quarta-feira, 4 novembro, 2026 11:48
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Inadimplência desacelera em MS e mercado avalia efeito de bets

de Redação Bonitonet
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A inadimplência em Mato Grosso do Sul praticamente parou de crescer em setembro. O Estado registrou apenas 203 novos consumidores negativados, alta de 0,02%, a menor variação mensal deste ano.

Para o mestre em Economia Eugênio Pavão, o fim das bets pode ajudar a frear a alta ao interromper parte da saída de renda das famílias com apostas. A Serasa, porém, afirma não ter estudos que comprovem essa relação.

Conforme dados enviados pela Serasa ao Correio do Estado, o número de inadimplentes passou de 1.325.423 em agosto para 1.325.626 em setembro.

Apesar da estabilidade recente, o estoque de consumidores com o nome restrito permanece acima de 1,32 milhão e acumula crescimento de 59.027 pessoas desde janeiro, quando eram 1.266.599 negativados.

A evolução mensal mostra que o ritmo de crescimento oscilou ao longo do ano. Em fevereiro, o número de inadimplentes aumentou em 8.478 pessoas. Em março, foram mais 16.858, e em abril, 12.180.

O avanço perdeu força em maio, com 2.871 novos negativados, mas voltou a acelerar em junho, quando o estoque cresceu em 5.930 pessoas.

Em julho, a variação foi de apenas 137 consumidores, antes de o número subir em 12.370 em agosto. O resultado de setembro, com acréscimo de 203 pessoas, representa uma das menores variações mensais do ano.

APOSTAS
Segundo o economista Eugênio Pavão, a perda de dinheiro com apostas teve impacto significativo sobre as finanças das famílias, principalmente entre consumidores que já estavam endividados.

“A perda de dinheiro com apostas pesou significativamente, principalmente devido ao alto endividamento, que destruiu rendas”, afirma.

O economista compara o cenário atual ao período em que os bingos foram proibidos no País. Segundo ele, a medida foi adotada como forma de corrigir distorções e desvios da arrecadação, mas pouco contribuiu para os clubes de futebol, que tinham relação com a atividade.

Na avaliação de Pavão, as bets ampliaram o alcance dos jogos ao permitir apostas individuais por meio de plataformas com estrutura internacional.

“Agora as bets, com estrutura internacional, fizeram com que o jogo se tornasse um vício, porém, com acesso individualizado, e cooptado por vários grupos de poder [empresários, donos de clubes, ex jogadores, influenciados, etc]. O fim das bets trancou um vazamento das rendas das famílias”, conclui.

A avaliação do economista encontra respaldo no levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que estima que a inadimplência do consumidor relacionada às bets retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista entre janeiro de 2023 e março deste ano.

O montante equivale ao volume de vendas dos períodos de Natal de 2024 e 2025.

Segundo a CNC, os gastos dos brasileiros com plataformas eletrônicas de apostas superaram R$ 30 bilhões por mês no período analisado. A entidade estima que esse comprometimento da renda pode ter levado 270 mil famílias à inadimplência severa, caracterizada por atrasos de 90 dias ou mais.

Para a confederação, as apostas vão além do entretenimento e representam um risco para a saúde financeira das famílias, ao direcionar recursos que poderiam ser destinados ao comércio e ao consumo.

O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, afirmou que, em situações de aperto financeiro, os consumidores tendem a sacrificar gastos não essenciais e até despesas básicas.

“Podem deixar de trocar de celular ou podem deixar de comprar uma peça de vestuário por causa de agravamento da sua dívida”, exemplifica Bentes.

SERASA
Questionada sobre a hipótese de que o encerramento das apostas on-line tenha contribuído para a desaceleração da inadimplência, a Serasa informou que não possui estudos ou pesquisas capazes de comprovar essa relação.

A instituição reforça a importância do planejamento financeiro e da organização do orçamento para que cada pessoa tome decisões alinhadas às necessidades pessoais, incluindo a possibilidade de priorizar a quitação de dívidas.

A estabilidade no número de consumidores negativados também não significa, necessariamente, redução do endividamento. Em setembro, o estoque de dívidas continuou avançando em Mato Grosso do Sul.

O Estado passou de 6.287.531 débitos em agosto para 6.337.920 em setembro, aumento de 50.389 dívidas. O valor total devido subiu de R$ 11,27 bilhões para R$ 11,37 bilhões. Já a dívida média por consumidor passou de R$ 8.502,52 para R$ 8.581,12.

Assim, mesmo com a pequena variação no número de pessoas inadimplentes, o volume de débitos e o montante total devido continuaram crescendo.

Em setembro, Mato Grosso do Sul contabilizou 1.325.626 consumidores inadimplentes, que acumulavam 6,34 milhões de dívidas, somando R$ 11,37 bilhões. O valor médio de cada débito foi de R$ 1.794,81.

Consumo de itens básicos deve crescer 
A proibição das apostas virtuais no Brasil impulsionou o consumo nos supermercados em 6,5%, segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Segundo a entidade, o volume de compras subiu em supermercados, atacarejos e mercearias após a publicação da Medida Provisória nº 1.394/2026, no dia 25 de setembro, favorecendo itens como arroz, óleo, macarrão e café.

De acordo com o presidente da Associação Sul-mato-grossense de Supermercados (Amas), Eder Luís de Oliveira, em MS ainda não há grandes mudanças no consumo.

“Por isso, acreditamos que o processo será lento, mas se a proibição se mantiver, as famílias passarão a utilizar os valores que antes eram destinados às apostas nos supermercados, principalmente”.

Oliveira ainda avalia que os valores destinados às apostas on-line saiam das despesas básicas.

“Então a tendência é de que, com o fim das bets, ele [o dinheiro] retorne ao consumo. A previsão é de que esses valores retornem aos supermercados de forma gradativa, mesmo porque há um nível de endividamento muito alto da população”, finaliza.

Fonte:Correiodoestado

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