Usinas de MS exploram só 6,5% do biometano

Mato Grosso do Sul aproveita apenas 6,5% do potencial de produção de biometano das usinas sucroenergéticas instaladas no Estado. A vinhaça, resíduo da fabricação de etanol, poderia gerar 126 milhões de metros cúbicos por safra, equivalentes a 345 mil m³ por dia, mas somente 8,16 milhões de m³ por ano são atualmente aproveitados.

O levantamento foi apresentado pelo presidente executivo da Associação Brasileira de Energia de Resíduos (Abren), Yuri Schmitke, durante a 8ª edição do Bio Energy Summit, em Campo Grande. Segundo os dados, 81,29 milhões de m³ anuais, ou 64,5% do potencial das usinas já instaladas, ainda não têm projeto associado.

O estudo considera 20 usinas sucroenergéticas do Estado e os cerca de 800 mil hectares de cana distribuídos por 42 municípios. Para Schmitke, a vantagem de Mato Grosso do Sul está na característica do resíduo, que já é coletado e concentrado dentro das unidades industriais.

“A vinhaça já está coletada, canalizada e concentrada dentro da usina. É o substrato de menor custo logístico do País e, em Mato Grosso do Sul, o menos explorado”, afirmou.

O Estado ocupa a sexta posição nacional em número de plantas de biogás, com 107 unidades, mas não está entre os 10 maiores produtores em volume. A produção chega a 0,26 milhão de metro cúbico normal (Nm³) por dia, com média de 2,4 mil Nm³/dia por planta, um terço da média brasileira, de 7,5 mil Nm³/dia.

Outra característica é a origem da matéria-prima. Agropecuária e indústria respondem por 96% do biogás produzido em MS, enquanto, no País, 64% do volume tem origem em resíduos sólidos urbanos e esgoto.

POTENCIAL
O desafio está menos na oferta de resíduos e mais na criação de projetos com escala o suficiente para atrair investimentos. O Estado teve R$ 77,9 bilhões em valor bruto da produção agropecuária em 2025, além de registrar 52 milhões de toneladas de cana moída na safra 2025/2026 e 5 bilhões de litros de etanol.

A estrutura inclui ainda 18,8 milhões de cabeças de gado, cerca de 300 granjas de suínos, 78,2 milhões de frangos abatidos entre janeiro e maio deste ano e aproximadamente 50 indústrias de fécula de mandioca.

A diversidade de cadeias permite, segundo Schmitke, reunir diferentes resíduos em projetos de maior porte.
“O caminho para a evolução de Mato Grosso do Sul nesse setor não virá de mais biodigestores pequenos. Virá de projetos de grande porte, mesmo que sejam poucos, ancorados na agroindústria, com agregação de substratos entre usinas vizinhas”.

Três unidades já produzem biometano em MS. A SF Agropecuária, em Brasilândia, tem capacidade de 4,38 milhões de Nm³ por ano; a Adecoagro, em Ivinhema, de 2,40 milhões; e a JBS, em Campo Grande, de 1,38 milhão. Dois novos projetos devem elevar a capacidade para 44,71 milhões de m³ anuais, 5,5 vezes o volume atual.

A Atvos prevê uma unidade em Nova Alvorada do Sul, com capacidade de 28 milhões de m³ por ano e investimento de R$ 350 milhões. 

Já a Adecoagro prepara uma ampliação em Ivinhema, com capacidade de 8,55 milhões de m³ anuais e aporte de R$ 225 milhões. O projeto deve elevar de 5% para 20% o aproveitamento da vinhaça na unidade.

MILHO
A expansão do etanol de milho é outra aposta para aumentar a escala dos projetos. MS é o segundo maior produtor nacional de etanol de milho e, na safra 2025/2026, 44% do etanol estadual veio dessa matéria-prima, contra 25% no ciclo 2023/2024.

Com as expansões anunciadas, serão cinco unidades em operação. A principal vantagem é ampliar a disponibilidade de resíduos ao longo do ano. Enquanto a vinhaça da cana se concentra em cerca de nove meses de safra, os efluentes da produção de milho permitem operação durante os 12 meses.

“A integração cana e do milho transforma o biodigestor de ativo sazonal em ativo de base. Isso muda a curva de receita, o dimensionamento do projeto e, principalmente, a percepção de risco de quem financia”, explicou Schmitke.

A Atvos anunciou R$ 2,36 bilhões em investimentos em MS, incluindo duas plantas de etanol de milho, em Nova Alvorada do Sul e Costa Rica.

Para a Abren, é necessário facilitar o acesso dos produtores à rede de gás. Schmitke cita como referência a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição Verde (Tusd-verde) criada em São Paulo, modelo tarifário que reduz barreiras para a conexão de projetos.

A entidade propõe transformar o Estadiem um polo agroindustrial de biometano, com integração de resíduos entre usinas próximas, acesso à rede e contratos de longo prazo.

Fonte:Correiodoestado

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