Herdeiros integrantes da geração z e millennial aguardam ansiosamente pela Grande Transferência de Riqueza de US$ 124 trilhões quando receberiam a fortuna de seus pais. No entanto, muitos ficarão decepcionados. Novos dados indicam que os baby boomers estão gastando seu dinheiro em viagem, ao invés de reservá-lo para as futuras gerações. Isso se tornou tão comum que a tendência ganhou até nome: ski-ing – o ato de ski, sigla em inglês para “spending the kids’ inheritance” (ou gastar a herança dos filhos).
Novos dados da Abta – maior associação de agências de viagens da Grã-Bretanha, a Travel Advice & Holiday Information é conhecida pela sigla de seu antigo nome, Association of British Travel Agents – mostram que 82% das pessoas acima de 65 anos viajaram nos últimos 12 meses, um crescimento de cinco pontos porcentuais em relação a dois anos atrás. O CEO da empresa afirma que o aumento nas viagens de pessoas mais velhas se deve especificamente ao fato de elas estarem gastando dinheiro que faria parte da herança de seus filhos.

Um outro relatório, da empresa de previdência Standard Life, constatou que um em cada sete pais britânicos pretende priorizar usufruir de seu dinheiro na aposentadoria, em vez de deixar de herança para os filhos.
Muito dinheiro em caixa, imóvel próprio e gastando tudo
Os baby boomers estão vivendo mais do que as gerações anteriores e também têm mais dinheiro do que seus pais e avós jamais tiveram. Então, em vez de ficar ociosos ou assistindo à TV durante o dia, eles estão aproveitando viagens na praia e viagens curtas para cidades.
Como Mark Tanzer, CEO da Abta, disse ao jornal americano The New York Times: “Essa geração provavelmente está mais em forma do que costumava ser. O imóvel está quitado. Eles estão começando a receber a aposentadoria e têm bastante dinheiro em caixa”. E, com essa abundância de tempo e recursos financeiros, eles nem deixam o custo de vida atrapalhar o prazer que sentem. Quando questionados se a preocupação com o custo de vida afetaria seus planos de viagems nos próximos 12 meses, quase metade dos maiores de 65 anos disse que isso “não ”.
“Essa geração provavelmente está mais em forma do que costumava ser. O imóvel está quitado. Eles estão começando a receber a aposentadoria e têm bastante dinheiro em caixa”, Mark Tanzer, CEO da Abta, associação de agências de viagens da Grã-Bretanha.
Ao contrário dos mais jovens, muitos baby boomers não precisam se preocupar com o aumento dos aluguéis ou do preço da alimentação. Na verdade, sua renda disponível continua aumentando, de acordo com o Institute for Fiscal Studies (instituto do Reino Unido de pesquisas econômicas). Tendo trabalhado a vida toda para conquistá-la, muitos decidiram que chegou a sua vez de aproveitar cada centavo – afinal, não se leva nada deste mundo.
“Acho que eles têm mais renda disponível e querem ter experiências”, acrescentou Tanzer. “Pode ser que pensem: ‘simplesmente não quero deixar isso para os meus filhos’. Mas certamente não querem deixar para o fisco. Existe aquela sensação de ‘bem, se eu não gastar, vai acabar indo para o imposto sobre a herança’.”

Nos Estados Unidos, uma filosofia: morrer sem nada
Essa tendência não é exclusiva da Grã-Bretanha. Em 2024, uma pesquisa da Northwestern Mutual com 4.500 americanos revelou que apenas 22% dos baby boomers esperam deixar alguma herança e que mais da metade claramente planeja não deixar. Somente 11% afirmaram que deixar algo para os filhos é seu principal objetivo financeiro.
Alguns baby boomers encaram isso como uma filosofia: morrer sem nada. Eles fazem de tudo para aproveitar ao máximo sua riqueza enquanto ainda estão vivos e morrer com zero dólares na conta bancária. “É uma pena ver pessoas morrendo com tanto dinheiro em um emprego que não gostam ou com pessoas de quem não gostam”, disse o consultor de finanças pessoais James Beckett à revista Fortune. “Elas entram no piloto automático, acumulando riqueza sem pensar para que isso servirá.”
Mas será um choque enorme para os herdeiros quando abrirem os testamentos dos pais e não encontrarem nada. Mais da metade da geração Z e quase 60% dos millennials disseram que dependem de uma herança para se aposentarem com conforto.