas redes sociais o apoio para a realização da 21ª edição do Festival da Guavira o mesmo não foi realizado sem qualquer nota oficial, explicação pública ou diálogo com a comunidade, não é apenas a ausência de um evento. É a ausência de transparência. O mesmo se repete com o fim das casinhas de Natal na Praça da Liberdade, que historicamente acolhia artesãos e vendedores ambulantes, fortalecendo a economia criativa e o espírito coletivo do período. Mais uma vez, o que se viu foi o vazio. Sem comunicado, sem justificativa, sem escuta.

E dois outros eventos tradicionais na cidade, o Bonito Blues & Jazz Festival e Bonito de La Musique ambos com 10 edições realizadas deixaram de acontecer em função de desacordo com a administração municipal que nada fez para apoiar a realização dos mesmos, muito pelo contrário, dificultou de todas as formas para que ambos continuassem a serem realizados como já havia tornado tradição no calendário de eventos do município.

A cultura não se faz apenas de agendas cheias, mas de processos participativos, respeito aos fazedores de cultura e comunicação clara com a sociedade. Quando o questionamento legítimo passa a ser tratado como “ruído” e pessoas são removidas de espaços coletivos por pedirem informações, algo se rompe no pacto democrático. Questionar não é desorganizar; é exercer cidadania.

Chama atenção, ainda, que os eventos que vêm ocorrendo majoritariamente tenham caráter religioso, financiados com recursos públicos. Em um Estado laico, isso exige debate, critérios claros e equilíbrio, não imposição, nem silenciamento das vozes divergentes.

Esse cenário se agrava quando inserido em um contexto mais amplo: uma cidade que recentemente foi palco de prisões por corrupção, denúncias de desvio de verba pública, mudanças de partido político e uma crescente sensação de lacunas institucionais. Tudo isso reforça a necessidade de mais diálogo, mais informação e mais responsabilidade pública, e não menos.

Cultura não é favor, não é ornamento e não é privilégio. É direito constitucional, é economia, é memória, é futuro. Silenciar perguntas não resolve crises; apenas aprofunda distâncias.

Bonito merece mais do que o silêncio. Merece explicações, participação social e políticas culturais que respeitem sua diversidade, sua história e seu povo.

Fonte: Redação

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