terça-feira, 1 setembro, 2026 02:26
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Rio da Prata interrompe fluxo sob Ponte do Curé durante período de estiagem

de @bonitonet
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Trecho da MS-178, entre Jardim e Bonito, voltou a ficar sem correnteza; água permanece em outros pontos e reaparece adiante

O Rio da Prata voltou a apresentar interrupção no fluxo de água sob a Ponte do Curé, na MS-178, entre Jardim e Bonito. O trecho ficou sem correnteza após a redução do nível do rio durante o período de estiagem.

A situação é conhecida por moradores e pessoas que acompanham o comportamento do rio. Segundo Teodison Gonçalves, gerente do Recanto Ecológico Rio da Prata e integrante do grupo Amigos do Rio da Prata, a interrupção do fluxo naquele ponto ocorre quando o nível da água diminui durante períodos de seca. “Esse fenômeno ocorre nas épocas de estiagem. Agora faz dias que não chove e, mesmo as chuvas que tivemos, foram fracas. Então vai baixando o nível do rio”, explicou.

O comportamento, porém, não significa que o Rio da Prata tenha secado por completo. Teodison afirma que há água em trechos próximos da ponte e que o fluxo volta a aparecer mais adiante, próximo a áreas onde existem nascentes. Segundo ele, a diferença entre os pontos é um dos indícios de que parte da água segue por baixo da superfície. “Depois da ponte, uns dois ou três quilômetros, tem bastante água no rio. Mais à frente, depois de algumas nascentes, a água ressurge com força e o rio já começa a correr novamente”, relatou.

A hipótese considerada pelo grupo é de que o rio possua trechos de circulação subterrânea. Quando o nível baixa, a água deixaria de percorrer a superfície em determinados pontos e seguiria por esse caminho até voltar a aparecer mais adiante.

O fenômeno vem sendo acompanhado pelo grupo há pelo menos três anos, mas relatos de moradores antigos indicam que episódios semelhantes já ocorreram anteriormente. “Moradores antigos já relataram ter visto isso há muitos anos, cerca de 20 anos atrás”, contou.

O grupo também pretende acompanhar o trecho para verificar se há peixes eventualmente isolados nas poças que permanecem no local. Esse tipo de trabalho já foi realizado em anos anteriores durante períodos semelhantes de estiagem.

Rio Paraguai também registra queda

O Rio Paraguai também apresenta redução no nível da água neste período de estiagem. Em Ladário, um dos principais pontos de acompanhamento em Mato Grosso do Sul, a cota passou de 2,28 metros no dia 19 para 2,20 metros na segunda-feira (24). Mesmo com a baixa, a marca permanece dentro da faixa considerada normal para o período, que varia de 0,86 metro a 4,51 metros.

O monitoramento do SGB (Serviço Geológico do Brasil) aponta que o rio está abaixo da média histórica para esta época do ano, mas ainda sem sair dos parâmetros esperados na maior parte do trecho entre Ladário e Porto Murtinho. A redução é considerada compatível com o período de estiagem, embora os níveis venham permanecendo abaixo da média histórica há uma sequência de meses.

Entre janeiro e julho, a bacia do Rio Paraguai acumulou volume de chuva 5% superior à média histórica calculada pelo SGB com base nos registros de 1998 a 2025.

Imasul

O Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) foi procurado para informar se acompanha a situação do Rio da Prata na região da Ponte do Curé e se existem medidas ou projetos voltados à redução dos impactos da estiagem nos próximos anos. Até o fechamento desta edição, o órgão não havia respondido.

Fonte: EstadoonLine

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