sábado, 7 março, 2026 11:36
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Mulheres ganham espaço no agro e já representam 27% das propriedades atendidas pelo Senar/MS

de Redação Bonitonet
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A presença feminina no mercado de trabalho segue em crescimento em Mato Grosso do Sul  e no agronegócio essa participação também se fortalece a cada ano. Hoje, as mulheres representam 43,1% dos empregos formais no estado, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS 2024). No setor agropecuário, elas já somam mais de 15 mil profissionais, o equivalente a 16,9% da força de trabalho.

O avanço acompanha uma tendência observada em todo o país. De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), quase 11 milhões de mulheres trabalharam no agronegócio brasileiro em 2023, ocupando funções que vão da produção à gestão das propriedades.

No campo sul-mato-grossense, essa presença aparece em diferentes atividades produtivas. A criação de bovinos concentra a maior parte das trabalhadoras do setor (41,7%), seguida pela produção florestal em florestas plantadas (17,5%) e pelo cultivo de soja (10,7%). As mulheres também atuam em atividades de apoio à agricultura (7,2%) e no cultivo de cana-de-açúcar (4,5%), contribuindo para o desenvolvimento de diferentes cadeias produtivas.

Além da atuação nas atividades do campo, a participação feminina também cresce na gestão das propriedades. Atualmente, a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso do Sul (Senar/MS) atende 9.331 propriedades rurais no estado, sendo 2.753 administradas por mulheres, o que representa 27,59% do público acompanhado pelo programa.

As cadeias produtivas com maior participação feminina dentro da assistência técnica são da ATeG Prepara, ligada a agricultura familiar, seguido pela olericultura, bovinocultura de leite, bovinocultura de corte e agroindústria. O cenário mostra que, cada vez mais, as mulheres participam das decisões e da condução dos negócios rurais.

Para fortalecer esse protagonismo, o Senar/MS investe em ações de formação e desenvolvimento voltadas às produtoras rurais. Um dos destaques é o Programa Mulheres em Campo, que já capacitou mais de 580 participantes no estado, com foco na gestão e no fortalecimento de empreendimentos liderados por mulheres. Para 2026, a previsão é abrir mais 20 turmas, com atendimento estimado de cerca de 300 produtoras.

Para a analista educacional do Senar/MS responsável pelos programas voltados às mulheres, Luciane Consoli Saad, a participação feminina tem papel essencial para o desenvolvimento das propriedades e das comunidades rurais.

“A mulher atua de forma estratégica na gestão das propriedades, na organização financeira, na diversificação das atividades produtivas e na sucessão familiar, contribuindo diretamente para a permanência das famílias no campo e para o fortalecimento da economia rural. Além disso, a figura feminina traz uma visão inovadora e colaborativa para os negócios rurais, aliando tradição e modernização”, explica.

Segundo ela, investir na formação das mulheres do campo também significa ampliar oportunidades e promover desenvolvimento social no meio rural. “Investir na formação das mulheres do campo significa ampliar oportunidades, reduzir desigualdades e promover desenvolvimento social, econômico e humano no meio rural”, completa.

Histórias que inspiram

A trajetória de Carla Aquino mostra como o protagonismo feminino tem se consolidado no agronegócio. A relação dela com o campo começou ainda na infância, no interior de Mato Grosso, acompanhando de perto o trabalho da família na pecuária leiteira.

“Eu nasci na roça. Meu pai era pecuarista, tirava leite e entregava para o laticínio. Eu cresci vendo o trabalho dele e da minha mãe, que fazia queijo e vendia na cidade”, relembra.

Filha mais velha entre quatro irmãs, Carla conta que o pai acreditava que o futuro das meninas estaria nos estudos. O caminho, no entanto, acabou levando-a novamente ao agro. A afinidade com a natureza a conduziu para a biologia, depois para o mestrado e doutorado em entomologia e pesquisas com plantas transgênicas, até atuar profissionalmente em empresas do setor.

Foi em Mato Grosso do Sul que Carla consolidou sua trajetória no agronegócio e passou a atuar como liderança feminina no campo. Hoje, além de produtora rural e mãe, ela incentiva outras mulheres a ocuparem seu espaço nas propriedades rurais.

“A mulher pode liderar de onde ela estiver, tanto dentro da porteira quanto fora. Ao lado do marido, cuidando dos filhos ou participando das decisões da propriedade, se ela entende o valor que tem, ela ocupa o seu lugar no agro”, afirma.

A produtora também participou, em 2025, do programa Donas do Agro, iniciativa do Senar/MS voltada à formação de lideranças femininas no setor.

Programas voltados às mulheres

A instituição também prepara novas ações voltadas ao público feminino. Entre elas está o Programa Donas do Agro, com previsão de execução em 2027, que pretende atender 35 mulheres que já ocupam posições de liderança em instituições ligadas ao agronegócio ou em suas próprias propriedades rurais.

Por meio de programas educacionais, cursos de formação profissional e assistência técnica, o Senar/MS segue contribuindo para fortalecer o protagonismo feminino no campo e ampliar as oportunidades para as mulheres no agronegócio sul-mato-grossense.

Assessoria de Comunicação do Sistema Famasul – Laiz Amorim*
Estagiária com supervisão de Laura Toledo 

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