Santiago Peña apresentou sua renúncia ao cargo de presidente do Paraguai na manhã desta quinta-feira (05), após a quebra do Ueno Bank e a apresentação do pedido de impeachment, evitando, dessa maneira, o processo político.
O presidente da República, Santiago Peña, acaba de apresentar sua renúncia ao cargo. A decisão ocorre um dia depois de o Banco Central do Paraguai (BCP) determinar a liquidação do Ueno Bank e poucas horas após a oposição apresentar o libelo acusatório.
“Queridos compatriotas, hoje me dirijo a vocês em um dos momentos mais difíceis da minha vida. Com o coração voltado para o Paraguai e com a convicção de que nossa República deve estar sempre acima de qualquer pessoa ou circunstância”, começa o vídeo gravado pelo presidente na residência oficial, Mburuvicha Róga.
“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai”, acrescentou em seguida.
Peña não assumiu abertamente a responsabilidade pela crise envolvendo o Ueno Bank, instituição financeira à qual estava vinculado.
“Também quero pedir desculpas ao povo se em algum momento falhei. Nunca foi minha intenção decepcionar a confiança que depositaram em mim. Mas hoje minha prioridade é uma só: a tranquilidade dos paraguaios que confiaram suas economias ao nosso sistema financeiro”, declarou.
“Meu maior desejo é que seja garantida a devolução desses recursos, que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra sua finalidade e que os recursos públicos sejam protegidos. Confio profundamente na força do nosso povo e na capacidade de nossas instituições para superar esta situação. Nenhum cargo é mais importante do que a estabilidade da República. Nenhuma pessoa está acima do Paraguai. Que Deus abençoe cada família paraguaia e que Deus abençoe o Paraguai”, concluiu.
Peña havia assumido o cargo em 15 de agosto de 2023, com mandato previsto até 2028. Foi acionista do Ueno Holding até 2025.
O pedido de impeachment contra Peña
Na quarta-feira passada, um bloco de 35 deputados apresentou à Câmara Baixa um projeto de resolução para formalizar a acusação visando ao julgamento político de Peña e do vice-presidente Pedro Alliana, com base no artigo 225 da Constituição. O documento atribui a Peña um conflito de interesses decorrente de sua participação acionária no Ueno Holding.
Ao longo das horas desta manhã, foram sendo conhecidos os nomes de outros deputados favoráveis à submissão de Peña a um processo de impeachment.
Até mesmo seu padrinho político e mentor, o presidente da Associação Nacional Republicana (ANR), Horacio Cartes, anunciou hoje seu apoio ao impeachment.
Uma semana de crise após a queda do Ueno Bank
Na terça-feira, o Banco Central do Paraguai anunciou a liquidação do Ueno Bank, depois que seu índice de solvência caiu para menos de 50% do mínimo exigido.
Os aplicativos e cartões deixaram de funcionar para quase três milhões de clientes, segundo dados da própria instituição referentes ao mês de junho.
Horas depois, o presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, renunciou a pedido de Peña. O presidente da República afirmou que a situação era “um caso particular”.
O Ministério Público determinou a prisão de oito dirigentes do banco, todos já detidos.
As justificativas que ficaram para trás
Nas semanas anteriores, Peña havia minimizado os alertas sobre a situação do Ueno Bank.
Chegou a afirmar que se tratava de uma “criação de algum meio de comunicação”, classificou a investigação administrativa do Banco Central como um “assunto eminentemente técnico” e, no dia 27 de outubro, pediu “calma” e “prudência”.
As entidades representativas dos segurados sustentavam que os recursos públicos e previdenciários depositados na instituição ultrapassavam US$ 860 milhões.
Fonte: ABC Color