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Argentina, Paraguai e Uruguai: América do Sul ganha migalhas pelo centenário da Copa em 2030

de Redação Bonitonet
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Copa do Mundo 2026 foi encerrada neste domingo com o título da Espanha/Argentina, mas a Fifa já trabalha na realização do próximo Mundial, em 2030, quando o mais nobre torneio de seleções completará 100 anos. Seis países de três continentes diferentes vão receber partidas. Na América do Sul, palco da primeira edição, quando o Uruguai se sagrou campeão em casa, serão realizados apenas três jogos. O restante da disputa acontecerá na Espanha, Portugal e Marrocos.

Espanha, Portugal e Marrocos foram definidos como sedes da Copa de 2030 em outubro de 2023. Oito meses antes, o quarteto formado por Uruguai, Argentina, Paraguai e Chile oficializou a candidatura para receber o Mundial. A Conmebol tinha a expectativa de convencer a Fifa de realizar o torneio na América do Sul, mas optou por levar o torneio para a Europa e a Ásia.

O Chile reagiu com indignação ao ser excluído da organização da Copa do Mundo de 2030. O presidente da federação chilena, Pablo Milad, classificou a decisão da Fifa como “duro golpe”. O dirigente afirmou, à época, que a justificativa foi de que a inclusão de quatro países sul-americanos geraria um desequilíbrio em relação à candidatura principal. Os outros três foram escolhidos por razões históricas e institucionais específicas: o Uruguai por ser a primeira sede (1930), a Argentina por ser a primeira vice-campeã e o Paraguai por ser a sede da Conmebol.

Fifa, do presidente Gianni Infantino, descartou centenário da Copa na América do Sul e edição de 2030 será na Europa e na África.
Fifa, do presidente Gianni Infantino, descartou centenário da Copa na América do Sul e edição de 2030 será na Europa e na África.  Foto: Mandel Ngan / AFP

Como acontece habitualmente, os seis países que vão receber os jogos da Copa estão automaticamente classificados. Por questões logísticas, as seleções que vão participar dos jogos inaugurais na América do Sul terão entre 11 e 12 dias de intervalo para cruzar o Oceano Atlântico, descansar e se preparar para a segunda partida.

Nos dias 8 e 9 de junho de 2030, a Copa terá início com a cerimônia de celebração do centenário do torneio e os primeiros jogos oficiais de Uruguai, Argentina e Paraguai, em seus respectivos países. Já em 13 e 14 de junho, serão realizadas as cerimônias oficiais de abertura e as partidas inaugurais de Marrocos, Portugal e Espanha.

Por que não na América do Sul?

O Uruguai se sagrou bicampeão olímpico de futebol (1924 e 1928) e ganhou o direito de sediar a primeira edição da história da Copa do Mundo, em 1930, quando confirmou o favoritismo e ergueu a taça. Apesar de o Uruguai ser um país pequeno, com somente 3 milhões de habitantes, houve quem defendesse que o centenário do Mundial deveria ocorrer no país e uma candidatura conjunta foi considerada pela Conmebol a alternativa mais viável de convencer a Fifa de realizar o torneio da América do Sul.

“Não podemos repetir o erro dos Jogos Olímpicos de 1996, quando Atenas não foi escolhida como sede. Precisamos sediar a Copa do Mundo do Centenário aqui, para honrar nossa história”, disse o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, à época do lançamento da candidatura sul-americana.

Em 1996, uma parcela da opinião pública se demonstrou simpática à realização da edição centenária das Olimpíadas em Atenas, palco da edição inaugural, mas a cidade escolhida foi Atlanta, nos EUA. O Comitê Olímpico Internacional (COI) justificou a escolha alegando critérios técnicos, como a infraestrutura existente de alta qualidade — a candidatura dos americanos também contou com forte apoio internacional. A capital grega acabou recebendo as Olimpíadas quase uma década depois, em 2004.

Prevendo uma situação semelhante, a Conmebol fez lobby junto à Fifa para a sede de 2030 ser escolhida ainda em 2021, período em que o planeta enfrentava a pandemia da covid-19, a fim de dar mais tempo para a preparação dos estádios e da infraestrutura, o que acabou não acontecendo.

Como prêmio de consolação, a Fifa decidiu realizar apenas os jogos inaugurais da Copa na América do Sul. Agradando ou não a Conmebol, Alejandro Domínguez demonstrou animação ao anunciar a novidade nas redes sociais antes mesmo da própria Fifa.

Por que Espanha, Portugal e Marrocos?

Com a América do Sul descartada pela Fifa, a escolha de Portugal, Espanha e Marrocos como sedes principais da Copa de 2030 consolidou-se após a candidatura conjunta desses países se tornar a única candidata oficial para o torneio.

Originalmente, a Espanha e Portugal lançaram uma candidatura dupla em 2021, à qual a Ucrânia se juntou no ano seguinte, logo após a invasão russa. Contudo, devido a preocupações persistentes com a guerra e questões de governança na Federação Ucraniana de Futebol, o Marrocos acabou por substituir a Ucrânia.

A união entre nações de diferentes continentes foi proposta pela Uefa e pela Confederação Africana de Futebol, recebendo posteriormente o endosso da Conmebol, o que foi descrito pelo presidente da Fifa como uma importante mensagem de “paz, tolerância e inclusão”.

Pesou a favor de Marrocos o investimento na modernização de seus estádios, redes hoteleiras e malha ferroviária. O país africano também vem de décadas investindo em academias de futebol, o que resultou na conquista do quarto lugar na Copa do Mundo de 2022, no Catar. Trata-se da melhor campanha de uma seleção africana na história dos Mundiais. Neste ano, os marroquinos caíram nas quartas de final para a França.

Enquanto a Espanha já sediou o Mundial em 1982, Portugal e Marrocos nunca foram anfitriões do evento, sendo que a inclusão de Marrocos marca a primeira vez que partidas da Copa do Mundo serão realizadas no norte da África.

A Copa do Mundo de 2030 contará com um total de 104 partidas, seguindo o formato expandido de 48 seleções — isso se a Fifa não colocar em prática a ideia de expandir o torneio para 64 participantes. A Espanha deverá concentrar o maior volume de jogos, tendo proposto 11 estádios, enquanto o Marrocos indicou seis e Portugal utilizará três.

Fonte:Estadão

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