Maurício da Silva, conhecido como ‘Maurição’, suspeito pelo feminicídio da própria tia, Fátima Aparecida da Silva, teve a prisão decretada em preventiva na terça-feira (24).
Fátima tinha 57 anos e foi assassinada em casa durante a madrugada com golpes de panela e Makita, no município de Selvíria, a 390 quilômetros de Campo Grande. Ela é a 8ª vítima de feminicídio em Mato Grosso do Sul neste ano de 2026.
Preso desde segunda-feira (23), ‘Maurição’ passou por audiência de custódia na tarde de terça (24), ocasião em que o Poder Judiciário decretou sua prisão preventiva. Assim, ele foi encaminhado ao sistema penitenciário.
O 8º feminicídio em Mato Grosso do Sul causou indignação entre muitas pessoas, que se manifestaram nas redes sociais. Muitos afirmam estarem horrorizados com tamanha violência e pontuaram que nada justifica a crueldade.
Feminicídio
Segundo o boletim de ocorrência, a PM (Polícia Militar) foi acionada após ‘Maurição’ aparecer ensanguentado em um posto de combustíveis da cidade. Como os frentistas não deixaram ele limpar o sangue do corpo, o rapaz foi para o córrego do Rio Doce.
Na ocasião, enquanto os policiais se deslocavam para o córrego, um enfermeiro informou que havia uma mulher sem vida em uma residência. Logo, a PM encontrou ‘Maurição’ se limpando às margens do córrego e se aproximou.
Diante da situação, a PM ordenou que o rapaz saísse da água, momento em que ele passou a negar ter matado a vítima. “Eu não matei ela, não fui eu”, teria dito aos policiais. O rapaz foi encaminhado para a delegacia.
Confissão
Na delegacia, o feminicida confessou que chegou ao imóvel da tia durante a madrugada e ingeriu bebida alcoólica. Ele afirmou que os dois começaram a discutir, momento em que Fátima pegou uma faca para feri-lo. Em seguida, o rapaz pegou uma panela e golpeou a cabeça da tia, que caiu ao chão.
À polícia, ele disse que saiu do imóvel e avisou o primo, filho de Fátima, que havia encontrado a tia morta. Em seguida, ele passou a procurar um lugar para limpar o sangue que estava em seu corpo.
Feminicídio
Em 2026, já foram registrados 8 feminicídios em MS. Os crimes aconteceram com predominância no interior do Estado. Feminicídio é o crime de assassinato de uma mulher cometido por razões da condição do sexo feminino. Conforme a legislação, é caracterizado pela violência doméstica/familiar ou pelo menosprezo/discriminação à condição de mulher.
- Josefa dos Santos (Bela Vista) – 16 de janeiro;
- Rosana Candia Ohara (Corumbá) – 24 de janeiro;
- Nilza de Almeida Lima (Coxim) – 22 de fevereiro;
- Beatriz Benevides da Silva (Três Lagoas) – 25 de fevereiro;
- Liliane de Souza Bonfim Duarte (Ponta Porã) – 6 de março;
- Leise Aparecida Cruz (Anastácio) – 6 de março;
- Ereni Benites (Paranhos) – 8 de março.
- Fátima Aparecida da Silva (Selvíria) – 23 de março.
📍 Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
⚠️ Quando a Polícia Civil atua com deszelo, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
Fonte:MM