Quem é Éderson, sul-mato-grossense, escolhido para substituir Wesley na seleção brasileira

Volante da Atalanta vive o auge da carreira, chega à Copa de última hora e pode trocar de clube após o Mundial

A Copa do Mundo de Éderson começou quando ele menos esperava. De férias, o volante da Atalanta recebeu uma sequência de ligações da CBF na manhã deste último domingo (7). Do outro lado da linha estava a notícia que todo jogador sonha ouvir: Carlo Ancelotti havia escolhido seu nome para substituir Wesley, cortado por lesão muscular na coxa esquerda.

Aos 26 anos, Éderson entra na lista final da seleção brasileira para a Copa do Mundo de 2026 em um momento especial da carreira. Consolidado como um dos principais meio-campistas do futebol italiano, o jogador vive o auge técnico na Atalanta e chega ao Mundial como uma opção capaz de oferecer intensidade, força física e versatilidade ao meio-campo brasileiro.

Mais do que uma convocação de emergência, a presença do volante representa a recompensa por uma trajetória marcada por recomeços, obstáculos e uma ascensão construída longe dos holofotes.

Natural de Campo Grande, Éderson começou sua formação em 2017, nas categorias de base do Desportivo Brasil, chegando a passar rapidamente pelo futebol chinês, atuando nas divisões inferiores do Shandong Luneng. O retorno ao Brasil aconteceu através do Cruzeiro, clube que lhe abriu as portas para o futebol profissional.

Pela equipe mineira, o volante passou a integrar frequentemente as convocações da seleção sub-20 e chamou a atenção de Mano Menezes, responsável por promover suas primeiras oportunidades no Campeonato Brasileiro de 2018. No ano seguinte, ganhou mais espaço justamente durante uma das temporadas mais turbulentas da história recente do Cruzeiro. O clube acabou rebaixado para a Série B, enquanto Éderson buscava se firmar entre os profissionais.

Em 2020, porém, a relação chegou ao fim. Alegando atrasos salariais que giravam em torno de R$ 2 milhões, o volante acionou a Justiça para rescindir o contrato. As partes chegaram a um acordo poucos meses depois e o jogador foi liberado. Ao todo, disputou apenas 27 partidas e marcou dois gols pelo clube mineiro.

Pouco depois, acertou com o Corinthians, que vivia um processo de reformulação sob o comando de Tiago Nunes. O início foi animador, Éderson marcou três gols nos cinco primeiros jogos e teve atuações de destaque nas fases decisivas do Campeonato Paulista, contra Red Bull Bragantino e Mirassol.

Mas a ascensão durou pouco. Com a saída de Tiago Nunes, perdeu espaço. Dyego Coelho passou a apostar nos jovens da base, como Xavier e Roni, e o volante acabou ficando para trás na disputa por vagas. Nem mesmo a chegada de Vagner Mancini mudou o cenário. Ao deixar o Corinthians, somava 25 partidas e três gols.

Ressurgimento no Fortaleza e chegada à Europa
A grande virada da carreira veio em 2021. Emprestado ao Fortaleza, Éderson finalmente encontrou sequência, confiança e protagonismo. Rapidamente se transformou em peça fundamental da equipe comandada por Juan Pablo Vojvoda.

Foram 58 partidas disputadas, três gols marcados e participação importante nas campanhas que renderam o título estadual, a semifinal da Copa do Brasil e uma histórica classificação para a Libertadores.

Foi no clube cearense que o volante passou a ser observado com mais atenção pelo mercado europeu. No início de 2022, o Fortaleza renovou seu contrato, mas existia uma cláusula que obrigava o retorno ao Corinthians caso chegasse uma proposta internacional.

E ela chegou. A Salernitana, então lanterna do Campeonato Italiano, desembolsou cerca de R$ 40 milhões para contratar o jogador.

Mesmo chegando a um clube que lutava contra o rebaixamento, Éderson rapidamente assumiu a titularidade. Em apenas seis meses, participou da reação da equipe na reta final da Serie A, ajudando a evitar a queda e despertando o interesse de clubes maiores do país. Foram 15 jogos e dois gols em sua curta passagem por Salerno.

Auge na Itália e estreia na seleção
As boas atuações não passaram despercebidas. Poucos meses depois, a Atalanta investiu aproximadamente R$ 85 milhões para contratar o brasileiro. A transferência marcou o início da melhor fase de sua carreira. Sob o comando de Gian Piero Gasperini, Éderson se transformou em um dos motores do meio-campo da equipe de Bérgamo.

Sua capacidade de pressionar, recuperar bolas, conduzir transições e chegar ao ataque fez dele uma peça indispensável no esquema da Atalanta. Ao longo das últimas temporadas, consolidou-se como um dos melhores meio-campistas da Serie A e participou de momentos históricos do clube.

O principal deles aconteceu em 2023/24, quando a Atalanta conquistou a Liga Europa ao derrotar o então invicto Bayer Leverkusen, de Xabi Alonso, na decisão. Também disputou a Champions League e acumulou experiência em alto nível no futebol europeu. Desde sua chegada ao clube italiano, já soma cerca de 180 partidas, 16 gols e seis assistências.

O desempenho abriu as portas da seleção brasileira. Éderson foi convocado por Dorival Júnior em 2024 e integrou o grupo que disputou a Copa América daquele ano. Sua trajetória com a camisa da seleção, no entanto, ainda é curta. Até aqui, são apenas três partidas disputadas. A última participação aconteceu justamente na derrota para a Argentina que culminou na saída de Dorival do comando técnico. Embora tenha aparecido na primeira lista de Carlo Ancelotti após a chegada do treinador, não chegou a atuar sob o comando do italiano antes da convocação para a Copa.

Na temporada 2025/26, manteve o alto nível na Atalanta, registrando três gols e três assistências e permanecendo como uma das referências do elenco.

Convocação sonhada e sucessor de Casemiro?
A chegada de Éderson aos Estados Unidos acontece em um contexto que vai além de uma simples substituição. Desde a divulgação da lista final para a Copa do Mundo, existia uma percepção interna de que o meio-campo brasileiro precisava de mais profundidade para enfrentar um torneio de alta intensidade física.

Com o corte de Wesley, Ancelotti optou por não chamar outro lateral-direito e decidiu reforçar justamente o setor central do campo. A escolha por Éderson reflete esse pensamento. Além da capacidade defensiva, o volante oferece características que poucos jogadores do elenco possuem: intensidade constante, força nos duelos, capacidade de pressionar sem a bola e qualidade para avançar ao ataque.

Por isso, há quem veja o jogador como um potencial sucessor de Casemiro dentro do ciclo da seleção brasileira. E não é apenas na seleção que seu nome ganha força.

A tendência é que Éderson deixe a Atalanta após a Copa do Mundo, com o Manchester United tem negociações avançadas para contratar o volante, vendo Ederson justamente como um possível substituto para Casemiro em Old Trafford. Segundo o jornal The Athletic, os valores da operação podem chegar a cerca de R$ 280 milhões.

Enquanto o futuro segue em aberto, Éderson vive o presente mais importante da carreira. A convocação surgiu de forma inesperada. Ainda de férias, precisou arrumar as malas às pressas, resolver documentos e embarcar rumo aos Estados Unidos em poucas horas.

A notícia provocou uma explosão de emoção na família. Enquanto o volante tentava assimilar o que estava acontecendo, parentes e amigos celebravam a realização do sonho que acompanhou toda sua trajetória no futebol.

Menos de 24 horas depois do chamado da CBF, Éderson desembarcou em Nova Jersey, juntou-se ao restante da delegação no hotel The Ridge e iniciou oficialmente sua caminhada na Copa do Mundo.

Uma caminhada que começou de forma improvável, mas que pode transformar o volante da Atalanta em uma das histórias mais interessantes da seleção brasileira no Mundial.

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