Um terremoto de magnitude 7,2, seguido por outro de 7,5, atingiram a Venezuela nesta quarta-feira, 24, informou o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Houve pânico e desabamento de prédios na capital Caracas e na cidade de Maracay, uma das principais do país.
Ao menos 164 pessoas morreram e mais estão 971 feridos, a informação é da presidente interina Delcy Rodríguez. Governo aguarda o balanço do estado de La Guaira, um dos mais afetados. A expectativa é de que o número de vítimas fatais aumente.
O país vive uma grave crise econômica, com cortes frequentes de energia e internet. Desde a prisão do ditador Nicolás Maduro, em janeiro, Rodríguez governa a Venezuela e tem se aproximado da Casa Branca de Donald Trump, mas mantém a censura sobre a imprensa e a oposição.
Em um comunicado, Rodríguez declarou estado de emergência, suspendendo aulas e serviços não essenciais em Caracas e nas outras regiões afetadas, além de comunicar o fechamento do aeroporto Maiquetía International. A presidente ainda pediu para que médicos, enfermeiros e profissionais da saúde se voluntariassem para ajudar nos cuidados aos feridos.
Os dois terremotos, que causaram o desabamento de prédios em Caracas e também foram sentidos na vizinha Colômbia e na região norte do Brasil, ocorreram com menos de um minuto de intervalo, em locais a cerca de 45 quilômetros de distância e em diferentes profundidades, de acordo com dados do USGS.
Bairros da área nobre de Caracas, como Chacao, e Altamira e Palos Grandes, estão entre os mais afetados, segundo o site Efecto Cocuyo, ligado à oposição. Os serviços de metrô e trem também foram suspensos.
A cidade tem uma infraestrutura antiga e a ditadura tem feito poucos investimentos na proteção a sismos, segundo a publicação.
O primeiro terremoto, de magnitude 7,2, ocorreu às 19h04 no horário de Brasília. Seu epicentro foi próximo a San Felipe, com profundidade de 21,9 km.
O segundo terremoto, de 7,5, ocorreu 39 segundos depois, com epicentro próximo a Yumare e 10 km de profundidade.
Alertas de tsunami chegaram a ser emitidos para Porto Rico e Ilhas Virgens, mas foram encerrados em seguida. O USGS avalia que é provável que haja um grande número de vítimas e danos, e que o desastre provavelmente seja de grande extensão. Até o momento não foram registradas vítimas, mas a estimativa do órgão americano é que pode haver de 10 mil a 100 mil mortos.
O Itamaraty afirmou que acompanha a situação por meio da Embaixada do Brasil em Caracas. “Até o momento, não há relatos de cidadãos brasileiros afetados pelos terremotos”, afirmou o órgão.

O ministro do Interior, Diosdado Cabello, afirmou que o tremor foi sentido em vários estados. O bairro de Altamira, em Caracas, registrou “situações alarmantes”, com o desabamento de casas e prédios; ele indicou que houve feridos e pediu aos motoristas que dessem passagem a ambulâncias e outros veículos de emergência.
“Entendemos que algumas pessoas possam estar desesperadas, mas estamos agindo conforme os protocolos para acionar as operações de socorro e resgate e ajudar aqueles que mais precisam”, disse Cabello na televisão estatal. “Tenham muito cuidado com crianças e idosos; liguem uns para os outros e certifiquem-se de que ninguém se feriu.”
Ele também recomendou que as pessoas permanecessem ao ar livre, pois réplicas do tremor poderiam causar mais danos a algumas estruturas.
“O prédio balançou muito de um lado para o outro”, disse Roberto Damas, morador de Caracas. “Surreal. A força foi incrivelmente intensa. Estávamos caminhando e o tremor nos jogava de um lado para o outro. Tudo no apartamento caiu. Bem, graças a Deus conseguimos sair”, afirmou.
Os terremotos são frequentes na Venezuela. Os sismos mais fortes registrados recentemente foram os de Cariaco (nordeste), em 1997, e o de Caracas, em 1967.
O primeiro sismo desta quarta-feira também foi sentido em Bogotá, capital da Colômbia, onde as luminárias balançaram, os alarmes dispararam e alguns moradores deixaram os prédios por precaução, segundo jornalistas da AFP.
Em um primeiro momento, a entidade de gestão de riscos da Colômbia (UNGRD) informou que não havia registros de emergência e descartou um alerta de tsunami./AFP e AP