Um grupo de empresários de Bonito se mobiliza para ampliar a discussão sobre a revisão do Plano Diretor do município. Por meio de um abaixo-assinado, que já soma cerca de 400 assinaturas em um único dia, eles solicitam a prorrogação do prazo para envio de contribuições da população, previsto para encerrar nesta quinta-feira (30), e questionam pontos da proposta, especialmente a transformação da Rua Pilad Rebuá, principal via turística da cidade, em calçadão.
Principal eixo comercial e turístico da cidade, a via concentra hotéis, bares, restaurantes e agências. Segundo o empresário Breno Teixeira, a proposta em discussão prevê restringir totalmente o tráfego de veículos e destiná-la exclusivamente a pedestres, em um trecho de cerca de 1,5 quilômetro, ligando a região central a áreas próximas ao Hotel Wetiga. Para o empresário, a medida, da forma como foi apresentada, carece de estudos técnicos e não dialoga com a realidade urbana local.
O documento do abaixo-assinado sustenta que intervenções desse porte exigem análises prévias, como estudos de impacto viário, fluxo de origem e destino, efeitos econômicos sobre o comércio e avaliação da oferta de estacionamento.
Na avaliação do grupo, o município tem baixa densidade populacional e fluxo sazonal de turistas, além da forte dependência do transporte individual e ausência de um sistema estruturado de transporte coletivo. O documento aponta possíveis impactos econômicos negativos, como a queda no faturamento, fechamento de estabelecimentos e desvalorização da área central.
O abaixo-assinado apresenta também outras sugestões como a reclassificação de áreas hoje definidas como zona periurbana ou de amortecimento para expansão urbana controlada. A justificativa envolve o aumento no custo dos aluguéis, o déficit habitacional e a necessidade de organizar o crescimento populacional impulsionado pelo turismo.
Outra proposta propõe limitar a extensão de parques lineares ao longo de córregos urbanos a 30 metros, acompanhando o que já prevê a legislação municipal para áreas de preservação permanente. A ampliação dessas faixas, segundo o documento, poderia gerar insegurança jurídica, conflitos com propriedades já consolidadas e custos elevados para o município.
Um dos principais pedidos, no entanto, conforme Breno Teixeira, é a prorrogação do prazo para participação popular. De acordo com o empresário, o tempo disponibilizado, cerca de 15 dias, é insuficiente diante da complexidade do Plano Diretor.
Prazo – O secretário municipal de Meio Ambiente, Thyago Sabino, confirmou ao Campo Grande News que prazo para envio de contribuições se encerra nesta quinta-feira (30). Segundo ele, os formulários ficaram disponíveis desde o dia 14 deste mês, permitindo que a população apresentasse sugestões e apontamentos sobre o projeto.
Segundo o secretário, após o encerramento do prazo, todas as manifestações recebidas, tanto por meio dos formulários quanto presencialmente, serão analisadas e encaminhadas para deliberação do núcleo gestor.
Sabino destacou que o Plano Diretor, instrumento que orienta o crescimento e o ordenamento urbano do município, tem validade legal de dez anos. Por isso, a construção do documento tem buscado ampla participação popular. “Foram realizadas nove audiências públicas com esse objetivo”, afirmou.
Após a consolidação das propostas e aprovação pela maioria dos integrantes do núcleo, a expectativa da prefeitura é que o projeto seja encaminhado à Câmara Municipal em até 60 dias.
A previsão, segundo o secretário, é que a proposta seja votada pelos vereadores antes do recesso parlamentar. Ele também ressaltou que a elaboração do plano conta com uma equipe técnica formada por profissionais da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), responsável por subsidiar tecnicamente as discussões e ajustes do documento.
Fonte:Campo Grande News