terça-feira, 29 setembro, 2026 17:43
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Temporal deixa R$ 42,6 milhões em prejuízos para produtores rurais no Sul do RS

de @bonitonet
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Levantamento atribuído à Emater/RS aponta perdas em dez municípios e 12 atividades agropecuárias; produção de pêssego concentra mais da metade do prejuízo estimado na região

O temporal que atingiu o Sul do Rio Grande do Sul em 21 de setembro deixou uma conta milionária dentro das propriedades rurais. Levantamento da Emater/RS, consolidado em 28 de setembro, estima em R$ 42,6 milhões os prejuízos em dez municípios da região, considerando danos registrados em 12 segmentos da agropecuária.

A fruticultura aparece no centro das perdas. Apenas os pomares de pêssego tiveram prejuízo estimado em R$ 24,32 milhões, o equivalente a aproximadamente 57% de todo o valor contabilizado. Também houve impactos relevantes em benfeitorias, insumos, morango, canola, hortaliças, produção leiteira, fumo, trigo, oliveiras e apicultura.

A avaliação econômica dá uma nova dimensão aos efeitos do episódio climático. Nos primeiros momentos após a tempestade, os registros estavam concentrados em quedas de árvores, destelhamentos, falta de energia e danos à infraestrutura. Com o avanço das vistorias nas propriedades, passou a ser possível mensurar parte do impacto diretamente sobre a produção rural.

Pelotas responde por quase metade do prejuízo apurado
Entre os municípios avaliados, Pelotas apresenta a maior perda financeira: R$ 20.112.500, aproximadamente 47% do total regional.

O pêssego responde pela maior parte desse montante, com R$ 18,57 milhões em danos. As estruturas utilizadas na produção de frutas e hortaliças tiveram perdas avaliadas em R$ 800 mil, enquanto a canola soma outros R$ 742,5 mil.

A intensidade do fenômeno no município foi confirmada por levantamentos oficiais. Na madrugada do dia 21, a estação da Defesa Civil de Pelotas registrou 42 milímetros de chuva e ventos de até 89 km/h. A Secretaria de Desenvolvimento Rural começou ainda no mesmo dia a percorrer os oito distritos do município para avaliar estradas, propriedades e áreas produtivas.

Nos dias seguintes, a extensão dos estragos continuou aparecendo. A prefeitura contabilizou mais de mil árvores tombadas ou danificadas, tanto na zona urbana quanto rural, enquanto problemas de energia e comunicação dificultaram inicialmente a avaliação completa das comunidades do interior.

Pêssego concentra R$ 24,3 milhões em perdas
Nenhuma atividade rural apresentou impacto financeiro tão elevado quanto a produção de pêssego.

Além dos R$ 18,57 milhões registrados em Pelotas, os danos foram estimados em R$ 4,75 milhões em Canguçu e R$ 1 milhão em Piratini. Juntos, os três municípios chegam aos R$ 24,32 milhões atribuídos à cultura.

A concentração é significativa porque significa que, de cada R$ 100 contabilizados no levantamento regional, aproximadamente R$ 57 estão associados aos pomares de pêssego.

Diferentemente de danos pontuais em infraestrutura, perdas em frutas podem atingir diretamente a receita esperada pelo agricultor naquela safra. Ventos fortes e granizo podem derrubar frutos, causar lesões que reduzem seu valor comercial e comprometer partes produtivas das plantas.

O episódio ocorreu dentro de uma sequência de condições severas observadas no Rio Grande do Sul em setembro. Antes da tempestade, a Defesa Civil já alertava para a possibilidade de granizo de grande porte e rajadas superiores a 100 km/h em diferentes áreas do Estado.

O risco de eventos extremos no período já vinha sendo acompanhado diante da sequência de tempestades severas registrada no Centro-Sul do país.

Estruturas e insumos elevam prejuízo fora dos pomares
O segundo maior grupo de perdas está relacionado a benfeitorias e insumos, com aproximadamente R$ 8,83 milhões.

A maior parcela foi registrada em Capão do Leão, onde esse tipo de dano chegou a R$ 7,5 milhões. Somando todas as atividades afetadas, o município contabiliza R$ 8.438.460 em prejuízos, ficando atrás apenas de Pelotas no levantamento regional.

Além das estruturas e insumos, Capão do Leão registrou perdas de:

  • R$ 508,6 mil na canola;
  • R$ 187,5 mil no morango;
  • R$ 165 mil na produção de leite;
  • R$ 52,36 mil no trigo e
  • R$ 25 mil em hortaliças.

A destruição de estruturas representa uma dificuldade adicional para o produtor porque o impacto não termina necessariamente com a perda de uma cultura. Estufas, coberturas e instalações precisam ser reparadas ou substituídas para que a propriedade consiga recuperar sua capacidade produtiva.

Canguçu, Turuçu e Piratini têm perdas superiores a R$ 2 milhões
Canguçu ocupa a terceira posição no levantamento, com prejuízo total estimado em R$ 5.158.000.

Quase todo o montante está relacionado ao pêssego: R$ 4,75 milhões. O município ainda contabiliza R$ 320 mil em estruturas destinadas a hortaliças e frutas, R$ 48 mil na atividade leiteira e R$ 40 mil em estufas utilizadas na produção de fumo.

Em Turuçu, as perdas atingem R$ 2.385.120. O fumo aparece com R$ 1.149.120, seguido pelo morango, com R$ 1,056 milhão, e pelas hortaliças, com R$ 180 mil.

Já Piratini soma R$ 2.343.201, distribuídos principalmente entre pêssego e morango, com R$ 1 milhão para cada cultura. Os olivais tiveram prejuízo de R$ 240 mil, enquanto a produção leiteira respondeu por pouco mais de R$ 103 mil.

Morango, canola e hortaliças também entram na conta
Embora o pêssego seja responsável pelo maior impacto financeiro, a distribuição das perdas revela que o temporal atingiu sistemas produtivos bastante diferentes.

O morango soma cerca de R$ 2,54 milhões em Capão do Leão, Turuçu, Piratini e Rio Grande.

Na canola, os registros de Pelotas, Capão do Leão e Pedro Osório totalizam aproximadamente R$ 1,69 milhão.

As hortaliças também sofreram prejuízos milionários. Só Arroio do Padre contabiliza R$ 1,176 milhão nessa atividade. Considerando também Capão do Leão, Turuçu, Rio Grande e Pinheiro Machado, o valor passa de R$ 1,46 milhão.

Esses números ajudam a mostrar por que eventos com vento forte, granizo e chuva intensa podem produzir efeitos muito diferentes dentro de uma mesma região. Cada atividade tem calendário, estruturas e níveis de exposição próprios.

Os efeitos do excesso de precipitação sobre áreas agrícolas também dependem das características do solo e da drenagem. Em situações prolongadas, o excesso de água pode causar estresse nas lavouras, além dos danos físicos provocados diretamente pelo vento e pelo granizo.

Temporal atingiu diferentes regiões do Rio Grande do Sul
A tempestade do dia 21 não ficou restrita ao Sul. Segundo a Defesa Civil estadual, a sequência de instabilidades entre os dias 20 e 21 provocou chuva intensa, vendavais, granizo, enxurradas, deslizamentos e outros danos em diferentes regiões do Rio Grande do Sul.

O órgão informou que 151 municípios haviam registrado algum tipo de impacto até o balanço publicado no dia seguinte ao evento.

Antes da chegada do sistema, os boletins meteorológicos já indicavam possibilidade de rajadas acima de 100 km/h, granizo e tempestades severas para a madrugada de segunda-feira em grande parte do Estado. O período também apresentava risco de chuva volumosa em outras regiões gaúchas.

A força do temporal chegou a provocar rajadas superiores a 100 km/h e interrupções generalizadas no fornecimento de energia.

No Sul do Estado, porém, o avanço das vistorias agora permite dimensionar também a parcela econômica do desastre dentro das propriedades.

Valor ainda pode sofrer atualização
Os R$ 42,6 milhões representam os prejuízos identificados pela Emater/RS nos dez municípios considerados na consolidação divulgada em 29 de setembro. O número reúne perdas na produção agrícola e pecuária, além de danos em estruturas e insumos.

Como ainda havia município com levantamento pendente, o total deve ser interpretado como uma estimativa baseada nas informações disponíveis até a consolidação de 28 de setembro, e não como uma avaliação necessariamente definitiva de todos os danos provocados pelo temporal na agropecuária da região.

Para os produtores atingidos, a extensão econômica do problema também depende do tipo de perda. Uma lavoura comprometida representa redução da receita da safra; uma estrutura destruída, por outro lado, pode exigir novos investimentos antes mesmo de a propriedade recuperar sua capacidade normal de produção.

O levantamento transforma, assim, os danos visíveis deixados pela tempestade em uma medida concreta de seu impacto econômico no campo — e mostra que a fruticultura, especialmente o pêssego, ficou no centro das perdas registradas no Sul gaúcho.

Fonte: Compre Rural

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