Depois de seis anos parado, o chamado “Trem da Morte” volta aos trilhos nesta sexta-feira (27), na Bolívia — agora com proposta turística, poltronas confortáveis e passagens que custam menos de R$ 200 para percorrer pouco mais de 600 quilômetros até Santa Cruz de la Sierra.
A retomada foi anunciada pelo Ministério de Obras Públicas, Servicios y Vivienda da Bolívia. O trajeto parte de Puerto Quijarro, cidade vizinha a Corumbá (MS), na fronteira com o Brasil, e passa por Carmen Rivero Tórrez, Aguas Calientes, Chochís, Roboré e San José, com destino final em Santa Cruz de la Sierra.
Operado pela Empresa Ferroviária Oriental S.A., o serviço será feito por um ferrobús com capacidade para 42 passageiros. A proposta do governo boliviano é transformar o tradicional trajeto ferroviário em um produto turístico, mantendo também a relevância do modal para o transporte de cargas no país.
Segundo Cynthia Aramayo, diretora da Unidade Técnica de Ferrocarriles, a reativação ocorre após suspensão em 2020, em razão da pandemia e da baixa ocupação. A expectativa agora é de alta procura, inclusive por estrangeiros, entre eles brasileiros. A estimativa é alcançar taxa de ocupação entre 90% e 100%.
As passagens já estão à venda no site Tickets Bolivia, com valores entre 220 e 230 bolivianos (cerca de R$ 164 a R$ 170), podendo ser pagas apenas em dólar ou na moeda boliviana. Há quatro horários de saída desde Puerto Quijarro: 11h, 18h, 19h30 e 20h, com chegada prevista em Santa Cruz na madrugada ou à noite, dependendo da opção escolhida.
Em consulta realizada pela reportagem, a viagem inaugural do dia 27 já aparece sem disponibilidade. Para o dia 28, ainda há lugares, mas não em todos os horários.
Fronteira e documentação
Brasileiros que optarem pelo trajeto precisam realizar o procedimento migratório. A saída do Brasil deve ser registrada no Posto Esdras, da Polícia Federal, na rodovia Ramon Gomes, em Corumbá. A entrada na Bolívia é feita no escritório de imigração após a ponte que liga os dois países.
É necessário apresentar passaporte ou RG com menos de 10 anos de emissão. O atendimento ocorre diariamente, das 8h às 18h, e não há cobrança de taxas. Em horários de pico, a espera pode ultrapassar uma hora em cada lado da fronteira.
A estação ferroviária de Puerto Quijarro fica a cerca de 10 quilômetros da fronteira. Táxis bolivianos cobram, em média, entre 15 e 25 bolivianos pelo trajeto.
De fama sombria a rota turística
O apelido “Trem da Morte” surgiu na década de 1950, quando a linha ligava Corumbá a Santa Cruz e chegou a ser utilizada para transportar doentes e vítimas de epidemias, como a febre amarela. A fama se consolidou nos anos 1980, quando mochileiros passaram a incluir o percurso nos roteiros pela América do Sul.
Cercado por desfiladeiros, pontes e paisagens naturais da região da Chiquitania, o trajeto ganhou notoriedade entre viajantes que seguiam rumo ao Peru e a destinos como Machu Picchu.
Agora, com nova proposta e foco no turismo, o tradicional trem tenta resgatar o interesse dos passageiros e impulsionar a economia local nas cidades atendidas pelo percurso.
Fonte:EFMS