No sul do Mato Grosso do Sul, Bonito tem menos de 25 mil habitantes e recebe visitantes de todo o Brasil em busca de rios cristalinos, grutas inundadas e cachoeiras escondidas na Serra da Bodoquena. É um dos poucos destinos que soube crescer sem destruir aquilo que atrai o turista.
Como Bonito virou modelo mundial de ecoturismo
Em novembro de 2024, a cidade foi eleita pela 18ª vez o Melhor Destino de Ecoturismo do Brasil pela revista Viagem e Turismo, da Editora Abril, em 20 edições do prêmio. Superou Fernando de Noronha e Foz do Iguaçu na votação popular, segundo a Prefeitura Municipal.
O reconhecimento mais raro veio em 2022: Bonito se tornou o primeiro destino de ecoturismo do mundo a receber a certificação Carbono Neutro, concedida pela organização internacional Green Initiative. Todo esse desempenho tem uma explicação prática. Desde 1995, o município adota o Sistema de Voucher Único, que limita a quantidade diária de visitantes em cada atrativo. É preciso agendar por agência credenciada, e os preços são tabelados. O modelo virou referência mundial em gestão de turismo sustentável.

O que fazer em Bonito em um roteiro de quatro dias?
São mais de 40 opções de passeios distribuídas em cerca de 38 propriedades particulares e parques da região. A maioria fica na zona rural, e o deslocamento entre atrativos é feito de carro. Um roteiro de quatro dias cobre o essencial sem correria.
- Gruta do Lago Azul: cartão-postal da cidade, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1978. São aproximadamente 300 degraus até o lago subterrâneo, cuja profundidade real ainda é desconhecida (mergulhadores só alcançaram 87 metros). Entre setembro e fevereiro, a luz solar entra pela abertura da caverna e cria o efeito azul intenso.
- Flutuação no Rio Sucuri: nascente a 60 km da cidade, considerado um dos rios mais cristalinos do Brasil, com percurso de cerca de 1.800 metros em águas transparentes cheias de peixes.
- Rio da Prata: flutuação em trilha por mata primária seguida de mergulho com snorkel, com visibilidade que passa dos 50 metros, segundo levantamento citado pela National Geographic.
- Abismo Anhumas: rapel de 72 metros dentro de uma caverna até um lago subterrâneo com cones calcários submersos, para quem procura aventura pesada.
- Cachoeira Boca da Onça: maior queda d’água de Mato Grosso do Sul, com 156 metros de altura, acessada por trilha que passa por outras cachoeiras da propriedade.
- Buraco das Araras: dolina de aproximadamente 100 metros de profundidade habitada por dezenas de araras-vermelhas, com melhor observação ao amanhecer.
- Aquário Natural Baía Bonita: nascente do Rio Formoso com peixes coloridos a poucos centímetros do visitante, ideal para famílias.
A explicação geológica dessa transparência raríssima está no subsolo. A Serra da Bodoquena é formada por rochas calcárias que atuam como filtro natural, retendo partículas de argila antes de a água chegar aos rios.
A mesa em Bonito é pantaneira com sotaque paraguaio
A gastronomia local mistura tradição pantaneira, herança paraguaia e ingredientes do cerrado. Muitos restaurantes servem em fogão a lenha nas fazendas, parte da experiência dos passeios.
- Sopa paraguaia: bolo salgado de farinha de milho, cebola e queijo, herança dos vizinhos do outro lado da fronteira.
- Chipa: pãozinho de polvilho e queijo, servido quente em qualquer padaria da cidade.
- Peixe pintado assado: pescado dos rios da região, geralmente na brasa ou em molho de leite de coco.
- Puchero: cozido de carnes e legumes de origem pantaneira, servido em porção farta.
- Tereré: erva-mate gelada com ervas frescas, bebida obrigatória no calor sul-mato-grossense.
Como é o clima em Bonito ao longo do ano?
O clima é tropical, quente o ano inteiro, com estação seca bem definida entre maio e setembro. As duas metades do ano oferecem experiências diferentes: rios mais transparentes no inverno seco e cachoeiras volumosas no verão chuvoso.
Como chegar a Bonito de avião ou carro
De Campo Grande, capital do estado, são cerca de 300 km pela BR-060 e pela MS-382, com trajeto de aproximadamente quatro horas por estrada asfaltada. O Aeroporto Internacional de Campo Grande é a principal porta de entrada, com voos diários para São Paulo, Brasília e outras capitais. O Aeroporto de Bonito, a 14 km do centro, recebe voos regionais, com quantidade menor de opções e tarifas mais altas. Dentro do município, o carro particular ou transfer é a forma mais prática de circular entre um atrativo e outro.
Vale a viagem ao coração da Serra da Bodoquena
Bonito entrega o que poucos destinos brasileiros conseguem: rios com transparência que parecem ar, uma gruta tombada como patrimônio nacional, cachoeiras que passam dos 150 metros e um modelo de gestão que virou referência para o resto do mundo. Tudo em uma cidade que ainda conseguiu manter o ritmo pausado do interior.
Você precisa conhecer Bonito e flutuar no Rio Sucuri ao menos uma vez para entender por que essa cidade sul-mato-grossense continua sendo a capital do ecoturismo brasileiro.
Fonte:correiobraziliense