sábado, 29 agosto, 2026 18:20
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Sete cooperativas assumem gigante da soja que pertencia à Louis Dreyfus no Paraná

de Redação Bonitonet
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Unidade de Ponta Grossa passa ao controle de Frísia, Agrária, Capal, Coasul, Integrada, Castrolanda e Bom Jesus; complexo pode processar 3,4 mil toneladas de soja por dia e produzir óleo para biocombustíveis, farelo e lecitina.

Um dos maiores movimentos recentes do cooperativismo agropecuário do Paraná já está funcionando. Sete cooperativas assumiram conjuntamente uma grande indústria de processamento de soja em Ponta Grossa (PR) que pertencia à multinacional Louis Dreyfus Company (LDC). A unidade passou oficialmente para o novo grupo em 1º de agosto e começou a produzir dois dias depois, inaugurando uma estratégia para levar as cooperativas além da produção de grãos e aumentar a participação na industrialização da soja.

A operação reúne Frísia, Agrária, Capal, Coasul, Integrada, Castrolanda e Bom Jesus. Juntas, elas representam aproximadamente 57 mil cooperados, 16 mil funcionários, 2,1 milhões de hectares cultivados e faturamento anual superior a R$ 47 bilhões. O empreendimento é apresentado pelas próprias cooperativas como o maior projeto de intercooperação já realizado no Paraná.

De multinacional para sete cooperativas

A movimentação começou a ganhar forma em março, quando a Frísia anunciou o acordo para aquisição da planta da Louis Dreyfus Company.

Posteriormente, as outras seis cooperativas entraram como sócias do empreendimento.

A transferência definitiva ocorreu em 1º de agosto de 2026 e, já no dia 3, a moagem de soja começou sob a nova administração.

A Frísia ficará responsável por liderar a gestão operacional do complexo.

A mudança é relevante porque coloca uma grande estrutura industrial que anteriormente fazia parte de uma multinacional global do comércio de commodities sob controle de cooperativas ligadas diretamente a milhares de produtores rurais paranaenses.

3,4 mil toneladas de soja por dia

A dimensão da unidade ajuda a explicar a importância do negócio.

Instalada em um terreno de aproximadamente 58 hectares, a Esmagadora Campos Gerais possui capacidade para processar cerca de 3,4 mil toneladas de soja por dia.

Se operasse nessa capacidade durante 300 dias, por exemplo, o volume ultrapassaria 1 milhão de toneladas de soja processadas no período.

O complexo também possui capacidade estática de armazenagem de aproximadamente 300 mil toneladas de grãos.

A estrutura não se resume ao esmagamento.

A planta reúne áreas para recepção, beneficiamento e armazenagem dos grãos, preparação da soja, extração de óleo e farelo, degomagem, envase de lecitina e refinaria.

Cerca de 200 pessoas trabalham diretamente no complexo.

Soja não vai sair apenas como grão

Esse é provavelmente o ponto econômico mais importante do negócio.

Ao assumir uma indústria desse porte, as cooperativas passam a participar de etapas posteriores da cadeia da soja. Em vez de comercializar exclusivamente o grão, existe a possibilidade de transformá-lo em produtos com diferentes mercados e aplicações.

A fábrica terá como principais produtos óleo de soja degomado, farelo, lecitina e casca de soja. O óleo terá como destino predominante a produção de biocombustíveis, enquanto o farelo poderá atender tanto o mercado brasileiro quanto as exportações.

Já a lecitina possui aplicação na indústria alimentícia, e os derivados da casca da soja são utilizados principalmente na alimentação animal.

Biocombustíveis entram no centro da estratégia

A destinação do óleo chama atenção porque conecta a operação a outro mercado em expansão no Brasil: os biocombustíveis. O óleo de soja continua sendo uma das principais matérias-primas utilizadas pela indústria brasileira de biodiesel.

Assim, uma esmagadora não depende exclusivamente da demanda pelo farelo ou da comercialização da soja em grão. Ela consegue acessar diferentes mercados a partir da mesma tonelada processada.

Para as cooperativas, essa verticalização pode ampliar as alternativas comerciais e reduzir a dependência da simples venda da commodity in natura.

R$ 1,7 bilhão previsto para modernização e expansão

O projeto não deve parar na estrutura que já existe. Informações divulgadas sobre o empreendimento apontam R$ 1,7 bilhão em investimentos previstos para modernização e ampliação do complexo industrial.

A expectativa é elevar a capacidade de processamento para aproximadamente 3,5 mil toneladas por dia, além de ampliar a industrialização e fortalecer a estrutura da unidade.

O movimento mostra que a aquisição não foi planejada apenas para manter a antiga operação da LDC funcionando. A intenção é transformar a planta em um ativo estratégico dentro da cadeia produtiva das próprias cooperativas.

57 mil produtores por trás da indústria

Existe uma diferença importante entre essa operação e uma aquisição industrial convencional. Por trás das sete cooperativas estão aproximadamente 57 mil associados.

Isso significa que a indústria passa a fazer parte de uma estrutura empresarial cuja base é formada principalmente por produtores rurais. Somadas, as cooperativas possuem cerca de 2,1 milhões de hectares cultivados.

Essa escala cria uma relação direta entre produção agrícola e capacidade industrial. Parte da soja produzida pelos próprios cooperados poderá alimentar uma estrutura capaz de transformar o grão em óleo, farelo, lecitina e outros produtos.

Por que cooperativas estão investindo em indústria?

A lógica está na agregação de valor. Quando uma tonelada de soja é vendida como grão, parte das margens das etapas seguintes fica com esmagadoras, indústrias e demais agentes da cadeia.

Quando cooperativas passam a participar do processamento, elas entram também nessa etapa do negócio. Isso não significa que industrializar automaticamente garanta margens maiores.

Uma esmagadora desse porte envolve custos elevados de energia, logística, manutenção, mão de obra, capital de giro e comercialização. Mas aumenta as possibilidades estratégicas.

A cooperativa pode vender soja em grão, transformar parte dela em óleo, direcionar farelo para alimentação animal, atender exportadores e aproveitar a demanda da indústria de biodiesel.

Um projeto que seria difícil fazer sozinho

O tamanho do investimento ajuda a explicar por que sete organizações decidiram compartilhar o empreendimento. Mesmo cooperativas de grande porte enfrentariam uma exposição financeira relevante ao assumir individualmente uma estrutura industrial dessa dimensão.

A chamada intercooperação permite dividir capital, riscos e capacidade de fornecimento. No caso da Esmagadora Campos Gerais, cada organização mantém sua própria identidade e operação, mas todas participam do mesmo ativo industrial. A Frísia assume a liderança da gestão.

Paraná amplia industrialização dentro do próprio estado

A localização também é estratégica. Ponta Grossa está em uma das regiões mais importantes do agronegócio paranaense e possui acesso a uma ampla estrutura de produção de grãos, rodovias e ligação logística com o Porto de Paranaguá.

Ao ampliar o processamento dentro do estado, parte da soja que poderia seguir como commodity passa por uma etapa industrial antes de chegar ao consumidor ou aos mercados internacionais.

É exatamente esse movimento que o cooperativismo paranaense tenta ampliar: deixar de participar apenas da produção e comercialização agrícola para ocupar uma parcela maior da cadeia de transformação dos produtos do campo. A antiga esmagadora da Louis Dreyfus agora representa um dos maiores exemplos dessa estratégia.

Sete cooperativas, 57 mil associados e mais de dois milhões de hectares cultivados passam a ter participação em uma indústria capaz de processar milhares de toneladas diariamente.

Mais do que uma troca de controle de uma fábrica, o negócio coloca produtores rurais, por meio de suas cooperativas, diretamente dentro de uma das etapas mais valiosas da cadeia da soja.

Fonte:comprerural

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