terça-feira, 14 julho, 2026 16:13
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Em Bonito, cinema vira convite para discutir o futuro do planeta

de Redação Bonitonet
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Poucos lugares fazem tanto sentido para uma mostra de cinema ambiental quanto Bonito. Cercada por rios transparentes, matas preservadas e uma economia que depende diretamente da natureza, a cidade recebe filmes que falam justamente sobre aquilo que sustenta sua própria existência: água, floresta, biodiversidade e as pessoas que lutam para mantê-las vivas.

Esse é um dos destaques da programação do Bonito CineSur – Festival de Cinema Sul-Americano, que chega à quarta edição entre os dias 24 de julho e 1º de agosto. A Mostra Ambiental transforma o cinema em espaço de reflexão sobre um tema que deixou de ser assunto do futuro para fazer parte do presente.

A escolha de Bonito como sede reforça essa proposta. Reconhecida internacionalmente pelo ecoturismo, a cidade recebe um festival que aproxima cultura e meio ambiente sem separar uma coisa da outra. Afinal, preservar paisagens também passa por preservar histórias, memórias e os modos de vida de quem vive nesses territórios.

Nesta edição, o compromisso com a sustentabilidade também ultrapassa as salas de exibição. O festival contará com a parceria do Instituto Azul, que realizará uma série de ações voltadas à reciclagem e à conscientização ambiental durante a programação.

Longa Propiedad Privada: Prohibido Pasar, coprodução entre Argentina e Polônia, acompanha moradores da Patagônia

Histórias onde a natureza é o personagem principal

Os seis longas da Mostra Ambiental percorrem diferentes países da América do Sul e mostram que os desafios ambientais assumem rostos e sotaques diversos.

O brasileiro Mundurukuyü – A Floresta das Mulheres Peixe mergulha na cosmologia do povo Munduruku e acompanha a vida na aldeia Sawre Muybu, onde a floresta não é apenas cenário, mas parte da família e da própria origem do mundo.

Também do Brasil, Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodanzky revisita imagens registradas pelo cineasta na Amazônia há mais de cinquenta anos e propõe um diálogo entre passado e presente a partir de um dos patrimônios ambientais mais importantes do planeta.

No uruguaio Água Invadida, a discussão acontece no mar. O documentário acompanha pesquisadores que investigam a pesca ilegal no Atlântico Sul e seus impactos sobre os recursos marinhos.

Já El Camino del Agua, do Peru, acompanha mulheres que enfrentam a ameaça da mineração enquanto preservam conhecimentos tradicionais e fortalecem a organização comunitária para defender o território.

Da Colômbia vem Páramos II – El Origen, que percorre os ecossistemas de alta montanha, discute o derretimento das geleiras e lembra a importância dos páramos para a produção de água e a biodiversidade.

Fechando a seleção, Propiedad Privada: Prohibido Pasar, coprodução entre Argentina e Polônia, acompanha moradores da Patagônia que enfrentam dificuldades para permanecer em suas terras diante do avanço dos interesses imobiliários e turísticos.

Cena de Buen Vivir – Ñutse Canseye (Equador)

Curtas ampliam o debate

A programação de curtas também reúne diferentes perspectivas sobre os desafios ambientais do continente.

O brasileiro À Margem do Fim revisita as enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 e propõe uma reflexão sobre justiça climática, moradia e os impactos das mudanças ambientais sobre comunidades vulneráveis.

No Equador, Buen Vivir – Ñutse Canseye acompanha mulheres indígenas que resistem aos impactos da exploração de petróleo na Amazônia e defendem seu território, sua cultura e sua forma de viver.

A Bolívia aparece em dois documentários. Entre la Sal y el Cielo mostra como as mudanças climáticas e a exploração do lítio desafiam o delicado equilíbrio do Salar de Uyuni. Já Uma Uñjirinaka – Cuidadorxs del Agua acompanha comunidades indígenas afetadas pela contaminação das águas da bacia do Lago Titicaca.

A Colômbia apresenta Hipopótamos, El Arca de Escobar, que investiga as consequências ambientais da presença dos hipopótamos introduzidos por Pablo Escobar e que hoje representam um desafio para o equilíbrio ecológico da região.

Entre os brasileiros, Lourdes e Leide revisita a memória do acidente com o Césio-137 por meio da rotina de Dona Lourdes, mãe da primeira vítima fatal da tragédia, ampliando o olhar sobre os impactos humanos de grandes desastres.

Um festival que conecta o continente

Além da Mostra Ambiental, o Bonito CineSur reúne produções de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. A programação inclui mostras competitivas de longas e curtas e filmes produzidos em Mato Grosso do Sul, mostra paralela com animações infanto-juvenis, sessões especiais, pré-estreias, além de oficinas, debates, encontros com realizadores e atividades voltadas à integração do audiovisual sul-americano.

Em 2025, o festival exibiu 63 filmes de dez países, reuniu cerca de 9 mil pessoas, movimentou a economia criativa local e consolidou Bonito como um dos principais pontos de encontro do cinema sul-americano.

Na edição de 2026, a expectativa é ampliar esse diálogo, mostrando que o cinema também pode ser uma ferramenta para pensar o futuro. Em uma cidade onde a natureza é parte da identidade, assistir a um filme sobre rios, florestas e comunidades talvez seja apenas outra forma de olhar para a paisagem do lado de fora.

O festival é uma realização da AACIC (Associação Amigos do Cinema e da Cultura), Lei Rouanet e Ministério da Cultura. Conta com patrocínio master do Banco do Brasil e Petrobrás, e patrocínio da Caixa Econômica Federal, do Sesc MS e da Fecomércio. Tem o apoio da Secretaria Municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico, da Prefeitura de Bonito, da Fundtur (Fundação de Turismo) e do Estado de Mato Grosso do Sul.

Acompanhe todas as novidades pelo Instagram @bonitocinesur. Acesse o site para ver programação completa www.bonitocinesur.com.br/2026/

Fonte:Campo Grande News

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