sexta-feira, 23 outubro, 2026 10:27
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TCU vê irregularidade grave em 15 de 24 obras; acesso a Porto Murtinho (MS) é prioridade

de Redação Bonitonet
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O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou nesta quarta-feira (21) indícios de irregularidades graves em 15 das 24 obras fiscalizadas no Plano Anual de Fiscalização de Obras Públicas (Fiscobras) de 2026. As fiscalizações alcançam empreendimentos que somam R$ 6,1 bilhões, dos quais R$ 4,4 bilhões estão previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, segundo dados preliminares do tribunal.

Uma obra com recomendação de paralisação

Uma única obra, o metrô de Teresina (PI), foi classificada com indício de irregularidade grave e recomendação de paralisação, que ainda depende de deliberação do plenário da Corte. O TCU aponta indícios de sobrepreço e de duplicidade no orçamento. Até agora, não há decisão definitiva de parar a obra. As outras 14 têm irregularidades graves que não impedem a continuidade. Em números:

  • 24 obras fiscalizadas, com 15 (62,5%) apontadas com indício de irregularidade grave;
  • 1 com recomendação de paralisação, ainda sem decisão do plenário: o metrô de Teresina;
  • 14 com irregularidades graves que não impedem a continuidade;
  • 9 que não entraram na lista de indícios graves.

As dez prioritárias incluem o acesso a Porto Murtinho

O levantamento definiu dez obras como prioritárias, com valor estimado de R$ 524,8 milhões. O critério foi o risco de manter um ritmo baixo de execução por falta de recursos, e não a existência de irregularidade. O valor ainda será atualizado, com data-base e fontes, antes do envio do relatório ao Congresso. As dez obras:

  • acesso ao Porto Murtinho (MS);
  • ponte do Xingu (PA);
  • remanescente do Lote 1C da BR-319 (AM);
  • tronco norte da BR-116 (RS);
  • remanescentes da BR-070 (GO);
  • implantação da divisa BA/MG-Almenara;
  • travessia de Juazeiro (BA);
  • Navegantes-Rio do Sul (SC);
  • acesso ao terminal portuário de Capuaba (ES);
  • duplicação Fortaleza-Pecém, na BR-222.

A Agência Estado não detalha qual é a obra de acesso a Porto Murtinho nem informa se ela está entre as 15 com indício grave. A cidade, a 450 quilômetros de Campo Grande, é o ponto de partida brasileiro da Rota Bioceânica, e o governo estadual diz ter direcionado R$ 132 milhões em obras ao município nos últimos quatro anos. A ponte sobre o Rio Paraguai tem entrega prevista para o fim de novembro.

Angra 3 e emendas Pix

A usina nuclear de Angra 3 ficou de fora do material encaminhado ao Congresso por causa da indefinição sobre a continuidade do empreendimento. O relator do caso no TCU, ministro Jhonatan de Jesus, afirmou que a falta de definição já consumiu R$ 2,5 bilhões do orçamento da União. Como mostrou A Crítica, o tribunal deu até 240 dias para o governo decidir se conclui ou abandona a obra.

O levantamento também deu atenção às emendas Pix, as transferências que parlamentares enviam direto a estados e municípios. Segundo o relator, 65% das emendas fiscalizadas apresentaram deficiências de transparência e rastreabilidade, o que dificulta acompanhar a aplicação do dinheiro público.

Com informações da Agência Estado.

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