terça-feira, 20 outubro, 2026 10:47
Home PolíticaTurbinado por empresários, Flávio recebe R$ 20 milhões em doações privadas no 2º turno, 29 vezes o arrecadado por Lula

Turbinado por empresários, Flávio recebe R$ 20 milhões em doações privadas no 2º turno, 29 vezes o arrecadado por Lula

de @bonitonet
0 comentários


Representantes do agronegócio, da construção civil e da indústria estão entre os principais financiadores

As doações privadas para a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) dispararam neste segundo turno e alcançaram R$ 20,3 milhões, quase 29 vezes o valor arrecadado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de R$ 709,1 mil. Com empresários do agronegócio, da construção civil e da indústria entre os principais financiadores, as contribuições de pessoas físicas representam cerca de 76% dos R$ 26,8 milhões recebidos pelo candidato do PL no período.

Os números das prestações de contas parciais apresentadas pelas campanhas à Justiça Eleitoral demonstram que a campanha de Flávio tem apelado mais ao recurso privado para reforçar o caixa da eleitoral neste segundo turno. As prestações de contas foram registradas em 16 e 17 de outubro, respectivamente, por Lula e Flávio.

As doações de empresários para campanha de Flávio dispararam após o candidato largar na frente no primeiro turno. Na comparação com o primeiro turno — R$ 6,95 milhões —, os valores se multiplicaram em quase três vezes.

Flávio tem contado com forte apoio de empresários do agronegócio, ao menos R$ 7,8 milhões em doações de pessoas do setor neste segundo turno. O empresário Elói Vitório Marchett, produtor de soja do Mato Grosso, foi responsável pela maior doação, de R$ 2 milhões.

Integrantes da família Maggi, tradicional no agronegócio de Mato Grosso, doaram conjuntamente R$ 1,5 milhão à campanha de Flávio Bolsonaro desde o primeiro turno. Elizeu Zulmar Maggi Scheffer e sua esposa, Carolina Mognon Scheffer, fundadores do Grupo Scheffer, gigante do agro brasileiro, contribuíram com R$ 500 mil cada.

Outros R$ 500 mil vieram de Samuel Maggi Locks, ligado ao Grupo Locks, empreendimento de outro ramo da família.

Felipe Eleutério Alvares Vaz, sócio do Frigorífico Goiás de Catalão, doou R$ 800 mil para Flávio no último dia 15. Gilson Lari Trennepohl, proprietário da Stara, uma das maiores empresas de máquinas agrícolas da América Latina, enviou R$ 500 mil para a campanha no dia 14.

O setor é historicamente mais alinhado com o bolsonarismo. Dois dias após o primeiro turno, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) declarou apoio à candidatura de Flávio. O deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR) mencionou o cenário de juros altos sob a gestão de Lula como um dos motivos para justificar a decisão.

A aproximação do agronegócio com a candidatura de Flávio também ocorre em meio a reivindicações do setor por mudanças na política econômica e agrícola. Entre as principais demandas apresentadas pela bancada ruralista estão a ampliação do acesso ao crédito rural, o fortalecimento do seguro agrícola, a regularização fundiária e medidas para reduzir a dependência de fertilizantes importados.

O setor da construção civil foi o segundo maior contribuinte para campanha de Flávio no segundo turno, com ao menos R$ 2,4 milhões. Da indústria calçadista, o empresário Alexandre Grendene, fundador e maior acionista da fabricante de calçados que leva o nome da família e é dona de marcas como Melissa e Rider, enviou R$ 1 milhão para à campanha no último dia 16.

Do outro lado, a campanha petista registrou um volume consideravelmente menor na arrecadação de recursos privados. Foram R$ 678,9 mil em recursos de financiamento coletivo neste segundo turno, e R$ 30,2 mil em doações. Isso corresponde a apenas 3,4% dos R$ 20,71 milhões registrados desde o dia 5 de outubro.

A campanha de Lula tem sido financiada principalmente pelos R$ 20 milhões em recursos do Fundo Eleitoral que foram transferidos pelo PT no dia 8 de outubro.

Desde 5 de outubro, o PL destinou cerca de R$ 6 milhões à campanha presidencial de Flávio: R$ 4 milhões do Fundo Partidário, e outros R$ 2,46 milhões do partido para locação de aviões.

O PL e o PT concentram 30% dos recursos do Fundo Eleitoral nas eleições de 2026. O PL ficou com a maior fatia do fundo, recebendo R$ 881,7 milhões, o equivalente a 17,77% do total. Já o PT teve direito a R$ 615,4 milhões, ou 12,4% dos recursos.

Embora a divisão do Fundo Eleitoral entre os partidos siga critérios estabelecidos pela legislação, que levam em consideração principalmente a representação das siglas no Congresso, cabe às próprias legendas definir como os recursos serão distribuídos entre seus candidatos. Com isso, cada partido tem autonomia para estabelecer o volume de dinheiro destinado à disputa presidencial, observadas as regras legais de distribuição.

O Fundo Eleitoral foi criado em 2017 após a proibição das doações empresariais para campanhas políticas. Desde então, tornou-se a principal fonte de financiamento das disputas eleitorais no país.

Apesar da proibição das doações empresariais, os donos e sócios de empresas podem contribuir com recursos próprios, como pessoas físicas. Pela legislação eleitoral, cada doador pode destinar às campanhas até 10% dos rendimentos brutos declarados no ano anterior à eleição, com exceções previstas para determinadas doações estimáveis em dinheiro. Assim, empresários de alta renda podem realizar contribuições milionárias dentro das regras eleitorais.

A campanha Flávio tem recorrido menos aos recursos públicos, na medida que conta com mais doações privadas. Ao longo de toda a disputa, o partido destinou R$ 67,5 milhões dos R$ 95,5 milhões arrecadados pela candidatura, considerando os repasses do FEFC e do Fundo Partidário.

O PT, por outro lado, financiou cerca de R$ 100 milhões à campanha presidencial de Lula, somando o primeiro e segundo turno.

Fonte: OGlobo

Você também pode gostar

-
00:00
00:00
Update Required Flash plugin
-
00:00
00:00